Neste domingo (25), o icônico Torre Palace Hotel, um símbolo da hotelaria brasiliense por mais de 50 anos, foi implodido às 10h01 no Setor Hoteleiro Norte de Brasília. O evento, que culminou após anos de abandono e degradação da estrutura, não apenas marcou o fim de um prédio, mas também instigou reflexões profundas sobre o destino do patrimônio urbano e a gestão do espaço público em uma cidade reconhecida por seu tombamento histórico.
A origem
O Torre Palace, idealizado pelo empresário Jibran El-Hadj, destacou-se por décadas como um dos mais luxuosos destinos da capital, oferecendo 14 andares e 140 apartamentos com vista para o Eixo Monumental. Foi um ponto de encontro para figuras importantes, incluindo autoridades, diplomatas e empresários. Sua relevância cultural é evidenciada pela hospedagem de personalidades como os jogadores Carlos Alberto Torres, Zé Maria e Rivellino em 1973, e artistas como Jair Rodrigues, demonstrando seu papel central na vida social da cidade.
O início dos problemas
A trajetória de glória do hotel foi interrompida após a morte de seu fundador. Encerrando suas atividades em 2013, o Torre Palace entrou em um rápido processo de decadência, tornando-se alvo de invasões e depredações. O que antes era um símbolo de prosperidade transformou-se em um foco de insegurança e deterioração urbana, impactando negativamente a percepção e a paisagem da região central de Brasília, refletindo a negligência na manutenção de um patrimônio.
A implosão
A implosão do prédio foi uma operação complexa que empregou cerca de 165 kg de explosivos, instalados estrategicamente nos pavimentos térreo, 1º, 2º, 3º e 7º. Foram realizadas 600 metros de perfurações nos pilares, evidenciando o planejamento meticuloso necessário para derrubar a estrutura de forma controlada e segura, marcando o desfecho de um longo período de incertezas.
Medidas de segurança
Para garantir a segurança durante a implosão, especialmente em uma área urbana, foi implementado um rigoroso esquema. A operação começou às 6h com o posicionamento das equipes e a instalação de um Posto de Comando. Pouco antes do momento final, foram acionadas sirenes, vias foram interditadas, avisos foram feitos por megafone, e helicópteros e drones monitoraram a área, assegurando que o procedimento ocorresse com máxima segurança.
Histórico de implosões
A implosão do Torre Palace representa o quarto caso em uma área tombada de Brasília, levantando um debate crucial sobre a preservação e a gestão do patrimônio histórico na capital. Após o desabamento, a atenção se volta para a avaliação estrutural do local e das edificações vizinhas, controle de poeira, limpeza das vias e remoção de entulhos, todas as etapas condicionadas à segurança e autorização técnica, ressaltando o desafio contínuo de Brasília em conciliar o desenvolvimento urbano com a conservação de sua rica história.
Novo hotel
No local do antigo Torre Palace, em Brasília, será construído um novo hotel de luxo. O projeto prevê um empreendimento moderno de alto padrão, adequado às exigências atuais de infraestrutura que o prédio original não atendia, como a falta de estacionamento. Detalhes sobre o novo edifício incluem:
Capacidade: O novo hotel terá mais de 200 apartamentos.
Revitalização: A obra faz parte de um esforço para revitalizar o Setor Hoteleiro Norte (SHN) após o prédio ter ficado abandonado por mais de uma década.
Sigilo do novo proprietário
O novo empreendimento que ocupará o local do antigo Torre Palace é de propriedade de um novo grupo investidor, cujo nome específico de mercado ainda é mantido sob reserva, embora seja identificado em informes recentes como um “bilionário” ou grupo de alto poder aquisitivo.
Alto luxo
Os detalhes sobre a propriedade e a execução do projeto:
Execução da obra: A empresa RVS Construções é a responsável técnica pelo processo de implosão e pela etapa inicial de renascimento do terreno.
Histórico de propriedade: O imóvel pertenceu originalmente ao empresário libanês Jibran El-Hadj. Após sua morte em 2000, o prédio foi objeto de uma disputa judicial entre herdeiros por 12 anos até ser finalmente adquirido pelo novo grupo.
Tentativas anteriores: Em 2020, a empresa RBS Administração de Imóveis chegou a arrematar o hotel em leilão, mas desistiu da compra posteriormente.
O novo dono planeja transformar o local em um dos complexos hoteleiros mais sofisticados do país, incluindo um SPA internacional e um restaurante com estrela Michelin.Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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