De um lado, as obras da Câmara Municipal de Ananindeua avançam a todo vapor, com generosos recursos do governo do Estado do Pará; de outro, a situação deplorável da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Armando Fajardo, completamente abandonada pelo poder público.Ambos os prédios estão localizados, lado a lado, no centro daquele município da Região Metropolitana de Belém, mas recebem tratamento diferenciado do governo estadual.
Enquanto a verba corre solta para a reforma e ampliação da casa legislativa, não sobra um tostão para a casa educacional. Depois de inúmeras tentativas de encontrarem um solução para os graves problemas que afetam a escola, inclusive com expedientes encaminhados ao Ministério Público Estadual, alunos e educadores fizeram um protesto na frente do estabelecimento educacional, cobrando providências.
A manifestação, realizada na última sexta-feira, denunciou as condições precárias do prédio, que é administrado pela Secretaria Estadual de Educação, e questionou a destinação de recursos para a Câmara de Vereadores, que fica ao lado do colégio. Para piorar a situação, segundo os manifestantes, com a realização das obras na casa legislativa, a estrutura física da Escola Armando Fajardo ficou ainda mais comprometida, oferecendo perigo aos alunos, professores e servidores públicos.
De acordo com a comunidade escolar, o Corpo de Bombeiros condenou a estrutura física do prédio e até interditou a escola, que com medidas paliativas voltou a funcionar. Conforme informações de pais de alunos, educadores e funcionários, a escola busca há anos uma resolução para os problemas estruturais, que prejudicam terrivelmente o processo de ensino e aprendizagem do seu público-alvo, em sua maioria alunos que não têm condições de pagar escolas particulares.
“Nós já formalizamos muitas denúncias ao Ministério Público do Estado, que realizou visitas à escola com engenheiros, mas as providências não foram tomadas pelo governo do Estado”, afirmou um pai de aluno, que não será identificado. Segundo educadores, a escola funciona precariamente em um espaço cedido pelo Lions Clube local, que já formalizou desejo de vender o espaço para o governo estadual, mas o negócio não foi concluído, fato que torna-se uma barreira para a construção de uma nova escola.
“O fato estranho nisso tudo é que o governador Helder Barbalho, que não se posiciona para a compra e construção de uma nova escola, está financiando a obra de construção e ampliação da Câmara dos Vereadores de Ananindeua, ao lado do colégio. A obra na Câmara acontece sem nenhum estudo de impacto à estrutura da escola, que está rachando e sofrendo significativamente, prejudicando o funcionamento das aulas”, arrematou a professora Andréa Salustiano, dirigente do Sintepp Ananindeua, que participou do protesto.
O Ministério Público encaminhou o seguinte comunicado à comunidade escolar do Armando Fajardo: “Honrado em cumprimentá-los(as), De ordem do Excelentíssimo Senhor Coordenador das Promotorias de Justiça da Região Administrativa Belém II, Dr. Amarildo da Silva Guerra, encaminho à Secretaria de Apoio Administrativo da Promotoria de Justiça de Direitos Constitucionais Fundamentais de Ananindeua, para fins de distribuição automática a um dos cargos existentes, com atribuição específica e providências posteriores que se fizerem cabíveis de acordo com o entendimento do membro”. Assina Gilson Dias da Silva, auxiliar de administração do MPPA.