Sérgio Francisco da Costa Júnior, de 42 anos, conhecido como Sérgio Cabelo, faleceu na última terça-feira (31) após passar 33 dias internado em estado grave em uma UTI. O conselheiro do Paysandu e torcedor fervoroso foi baleado dentro de seu carro em 28 de novembro, ao deixar a casa de sua mãe no bairro Cidade Nova 5, em Ananindeua, região metropolitana de Belém.
Câmeras de segurança captaram o momento em que um homem armado aguardava a saída da vítima, disparando seis tiros contra o veículo — três atingindo a lateral do motorista e outros três na parte frontal. Sérgio estava acompanhado de uma mulher com quem mantinha um relacionamento há cerca de seis meses.
A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para uma motivação passional. A família de Sérgio acredita que o crime tenha sido ordenado pelo ex-marido da mulher. Embora ele tenha negado envolvimento e alegado estar fora de Belém no dia do crime, essa versão não convenceu os familiares.
Amanda Campos, sobrinha de Sérgio, revelou que o relacionamento do tio com a mulher era recente, mas parecia promissor. No entanto, mensagens trocadas entre o casal mostram que Sérgio começou a temer por sua segurança, pedindo para que a mulher resolvesse pendências com o ex-marido antes de continuarem o relacionamento.
A conduta da mulher após o crime também levanta suspeitas. Segundo Amanda, ela desaconselhou que o carro baleado fosse levado à delegacia e desapareceu após o ocorrido. A família afirma que a mulher e o ex-marido não demonstraram pesar pela tragédia e até celebraram o Réveillon juntos.
Despedida comovente e clamor por justiça
O velório de Sérgio Cabelo aconteceu na sede do Paysandu, clube ao qual ele dedicou anos como conselheiro e apoiador das categorias de base. Mais de 100 pessoas, entre amigos, familiares e membros da comunidade bicolor, compareceram para prestar suas últimas homenagens.
O corpo foi conduzido em cortejo pela cidade, com parada especial no Estádio da Curuzu, uma homenagem ao torcedor que sempre se fez presente nas arquibancadas.
Durante o velório, o sentimento de revolta e o desejo de justiça eram palpáveis. “Queremos respostas. Temos provas, prints, mas até agora ninguém foi preso. Isso é revoltante”, desabafou Amanda.
Nota de pesar do Paysandu
O Paysandu lamentou a perda de Sérgio em nota oficial, destacando sua contribuição ao clube. “Sérgio Cabelo, como era conhecido por todos, foi um grande apoiador das categorias de base e conselheiro até o dia de seu falecimento. Solidarizamo-nos com familiares e amigos neste momento de profunda tristeza”, declarou o clube.
A investigação segue em curso, agora classificada como homicídio. Enquanto isso, a família e a torcida bicolor clamam por respostas e justiça para um crime que abalou toda a comunidade esportiva paraense.