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Home Cultura

Vinte mil tiros de canhões atingiram Belém, reconstruída por jovens formados na Europa

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
30/11/2025
in Cultura
Vinte mil tiros de canhões atingiram Belém, reconstruída por jovens formados na Europa

Laboratórios da Escola Central de Paris, onde Ardasse queria estudar

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De que modo o destino de um jovem pobre, do Pará, poderia ser alterado caso ele recebesse uma formação sólida de engenheiro civil na Europa, em 1840?

Essa pergunta poderia se tornar ociosa para um pesquisador daquele período da História da Formação dos Engenheiros no Pará — se, naquele ano, o presidente da Província do Pará, João Antônio de Miranda, não tivesse assinado a Lei nº 69.
E se o governo da província não tivesse instalado, na Bélgica, José Cândido Firmino Ardasse, com o objetivo de prepará-lo no campo da Engenharia Civil.

Depois que ele demonstrou cumprir as quatro exigências do artigo 4º daquela lei:
1ª) Ter mais de 15 anos de idade.
2ª) Ter capacidade intelectual já reconhecida.
3ª) Ter conhecimentos das disciplinas preparatórias.
4ª) Ter conduta moral.

A pergunta, portanto, não era ociosa, sobretudo porque a conjuntura político-econômica daquela época se mostrava muito favorável a um jovem com a sorte de Ardasse.

Aquele era o momento da valorização dos engenheiros bem qualificados, no Pará. As cidades da província estavam maltratadas pela repressão à Cabanagem. Belém, por exemplo, havia sido atingida por 20 mil tiros de canhões após sua invasão pelos cabanos, em 1835.

Além disso, havia disponibilidade de recursos para as necessárias obras de recuperação, pois já fora iniciada a expansão da exportação da borracha. E até a mão de obra não-especializada, fornecida por negros e índios e aplicada às obras públicas, estava organizada no Corpo dos Trabalhadores.

A iniciativa de organizá-los havia surgido como tentativa de evitar que a marginalização social desses grupos fomentasse um novo movimento de revolta como a Cabanagem. Supunha-se que seria possível integrá-los às ações administrativas da província.

Naquele instante, portanto, do que mais a província necessitava era verdadeiramente de bons engenheiros.

Por isso, a Lei nº 69 tornava obrigatório o retorno dos jovens formados na Europa. Se não voltassem, eles tinham de devolver ao Estado todo o dinheiro gasto com eles. Mas, longe de ser uma ameaça, isso era, antes, uma garantia de emprego permanente na Repartição de Obras Públicas, recém-criada.

Do privilégio do emprego certo, infelizmente, porém, Ardasse não chegou a desfrutar. E não por incompatibilidade com o governo do Pará.

Apesar de, em 1848, ele ter sido contrariado ao pedir sua transferência da Escola Central de Bruxelas, na Bélgica, para a Escola Central de Paris — com o argumento de que a mudança poderia reduzir o tempo de sua formação —, o presidente da província, Jerônimo Coelho, rejeitou a justificativa. Alegou que a redução representaria menor despesa com o jovem estudante, mas invocou também as “atuais desordens que agitam a França”, como explicou à Assembleia Legislativa Provincial.

Coelho acrescentou que, se o pedido fosse atendido, Ardasse
“em vez de ir (a Paris) aprender Matemáticas, talvez encontrasse quem lhe quisesse ensinar a fazer barricadas”.
E concluiu:
“E esse é um gênero de indústria de que por cá não carecemos.”

As barricadas a que Coelho se referiu foram montadas por operários nas ruas de Paris, como trincheiras nas quais eles, armados, se protegiam após se revoltarem contra a situação desesperadora criada pela crise econômica que lhes roubava os empregos.

Essas barricadas culminaram com a morte de 500 pessoas em 24 de fevereiro de 1848.

O morticínio certamente provocava, nos membros do governo da província, a desagradável lembrança do desaparecimento de 30 mil paraenses no massacre ao movimento da Cabanagem, poucos anos antes.

