Um vídeo que circula nas redes sociais desde esta semana mostra uma briga entre duas mulheres no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. As imagens ganharam repercussão e reacenderam a discussão sobre violência e o comportamento de quem presencia esse tipo de situação.
Segundo relatos que acompanham a publicação, uma mulher mais jovem foi até outra, mais velha, para tirar satisfação sobre comentários que teriam sido feitos a respeito de sua filha. A conversa rapidamente se transformou em confronto físico.
Nas imagens, as duas se aproximam e iniciam as agressões. A mulher mais jovem, que foi ao local cobrar explicações, acaba sendo brutalmente agredida e vai ao chão. Ao redor, em vez de tentativas de separar a briga, o que se vê são pessoas com celulares na mão, registrando a cena. Algumas parecem se divertir com a situação.
O vídeo foi compartilhado pelo perfil “Portal Rios” e recebeu dezenas de comentários. Um deles, do usuário andersoncoelho92fm, chamou atenção pela reflexão:
“O que mais me impressiona nessas cenas não é a briga em si, mas a reação de quem está ao redor. Quase todo mundo com o celular na mão, gravando. Há alguns anos, a atitude mais comum seria tentar separar, pedir ajuda ou proteger quem estava envolvido. Hoje, em muitos casos, parece que a prioridade é registrar para postar depois. O mesmo acontece em acidentes: enquanto alguém precisa de socorro, muita gente escolhe filmar. A tecnologia aproximou pessoas, mas, em alguns momentos, parece que estamos perdendo a empatia. Nem toda cena precisa de audiência; algumas precisam de humanidade.”
O comentário resume um fenômeno cada vez mais comum. A violência, que deveria causar repulsa e ação imediata de socorro, vira espetáculo para likes e compartilhamentos.
Essas brigas podem configurar crime de lesão corporal e que a omissão de socorro também é prevista em lei. Além disso, divulgar imagens de violência pode expor vítimas e agravar o trauma.
O caso de Águas Lindas ainda não tem registro oficial na polícia, e não há informações sobre o estado de saúde das envolvidas. A repercussão do vídeo, no entanto, deixa um alerta. Antes de filmar, vale perguntar: nessa situação, o que a pessoa agredida precisava era de uma câmera ou de ajuda?
Veja:















