p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 120%; }
![]() |
Barragens da Vale, prêmios, etc. O mundo é colorido em Carajás? |
Depois de a porta ter sido arrombada e a tragédia aparecer a toda hora nos jornais, TVs, rádios e redes sociais, aí as autoridades saem de seus gabinetes, prometendo as famosas “enérgicas providências”, uma forma de aliviar suas consciências por nada terem feito quando poderiam fazer para evitar o pior. Essa omissão, que não deixa de também ser crime, faz parte de um vício nacional que inquieta quem não joga no time da prevaricação.
Este colunista decidiu provocar a empresa Vale, que juntamente com a BHP Billiton, é dona da Samarco, a administradora das barragens que romperam em Mariana, para saber como está a segurança das cinco barragens que abrigam rejeitos de minérios extraídos de Carajás. A direção da Vale mandou um e-mail, respondendo às indagações.
Perguntei como estavam os planos de segurança das cinco barragens localizadas em Marabá, Parauapebas, Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu e Canaã dos Carajás. A Vale respondeu que projeta, implanta e opera suas barragens de acordo com técnicas de engenharia avançadas e boas práticas internacionais, “seguindo rigorosos controles de gestão de segurança e gestão de riscos, realizando inspeções e monitoramento sistemáticos, bem como auditorias externas anuais para identificação de anomalias e garantia das condições de segurança”.
Segundo a Vale, neste momento, todas as barragens dela no Pará “estão funcionando em absoluta normalidade, atendendo a todos os requisitos legais vigentes e com todos os aspectos de segurança garantidos”. Ela declarou que suas barragens passam por rígidas inspeções técnicas e são monitoradas por instrumentos de alta precisão, que dão rápidas respostas com relação ao seu comportamento estrutural. Os dados dos monitoramentos são analisados por engenheiros geotécnicos especializados, que avaliam frequentemente se os níveis de leituras dos instrumentos estão devidamente alinhados com as condições de operação normal das estruturas.
Disse ela que também realiza monitoramentos sistemáticos da qualidade da água em suas barragens e executa medidas de controle em rios e igarapés próximos para que sejam respeitados os padrões definidos pelos órgãos ambientais e legislações vigentes. Além de todas essas medidas, a empresa adota rígidos controles ao longo das fases de seu processo produtivo, definidos com base em estudos ambientais que subsidiaram o próprio processo de licenciamento e que proporcionam a gestão adequada dos recursos hídricos e efluentes gerados, dentre outros.
Muito bem. A Vale apresentou suas explicações. Pelo que se leu, tudo vai bem no melhor dos mundos possíveis. Mas, convenhamos, não custa nada o Ministério Público Federal de Marabá, a Semas e o Ibama verificarem, numa ou em várias inspeções, se tudo está realmente como diz a Vale e que não há nenhum risco de que essas barragens se rompam e tenhamos uma tragédia de proporções bíblicas no sudeste do Pará.
Afinal, seguro morreu de velho, como diz o povão.
—————————BASTIDORES——————————–
* Em 2011, o Ibama emitiu Licença de Instalação para a Vale,
autorizando as obras do Projeto de Reprocessamento de Rejeito da
Barragem do Gelado, localizado nas instalações do Complexo
Minerador de Ferro Carajás, no município de Parauapebas.
*Esta
licença tem validade de quatro anos, a partir da data da assinatura
do documento e do cumprimento das condicionantes estabelecidas no
processo. Ou seja, o licenciamento já está vencendo, mas não se
sabe se o Ibama já efetuou vistoria para saber se suas
condicionantes foram cumpridas.
* As mineradoras Alcoa e
Rio do Norte, provocadas sobre a situação de suas barragens em
Juruti e Oriximiná, também afirmam que não há nenhum problema com
elas e que tudo está a mil maravilhas.
*Na década de 80,
o Lago do Batata, em Porto Trombetas, onde se localiza o projeto da
Mineração Rio do Norte, foi contaminado por rejeitos de bauxita que
vazaram da barragem rompida. O dano foi notícia em todo o mundo.
*
Essas explicações recorrentes de que vai “tudo bem” devem ser
encaradas com um pé atrás. Só uma fiscalização rigorosa dos
órgãos ambientais são capazes de confirmar ou desmentir o que
essas empresas afirmam.
Discussion about this post