A memória da Internet continua fresca: veja abaixo o vídeo de Aécio Neves, combinando R$ 2 milhões em propina com o notório bilionário Joesley Batista
A negociação da chamada “anistia restrita”, agora rebatizada com o eufemismo de dosimetria de pena, tem dois protagonistas improváveis: Aécio Neves e Paulinho da Força. Ambos carregam um pesado histórico de investigações e escândalos, mas voltam à cena política como articuladores de um arranjo que interessa ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.
A missão: vender à sociedade a imagem de que se trata de uma medida “responsável”, capaz de pacificar o país e selar uma espécie de reconciliação nacional. No meio desse teatro, também ressurge o ex-presidente Michel Temer, padrinho da ascensão de Alexandre de Moraes no STF.
Fala-se que, caso o plano dê certo, Temer retornaria à cena política, da qual na verdade nunca saiu, atuando sempre nas sombras, mas desta vez para se mostrar como terceira via à presidência da República em 2026.
Por sua vez, Aécio Neves, outrora nome forte do PSDB e quase presidente em 2014, é um dos exemplos mais notórios de decadência política. O tucano, que chegou a ser apontado como herdeiro natural de Fernando Henrique Cardoso, foi engolido pelos escândalos da Lava Jato. Em 2017, uma gravação em que ele pedia R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, praticamente sepultou sua carreira nacional.
Mesmo assim, sobreviveu como deputado federal por Minas Gerais, orbitando em silêncio, até encontrar agora no tema da anistia uma brecha para recuperar algum protagonismo.
Paulinho da Força, líder do Solidariedade e dirigente sindical histórico, também acumula um fichário robusto de problemas. Investigado em esquemas de corrupção e caixa dois, ele sempre foi um especialista em se manter no tabuleiro do poder, adaptando-se a cada governo. No sindicalismo, construiu uma imagem de defensor dos trabalhadores, mas nos bastidores consolidou fama de operador de negócios pouco republicanos.
Agora, assume o papel de “ponte” entre o Congresso e o Palácio do Planalto para empurrar a tal dosimetria de penas como solução de consenso.
Aécio e Paulinho ressurgem, portanto, como mortos-vivos da política. São figuras que já deveriam ter sido sepultadas pela própria história, mas insistem em retornar para desempenhar papéis convenientes. Hoje, atuam como moleques de recado do governo Lula e do STF, ajudando a maquiar um projeto que nada mais é do que anistia seletiva: uma tentativa de aliviar pressões, conter tensões sociais e dar sobrevida a setores que participaram de atos supostamente antidemocráticos, sem arcar com o peso integral da lei.
Com Temer, o trio não poderia ser melhor. O galinheiro nacional agradece a essas raposas.
Salvadores de araque
A ironia é que esses dois personagens, marcados por suspeitas e investigações, agora se apresentam como salvadores da democracia. Vendem a ideia de que a anistia restrita é um gesto de equilíbrio e de pacificação nacional. Na prática, o que fazem é defender uma engenharia política que serve a muitos interesses: ao governo, que quer diminuir a tensão política; ao STF, que busca aliviar o acúmulo de processos; e, claro, a eles próprios, que ganham nova sobrevida na vitrine do poder.
O resultado é um espetáculo de cinismo: homens que simbolizam os vícios da política brasileira se projetam como arautos de uma “saída responsável” para a crise, enquanto a democracia corre o risco de ser sequestrada por uma narrativa construída à base de conveniências.
Aécio e a propina de Joesley: vídeo