De qualquer forma, aquele temor de Jerônimo Coelho não tinha procedência, porque no exato momento em que ele o expressou já havia paraenses bolsistas estudando na Escola Central de Paris, para onde Ardasse queria se transferir, sem que isso representasse qualquer perigo para o governo.

Mas não foi nem mesmo a contrariedade certamente sentida por Ardasse diante do pleito frustrado o que o impediu de gozar do direito ao emprego certo no Pará, garantido pela Lei nº 69.

Foi uma fatalidade.
Ele morreu, em 1851, na Bélgica.

Do desfecho de sua história, restou o registro feito pelo presidente Fausto d’Aguiar, no relatório enviado à Assembleia Provincial naquele ano. Disse Fausto:
“Esse moço esperançoso tinha feito oito anos de estudos e preparava-se para os ir completá-los na Escola de Engenharia Civil, em Liège, na Bélgica. Os seus mestres rendiam elogios à sua capacidade e aplicação.”

A Lei nº 69 vigorou durante 36 anos e beneficiou muitos outros jovens.

Num único ano, o de 1869, por exemplo, o Pará custeou os estudos de 21 jovens na França, na Bélgica, na Itália — e até fora da Europa, nos Estados Unidos.

Um deles foi José Felix Soares, que passou a estudar, a partir de 1846, naquele mesmo centro de ensino experimental para o qual Ardasse quis ser transferido.

A Escola Central de Paris era a mais importante da França, bem aparelhada a ponto de seus laboratórios disporem de fornos usados apenas por indústrias.

Quando retornou ao Pará, Felix Soares integrou-se à Repartição de Obras Públicas. Lá, tornou-se colega de engenheiros que não fizeram barricadas, mas criaram o Clube de Engenharia, em 1886, para defender seus interesses profissionais.

Trabalhou com ele, por mais de 17 anos, o vice-presidente do Clube de Engenharia, Antônio Joaquim de Oliveira Campos.

Nesse período, Felix também começou a lecionar Geometria no Colégio Paraense.

Na repartição, ele permaneceu por três décadas. Fiscalizou as obras da Igreja de Nazaré (anterior à atual) e as do Teatro da Paz. Ajudou a construir o Palácio Antônio Lemos, hoje Museu de Arte de Belém.

Quando estava prestes a completar 40 anos de trabalhos dedicados à administração do Pará, tornou-se diretor da Seção de Obras Públicas.

E, no ano seguinte, foi nomeado Diretor Geral de Instrução Pública da Província.

Quanto à Repartição de Obras Públicas, ela se manteve, por 100 anos, como o grande espaço de exercício da Engenharia no Pará.

*Oswaldo Coimbra é escritor e jornalista

English into translation (tradução para o inglês)

Twenty Thousand Cannon Shots Hit Belém, Rebuilt by Young Men Trained in Europe

How could the destiny of a poor young man from Pará be changed if, in 1840, he were to receive solid training as a civil engineer in Europe?

Such a question might seem pointless to a researcher studying that period in the history of engineering education in Pará.

If, in that year, the president of the Province of Pará, João Antônio de Miranda, had not signed Law No. 69.

And if the provincial government had not sent José Cândido Firmino Ardasse to Belgium, with the aim of preparing him in the field of Civil Engineering.

This occurred after he demonstrated compliance with the four requirements of Article 4 of that law.

1) Being over 15 years old.

2) Having recognized intellectual ability.

3) Possessing knowledge of preparatory subjects.

4) Having moral conduct.

The question, therefore, was not pointless.

Especially because the political and economic circumstances of the time proved very favorable to a young man as fortunate as Ardasse.

That was a moment of increasing appreciation for well‑qualified engineers in Pará.

The cities of the Province had been severely affected by the repression of the Cabanagem revolt.

Belém, for example, had been struck by twenty thousand cannon shots after its invasion by the cabanos in 1835.

In addition, there were available resources for the necessary reconstruction works, since the expansion of rubber exports had already begun.

