Astrônomos do radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, anunciaram a detecção do primeiro sinal de rádio vindo de um cometa que atravessa o espaço rumo à Terra. O objeto, batizado de 3I/ATLAS, é descrito como uma “anomalia interestelar” e encontra-se agora a meio caminho de sua jornada pelo Sistema Solar.
Os cientistas registraram ondas de rádio associadas à presença de radicais hidroxila (OH) ao redor do corpo celeste — uma assinatura química típica de cometas. Pelos cálculos, sua superfície atinge cerca de –45 °C e o diâmetro chega a 9,6 quilômetros. Nada demais, diriam os astrônomos mais céticos. Mas, para outros, o enigma começou a tomar forma.
Entre eles está Avi Loeb, astrofísico de Harvard e autor de teorias ousadas sobre vida extraterrestre. Em artigo publicado em seu blog, Loeb defendeu que o 3I/ATLAS é grande demais e anômalo demais para ser apenas um cometa — chegando a cogitar que poderia se tratar de uma nave alienígena realizando o primeiro contato com a humanidade. Para ele, a coincidência de termos recebido um objeto tão gigantesco, logo no terceiro corpo interestelar já identificado, seria “estatisticamente improvável”.
Ainda assim, a maioria dos especialistas descarta a hipótese extraterrestre. Segundo estudos publicados pelo Live Science, as ondas de rádio detectadas são típicas da atividade natural de desgaseificação: quando a radiação solar aquece o cometa e faz com que a água em seu interior se decomponha, liberando hidroxila. Um fenômeno comum, observado em diversos corpos semelhantes.
Perto da Terra em dezembro
De fato, há meses os astrônomos já haviam notado jatos de água sendo expelidos do cometa “como uma mangueira de incêndio”, conforme descreveu um pesquisador. Agora, os sinais de rádio confirmam que a radiação solar está decomposta essa água, explicando também por que o objeto mudou temporariamente de cor após passar atrás do Sol.
Descoberto em 1º de julho de 2025, o 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado cruzando o Sistema Solar — e possivelmente o mais antigo de todos, com origem estimada em um sistema estelar distante, nos limites da Via Láctea, há cerca de sete bilhões de anos. Atualmente, ele está a 327 milhões de quilômetros da Terra e deve atingir seu ponto mais próximo no dia 19 de dezembro, sob a vigilância de instrumentos da sonda JUICE, da Agência Espacial Europeia.
Mas, enquanto os telescópios seguem os rastros do visitante gelado, outra busca, mais antiga e íntima, continua: a do próprio ser humano por companhia no cosmos. A cada nova rocha vinda do espaço, reacende-se o sonho — ou o medo — de que talvez não estejamos sós. Procuramos sinais em qualquer ruído, discos voadores em qualquer ponto luminoso. É como se o vazio do universo refletisse o nosso próprio vazio interior: a necessidade de encontrar, entre as estrelas, um eco da nossa própria existência.















