James Gray é um dos maiores diretores americanos em atividade. Em quase três décadas, seus filmes estão entre os mais consistentes que o ocidente produziu. Diretor que já em seu primeiro filme, Fuga para Odessa (1994), apresentava seu estilo “clássico”, sem usar de ferramentas de desconstrução narrativa ou extensivas referências cinematográficas.

Gray fez filmes focados na dramaturgia e no destino trágico de seus personagens. Entre seus três primeiros filmes, existe um hiato de sete anos. Depois disso, sua produção se intensificou e já estamos em seu sétimo trabalho.
Seu mais recente filme, Ad Astra – Rumo às Estrelas, estreou na semana passada e foi recebido pela crítica especializada, já em suas primeiras exibições, como uma fusão entre os filmes ApocalypseNow (1979), clássico dirigido por Francis Ford Coppola e 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), aclamado filme de Stanley Kubrick. O que fica claro durante a exibição do longa metragem, é que fazer essa comparação torna-se uma tarefa impossível.

Ambientada “Em um futuro não muito distante”, Ad Astra conta a jornada de Roy McBride, estrelado por Brad Pitt, através do sistema solar, com a tarefa de encontrar seu pai, o também astronauta, Clifford McBride (Tommy Lee Jones), desaparecido em uma missão espacial em busca de vida inteligente fora da terra há décadas.
Antes de tudo é preciso dizer duas coisas. Primeiramente, que o filme possui ótimas cenas onde a ação decola, exemplo disso é a belíssima perseguição pelas planícies da lua. Cada um desses momentos onde a tensão aumenta tem um valor dramático, pois eles intensificam os tormentos que Roy sente sobre si. São nesses pontos de Ad Astra que a sua natureza melancólica emerge na tela.
Em segundo lugar, que James Gray se despe das expectativas que um filme de ficção cientifica cria no público, com seus aparatos tecnológicos e seu futuro distópico. Aqui, ele optou pela economia e o realismo e, em função dessas escolhas, muita vezes o diretor retira cenas belíssimas.

Em seu filme anterior, Z: A Cidade Perdida (2017), Gray já nos apresentava essa dinâmica entre pai e filho, onde a família é relegada a um segundo plano, pela natureza obsessiva de um pai. Se em “Z” temos a narrativa focada no pai, em Ad Astra os polos se invertem e acompanhamos o ponto de vista do filho. Essa jornada do filho em busca do pai tem claros ecos de A Odisseia, de Homero.
Entre tantos filmes de astronauta lançados nos últimos tempos, esse tem potencial para se tornar um dos mais importantes e, sem duvida, o mais belo, por focar, acima de tudo, no homem como elemento central. O espaço se mostra como a fronteira onde podemos descobrir a vida e a humanidade. E é essa fronteira final que se revela como um abismo que também nos contempla.
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