Even the non‑specialized labor force—composed of Black and Indigenous workers employed in public works—was organized into the Corpo dos Trabalhadores (Workers’ Corps).

The initiative to organize them arose as an attempt to prevent the social marginalization of Black and Indigenous people from fostering a new revolt like the Cabanagem.

It was assumed that it would be possible to integrate them into the administrative actions of the Province.

At that moment, therefore, what the Province needed most was truly good engineers.

For this reason, Law No. 69 required the return of young men trained in Europe.

If they did not return, they had to reimburse the State for all the money spent on them.

But rather than a threat, this was actually a guarantee of permanent employment in the newly created Public Works Department.

Unfortunately, Ardasse never came to enjoy the privilege of that guaranteed job.

And not because of any incompatibility with the government of Pará.

Even though, in 1848, he had been disappointed when he requested a transfer from the Central School of Brussels in Belgium to the Central School of Paris, arguing that the change could reduce the length of his studies.

The president of the Province, Jerônimo Coelho, rejected Ardasse’s argument—even though the reduction would mean lower expenses for the Province—invoking the “current disorders agitating France,” as he explained to the Provincial Legislative Assembly.

The president added that if the request were granted, Ardasse,

“Instead of going (to Paris) to study Mathematics, might perhaps find someone willing to teach him how to build barricades.”

Coelho concluded:

“And that is a type of industry for which we have no need here.”

The barricades to which Coelho referred had been set up by workers in the streets of Paris as trenches in which they protected themselves, armed, after revolting against the desperate situation caused by the economic crisis that had taken their jobs.

These barricades culminated in the death of 500 people on February 24, 1848.

Such slaughter certainly brought to mind, among members of the provincial government, the distressing memory of the disappearance of 30,000 people from Pará in the massacre that ended the Cabanagem revolt only a few years earlier.

In any case, Coelho’s fear had no real basis, because at the very moment he expressed it, other scholarship students from Pará were already studying at the Central School of Paris—the same institution to which Ardasse wished to transfer—without this representing any danger to his government.

But it was not even the frustration surely felt by Ardasse after the denial of his request that prevented him from enjoying the right to guaranteed employment in Pará under Law No. 69.

It was a tragedy.

He died in 1851, in Belgium.

The end of his story was recorded by President Fausto d’Aguiar in the report he sent to the Provincial Assembly that same year.

Fausto wrote:

“This hopeful young man had completed eight years of studies and was preparing to complete them at the School of Civil Engineering in Liège, Belgium.

His instructors praised his ability and dedication.”

Law No. 69 remained in force for 36 years.

And it benefited many other young men.

In a single year, 1869, for example, Pará funded the studies of twenty‑one young men in France, Belgium, Italy,

and even outside Europe, in the United States.

One of them was José Felix Soares, who began studying in 1846 at the same experimental educational institution to which Ardasse had wished to transfer.

The Central School of Paris was the most important in France, so well equipped that its laboratories possessed furnaces used only by industries.

When Felix Soares returned to Pará, he joined the Public Works Department.

There, he became a colleague of engineers who did not build barricades but instead created the Engineering Club in 1886 to defend their professional interests.

For more than seventeen years, he worked alongside the Club’s vice‑president, Antônio Joaquim de Oliveira Campos.

During this period, Felix also began teaching Geometry at the ColégioParaense.

He remained in the department for three decades.

He supervised the works of the earlier Church of Nazareth, prior to the current one, and those of the Teatro da Paz.

He helped construct the Antônio Lemos Palace, now the Belém Museum of Art.

When he was about to complete forty years of work dedicated to the administration of Pará, he became director of the Public Works Section.

And the following year, he was appointed Director‑General of Public Instruction of the Province.

As for the Public Works Department, it remained for one hundred years the major institutional space for engineering practice in Pará.

*Oswaldo Coimbra is a writer and journalist

(Laboratories at the École Centrale de Paris, where Ardasse wanted to study.)

Tags: atingiram BelémDestaqueformados na Europareconstruída por jovensVinte mil tiros de canhões
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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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