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Um homem está sendo investigado pela Polícia Civil após ser flagrado agredindo a própria filha, de apenas 3 anos, com um chute em via pública, em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. O caso, registrado por câmeras de segurança, ganhou repercussão nacional e mobilizou autoridades responsáveis pela proteção da criança.
O empresário José Fernandes, proprietário de uma academia localizada próximo ao local da agressão, testemunhou a cena e contou que decidiu intervir imediatamente ao perceber o que havia acontecido.
Segundo ele, tudo ocorreu de forma inesperada. “Quando olhei para trás, ele deu o chute nela”, relatou. As imagens mostram o pai caminhando com a menina e outro filho, de 5 anos. Em determinado momento, o homem para e desfere um chute contra a criança, que cai no chão.
Após presenciar a agressão, José deixou o estabelecimento e foi em direção à vítima. Ele afirmou que agiu por instinto, motivado pela preocupação com o estado da menina, que aparentava estar machucada.
“Ela estava muito nervosa e parecia estar com o nariz sangrando. Minha preocupação era proteger aquela criança”, afirmou o empresário em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.
José também explicou por que preferiu não reagir com violência contra o agressor. Segundo ele, qualquer confronto físico poderia causar ainda mais trauma à menina, que já havia acabado de sofrer a agressão.
Pai confessou agressão durante depoimento
De acordo com a Polícia Civil, o pai compareceu espontaneamente à delegacia nesta quarta-feira (8), onde admitiu ter chutado a filha porque ela estava chorando. Durante o depoimento, ele demonstrou arrependimento e chorou ao prestar esclarecimentos.
O delegado Anderson Andrei informou que foi instaurado um inquérito policial e que o homem responderá pelo crime de lesão corporal. Como a ocorrência só chegou ao conhecimento da polícia dois dias após os fatos, não havia mais situação de flagrante, o que impediu a prisão imediata.
Mãe descobriu agressão pelas redes sociais
Segundo as investigações, a mãe da criança só tomou conhecimento da violência após assistir às imagens que circulavam nas redes sociais. Em seguida, ela procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência.
Além da investigação criminal, foram solicitadas medidas protetivas em favor da menina, do irmão e da mãe. O Conselho Tutelar acompanha o caso e monitora a situação da família para garantir a segurança das crianças.
Violência contra crianças ainda preocupa especialistas
O episódio reacende o debate sobre a violência infantil no Brasil. Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, revelou que 29% dos cuidadores entrevistados admitiram utilizar práticas violentas, como palmadas, beliscões e outras agressões físicas contra crianças de até 3 anos.
O levantamento também mostra que 58% dos responsáveis afirmam recorrer ao castigo como forma de disciplina, enquanto 43% disseram utilizar gritos e broncas para corrigir o comportamento dos filhos.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Paraná, que apura todas as circunstâncias da agressão e acompanha as medidas de proteção adotadas para preservar a integridade das crianças envolvidas.
Com informações G1















