Desmatamentos, exploração ilegal de minérios e de madeira: parte do dinheiro sujo dos crimes ambientais na Amazônia acabam em paraísos fiscais nos Estados Unidos. Quem são os responsáveis? Como parar com isso? Esse foi o tema do episódio #55 do É da sua conta, da Tax Justice Network.
Alessandra Korap falou sobre os impactos do garimpo e da mineração nos territórios dos munduruku. Povos indígenas e comunidades tradicionais são as afetadas diretamente pelos crimes ambientais na Amazônia.
A conexão entre crimes ambientais e crime organizado na região amazônica é explicada pelo professor e pesquisador Aiala Colares Couto (UEPA e Instituto Mãe Crioula). Pelo menos 281 bilhões de dólares de rendimentos anuais para criminosos.
Relatório da FACT Coalition aponta os Estados Unidos como um dos paraísos fiscais que mais lava dinheiro advindo dos crimes ambientais. Vivian Calderoni, do Instituto Igarapé, comenta os achados do relatório.
Fluxos Financeiros Ilícitos: como se definem e como combatê-los? Florência Lorenzo, pesquisadora da Tax Justice Network responde.
“A gente não sabe quem é pior: se são os garimpeiros ou as mineradoras” , Alessandra Korap, liderança munduruku. “Me perguntaram uma vez sobre lavar dinheiro (das drogas) com ouro. Mas será que é lavagem? Porque se o ouro já é ilegal e contrabandeado, uma atividade ilegal não lava a outra atividade ilegal”, Aiala Colares Couto, professor e pesquisador da Universidade Estadual do Pará.
“Fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro: três crimes essenciais para dar a aparência de legalidade. São fraudados documentos sobre esses bens florestais, ocultando as origens ilícitas e possibilitando que sejam comercializados, por exemplo.” Vivian Calderoni, Instituto Igarapé.
“Precisamos saber quem são as pessoas que estão se beneficiando dessas transações e, portanto, desses crimes ambientais. Para isso, é central que todos os países garantam transparência de empresas ou outras entidades legais sobre quem são os proprietários, proprietários legais, mas também beneficiários finais”, disse Florencia Lorenzo, da Tax Justice Network.