Uma mulher de 37 anos foi presa em Joinville, Santa Catarina, após se passar por uma adolescente de 12 anos e viver durante mais de um ano como filha adotiva de uma família da cidade. Segundo a Polícia Civil, a suspeita criou uma história falsa de abandono e maus-tratos para conquistar a confiança das vítimas e obter benefícios materiais e emocionais.
De acordo com as investigações, a mulher procurou uma igreja local no início de 2025 alegando ter fugido do Pará após sofrer violência e abusos. Sensibilizados com o relato, membros da comunidade religiosa passaram a ajudá-la financeiramente e buscaram um local para que ela pudesse morar.
Foi nesse contexto que uma família de boa condição financeira decidiu acolhê-la. Durante cerca de 14 meses, a suspeita viveu como integrante da casa, recebendo cuidados, presentes e tratamento semelhante ao destinado a uma filha.
Polícia diz que suspeita manipulou emocionalmente as vítimas
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a mulher conseguiu criar uma forte ligação emocional com a família e com a comunidade religiosa.
“Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Recebia tudo o que precisava e tinha acesso a uma vida confortável, com todo o suporte oferecido pelos pais adotivos”, afirmou o investigador.
Durante o período em que permaneceu na residência, a suspeita utilizava o nome falso de Gabriele e chegou a ganhar uma festa de aniversário de 12 anos, além de receber presentes, medicamentos e um quarto decorado com itens infantis.
Farsa foi descoberta após pesquisa na internet
A fraude começou a ser desmascarada quando uma parente da família passou a desconfiar da história contada pela mulher. Após realizar pesquisas na internet, ela descobriu registros de golpes semelhantes aplicados pela suspeita em outros estados brasileiros.
A partir da denúncia, a Polícia Civil confirmou que a mulher já possuía histórico de estelionato utilizando o mesmo método: assumir identidades falsas e se passar por adolescente para conquistar a confiança de famílias.
Segundo os investigadores, em cada local ela utilizava nomes diferentes e adaptava sua história para comover as vítimas.
Golpista fingia ser autista para sustentar personagem
Para justificar sua aparência adulta, a mulher alegava falsamente possuir autismo e outras condições de saúde. Ela também afirmava que características físicas incompatíveis com sua suposta idade eram resultado do uso forçado de hormônios durante a infância.
As investigações apontaram ainda que a suspeita adotava comportamentos infantilizados para reforçar o personagem. Entre eles, o uso de mamadeiras, chupetas e objetos de apego para dormir.
Além disso, conforme a polícia, ela simulava crises de pânico, afinava a voz e demonstrava comportamentos de dependência emocional para despertar compaixão e atenção constante das pessoas ao redor.
Tentativas de matrícula em escola levantaram suspeitas
Os pais adotivos chegaram a tentar matriculá-la em uma escola, mas a mulher sempre encontrava justificativas para evitar o processo. Segundo a investigação, ela alegava medo de ser encontrada pelo suposto pai biológico e retirada da família que a acolheu.
A Polícia Civil segue apurando se existem outras vítimas da suspeita em diferentes estados. Ela foi presa por estelionato e o caso continua sob investigação.
Com informações de G1















