O final de 2024 trouxe uma polêmica que promete reverberar por muito tempo no Pará: a privatização da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Em uma manobra relâmpago, o governador Helder Barbalho aprovou o projeto sem debates aprofundados entre os deputados estaduais e, mais grave ainda, sem ouvir a população paraense, a mais impactada por essa decisão.
Barbalho, chamando o processo de “parceria público-privada”, apresentou o leilão da Cosanpa como uma solução moderna e eficiente. No entanto, críticos alertam que o governador, conhecido por tomar decisões unilateralmente e sem oposição significativa, está empurrando goela abaixo uma medida cujas consequências são incertas e potencialmente danosas.
O ex-deputado Zé Carlos (PV) expressou indignação em suas redes sociais, levantando questionamentos fundamentais. Segundo ele, o edital lançado nesta sexta-feira (27) não esclarece dois pontos cruciais: quanto custará a tarifa de água para os consumidores após a privatização e qual será o destino dos mais de R$ 1 bilhão que o governo arrecadará com a venda do serviço.
Além disso, Zé Carlos destacou outra preocupação legítima: o futuro dos trabalhadores da Cosanpa. A possibilidade de cortes no quadro de pessoal, decorrente da redução do papel da estatal, deixa muitas famílias em alerta.
A propósito do que escreveu Zé Carlos, as demissões começaram antes de dezembro e se intensificaram neste final de ano, de acordo com alguns servidores que já receberam o famigerado “bilhete azul”. “Não sei o que vou fazer, é hora de pensar e procurar outra alternativa de trabalho”, declarou um ex-funcionário. “Dei minha minha vida e meu suor por essa companhia e agora estou nessa situação”, completou outro.
Chama a atenção nesse imbroglio a desmotização, para não dizer coisa pior, do Sindicato dos Urbanitários, outrora tão combativo, mas hoje sem gás para enfrentar as medidas de força de Helder. O que está acontecendo? A resposta só o próprio sindicato pode dar.
Cobrança e respostas
Os defensores da privatização argumentam que a entrada de empresas privadas pode modernizar o serviço e ampliar o acesso ao saneamento básico. Contudo, experiências semelhantes em outras regiões do Brasil mostram que essas mudanças frequentemente vêm acompanhadas de tarifas mais altas e exclusão de áreas de baixa renda, onde o investimento é considerado pouco lucrativo.
Para um estado como o Pará, que enfrenta desafios históricos na universalização do saneamento, a privatização da Cosanpa deveria ser objeto de um debate amplo e transparente. Afinal, a água é um bem essencial, e a gestão desse recurso não pode ser tratada como mera mercadoria.
A falta de clareza sobre tarifas, investimentos e impactos sociais deixa no ar a sensação de que os paraenses estão recebendo um “presente de Ano Novo” que pode pesar no bolso e comprometer o acesso à água para muitos. A sociedade civil precisa estar atenta e cobrar respostas. Afinal, o maior interessado – o consumidor – não pode ser deixado de lado em um processo que afeta diretamente sua vida e seu futuro.
E você, paraense, como enxerga essa decisão? Está preparado para pagar mais pela água e pelo saneamento?















