A morte chegou cedo, silenciosa, e encontrou um homem esperando por cuidados médicos. O paciente do município de Tailândia faleceu na manhã desta terça-feira (2), na porta da Policlínica Especializada do Pará, no bairro do Marco, em Belém — sem sequer ter cruzado a recepção, sem ser atendido, sem um gesto de acolhimento.
Ele havia chegado em um veículo do TFD (Tratamento Fora de Domicílio) para uma consulta, após viajar 257 km até a capital. Como milhares de pacientes que madrugam em busca de atendimento, ficou do lado de fora, aguardando a unidade abrir as portas.
Ali, na fila gelada da manhã, sentiu o corpo falhar. Passou mal. E ali mesmo, diante de testemunhas impotentes, morreu.
Relatos de quem estava no local descrevem uma cena que chocou a todos: enquanto esperava por atendimento especializado, o paciente caiu e não levantou mais. A Policlínica, por ser apenas ambulatorial, não prestou qualquer atendimento emergencial. Pessoas na fila se revoltaram, clamando, em vão, por socorro imediato.
Quando a equipe do Samu finalmente chegou, nada mais havia a fazer. O homem — ainda não identificado — já estava sem vida. A Polícia Militar foi chamada e orientou a esposa da vítima a registrar o caso na delegacia do bairro. O Instituto Médico Legal (IML) recolheu o corpo.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), por meio da Policlínica Metropolitana, afirmou que o paciente “sofreu um mal súbito em frente à unidade por volta das 6h, antes da abertura do serviço ambulatorial e de diagnóstico”. Disse ainda que o Samu foi acionado imediatamente, mas o paciente, que fazia tratamento na própria unidade e era de Tailândia, não resistiu. “A Sespa lamenta profundamente o ocorrido e manifesta solidariedade à família”, concluiu.
Ficou na calçada a marca da tragédia: um cidadão que buscava saúde, mas encontrou a morte antes mesmo de ser atendido. Uma cena que escancara, mais uma vez, a vulnerabilidade de quem depende do sistema público e coloca em debate a ausência de estrutura mínima para lidar com emergências na porta de unidades que recebem diariamente pacientes frágeis, doentes e exaustos.















