O crítico musical e roqueiro Régis Tadeu publicou um vídeo contundente nas redes sociais dele, criticando pesadamente o apresentador da TV Globo, Luciano Huck, que declarou ser “refém” da violência no Rio de Janeiro. Régis reagiu com ironia à declaração do apresentador — milionário, morador de uma mansão no Joá, uma das áreas mais nobres do Rio, com muros altos, câmeras 360 graus, segurança privada e carros blindados.
“Meu amigo, o cara mora no alto do Joá, numa fortaleza. Esse sujeito disse que é refém da violência do Rio?”, dispara Régis. “Acorda com vista para o mar e diz que está igual ao morador do Alemão?”. Régis reforça o contraste entre a realidade de Huck e a vida de quem mora em comunidades dominadas pelo tráfico:
“O homem acorda todo dia com vista para o mar, para a Pedra da Gávea, toma café com pão de queijo importado… e se acha no mesmo bairro que o morador do Morro da Penha ou do Alemão, que mal consegue dormir com tiros e pancadões.”
“Ele teve a coragem de dizer que é refém do modelo de segurança pública”, continua Régis. E completa: “Vai dar uma refrescada na sua piscina de borda infinita e para de falar besteira.”
Dramalhão televisivo
Segundo Régis, o programa de Huck explorou a morte de mais de 120 pessoas numa operação policial no Complexo da Penha e do Alemão, apresentando o episódio como uma tragédia humana profunda: “Ele soltou a pérola: ‘121 mães enterraram seus filhos’. Uma dramatização shakespeariana de araque. Lagriminhas de crocodilo pingando na tela.”
Régis critica o que considera a visão simplista da elite artística sobre violência urbana: “Repete aquele mantra sagrado dos artistas: violência gera violência. Como se resolver fosse questão de hashtag, roupinhas e roda de conversa em mansões.”
Régis argumenta que os morros são dominados por facções criminosas com poder de guerra: fuzis AK-47, granadas, drones que lançam explosivos, controle territorial total. E conclui: “Tudo isso vira pano de fundo poético para o discursinho pronto do Huck: ‘gerar oportunidades, mostrar outros futuros’. Lindo. Poético. Vazio.”
“Huck só entra na favela com autorização do tráfico”
Régis lembra aparições do apresentador em comunidades para gravações: “Luciano Huck só entrou na favela para gravar porque estava cercado por seguranças da Globo e autorizado pelo comando do tráfico.” Segundo ele, em algumas ocasiões traficantes teriam sido coadjuvantes do programa:
“Ele sai dali como Salvador da Pátria. Sem sujar o tênis, sem cheiro de pólvora.” Enquanto isso, quem vive nas comunidades — a maioria da população — é que está realmente “refém”: “Refém do toque de recolher, refém da bala perdida, refém da cobrança de impostos do tráfico”, afirma Régis Tadeu.
E as mães dos inocentes?
Régis diz entender o sofrimento das mães de traficantes mortos, mas pergunta: “E as mães dos inocentes que morrem por causa desses traficantes? E as viúvas dos policiais? Cadê o especial de domingo para elas?”
Ele critica o que vê como postura seletiva da Globo: “Quando o Estado age, o vilão é sempre o policial. Nunca o narcotráfico.” Régis afirma que o poder bélico das facções é ignorado pela elite cultural do país: “Drones jogando bombas do alto. Tecnologia de guerra nas mãos de criminosos.”
E dispara contra a narrativa de “direitos humanos seletivos”: “Para os globais, o problema são as operações policiais. Não o narcotráfico armado até os dentes.”
Sem lei e ordem não existe futuro
Para Régis, sem retomada do território pelo Estado, nada muda: “O povo das favelas que não é do crime — a maioria — vive entre duas mortes: a do tráfico e a da polícia.” E conclui: “Futuro começa com lei e ordem. Sem tráfico, não adianta ONG, hashtag, discurso motivacional.” O crítico resume: “O bandido ri da cara de quem acha que diálogo resolve tiro de fuzil.”
No encerramento, Régis é direto: “Luciano Huck, continue lacrando no seu mundo de blindagem. E torça para que a polícia não desista. Porque se desistir, o caos chega até a sua montanhinha global.” E lança a pergunta: “Quem tem razão? O Luciano Huck ou o Tio Régis indignado com essas bravatinhas?”
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