Os nervos estão à flor da pele no município de Garrafão do Norte. Tudo começou quando o presidente da Câmara Municipal, vereador Alcino Souza (UNIÃO) resolveu agendar para a sexta-feira (30) a eleição que definia sua reeleição na presidência para o biênio 2026/2028.
A decisão surpreendeu a muitos por ser quase 1 ano antes do período determinado para o início do mandato, porém teve apoio unânime dos demais vereadores.
Mas para a surpresa de Alcino, o vereador Benezinho Cruz (PSD), que também faz parte da base aliada ao prefeito Marcones Mangueira (PSD), e é irmão do vice-prefeito Damasceno Cruz (PSD), resolveu entrar no jogo com candidatura própria e contando com o apoio de outros dois vereadores da base e mais três da oposição, formou maioria e teria levado Alcino ao desespero.
Então na última segunda-feira (26), Benezinho, acompanhado do vereador José Henrique (PSD), estavam estacionados em frente à residência do vereador Flávio Sousa (UNIÃO), quando foram surpreendidos por dois membros da gestão municipal.
Os homens foram identificados como o tesoureiro da prefeitura, Francisco Gleison e o chefe de gabinete e cunhado do prefeito, Francisco Fábio, que em meio a xingamentos citou a frase “todo quilombola é vagabundo”, em referência a Benezinho, que assim como Damasceno tem origem quilombola. Confira o vídeo na íntegra e o recorte do momento do xingamento:
O vídeo repercutiu nas redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens da cidade, gerando revolta entre populares. Com isso, a candidatura de Benezinho passou a ganhar apoio popular.
Em meio a confusão e repercussão nas redes sociais, na quinta-feira (29) o Poder Judiciário barrou a eleição que estava marcada para o dia seguinte, a considerando antecipada demais.
A decisão foi da juíza Silvia Clemente Silva Ataíde, após ação movida pelos vereadores da base de Alcino, Ketlem de Jesus (PSD) e Lauro Barbosa (UNIÃO). Curiosamente, os vereadores apoiavam a manutenção da eleição horas antes da decisão judicial, o que deixou populares a criarem diversas opiniões desconfiadas.
A Justiça determinou ainda:
- suspensão do edital de convocação;
- suspensão da resolução que mudou a regra;
- cancelamento da sessão de eleição marcada.
O caso ainda será analisado de forma definitiva, mas a decisão já tem efeito imediato para evitar insegurança jurídica e possíveis anulações futuras.
Todos os citados a matéria foram procurados pela equipe de reportagem do portal Ver-o-Fato, porém sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestações.
A raiz do problema
Fontes ligadas ao município informaram que a raiz de todo o problema é político e relacionado às eleições de 2026, o prefeito Marcones Mangueira teria rompido com a ex-prefeita Edilma Alves (PSD) e com o vice-prefeito Damasceno Cruz por apoios divergentes para a vaga de deputada na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).
Enquanto o prefeito e parte da base aliada apoiam a pré-candidata Andréa Dantas (MDB), que é esposa do deputado federal Antônio Doido (MDB), a ex-prefeita e o atual vice com sua base aliada, que agora é maioria, preferem fugir dos escândalos com a Polícia Federal envolvendo o polêmico deputado e mantém o apoio a deputada estadual Diana Belo (MDB). Por outro lado, a oposição segue apoiando o também deputado estadual Antônio Tonheiro (PP).















