A vida dos desmatadores na Amazônia está cada vez mais complicada. No oeste do Pará, na região conhecida como Chapadão, o Ibama aplicou multas que somam quase R$ 4 milhões a desmatadores ilegais, incluindo um fazendeiro e até um blogueiro acusado de obstruir as ações dos agentes. Enquanto isso, 750 cabeças de gado foram retiradas de áreas de preservação especial e transportadas em caminhões boiadeiros, em um esforço para frear a devastação do bioma amazônico.
No centro da operação está Wanderson Soares, fazendeiro de Altamira, autuado em R$ 3,945 milhões. Ele foi penalizado com R$ 3,02 milhões por descumprir o embargo de uma área de 184,998 hectares e mais R$ 925 mil por impedir a regeneração natural da vegetação nativa ao usar o terreno para pecuária ilegal. Localizada no quilômetro 90 da PA-370, a área embargada viu a apreensão de 337 bovinos e dois equinos no último dia 18, avaliados em R$ 858,5 mil. Soares tem 20 dias, a contar da notificação, para recorrer das sanções administrativas.
Mas a operação foi além. Em outras áreas embargadas do Chapadão, o Ibama confiscou um total de 750 cabeças de gado, que foram levadas a um frigorífico em Santarém para abate. A carne, segundo o órgão, será doada aos municípios impactados pelo desmatamento na região, uma medida que busca reparar parte do dano causado.
“O desmatamento em áreas públicas é um crime ambiental grave e precisa ser punido com rigor. Estamos agindo para proteger a Amazônia”, afirmou Hugo Loss, coordenador de operações do Ibama.
Castanheira e multa
O caso tomou proporções ainda mais inusitadas com a autuação de três figuras locais – dois vereadores de Santarém e um repórter de blog – que tentaram barrar a retirada do gado. Eles derrubaram uma castanheira, espécie protegida e imune ao corte, sobre a PA-370, interrompendo o tráfego e dificultando a ação do Ibama e da Força Nacional. Cada um foi multado em R$ 21,5 mil.
“Qualquer tentativa de obstruir o trabalho de órgãos públicos no combate a crimes ambientais é inaceitável e será punida”, declarou Loss, destacando que a lei 9.605 prevê sanções para tais atos.
A operação “8 Segundos” segue em curso, sem data para encerrar, com o objetivo de reduzir os alarmantes 12.800 hectares desmatados no Chapadão entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 – o equivalente a 10% das queimadas na Amazônia no mesmo período, segundo dados de satélite.