A morte brutal de um homem que invadiu deliberadamente o recinto da leoa Leona, no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa, neste domingo (30), reacendeu um alerta que deveria ser óbvio, mas ainda é ignorado: locais destinados a animais selvagens não são cenários de aventura — são áreas de risco real, projetadas para proteger vidas humanas e garantir o bem-estar das espécies.
o homem escalou uma parede de mais de seis metros, ultrapassou grades de segurança, subiu em uma árvore e, ao alcançar o espaço do animal, foi fatalmente atacado. Ele morreu em decorrência dos ferimentos provocados pela leoa.
A Polícia Civil da Paraíba e a Seman (Secretaria de Meio Ambiente) investigam as circunstâncias da invasão. Leona, uma leoa de 18 anos, nascida e criada no próprio parque e pesando cerca de 130 kg, vive em um recinto construído dentro das normas técnicas, inclusive acima das exigências de segurança, com borda negativa de 1,5 metro.
Segundo o veterinário Thiago Nery, responsável pelo manejo do zoológico, o ambiente cumpria todos os padrões estabelecidos para impedir acessos indevidos. Mesmo estressada com a invasão, Leona respondeu aos comandos da equipe de tratadores e retornou ao seu espaço sem necessidade de tranquilizantes ou armas de fogo — um indicativo de que o manejo realizado no parque é sólido e responsável.
A insistência humana no risco
A Prefeitura de João Pessoa lamentou o caso e afirmou que, apesar de toda a estrutura de proteção, o homem insistiu na tentativa de entrar no recinto, rompendo barreiras pensadas especificamente para evitar situações como esta. O parque permanecerá fechado enquanto as equipes realizam análises de segurança e auxiliam nas investigações.
O fato, tão triste quanto evitável, reforça uma verdade incontornável: zoológicos e parques mantêm barreiras por um motivo — elas salvam vidas. Ultrapassá-las não é apenas ilegal. É um ato que coloca o indivíduo em risco mortal; traumatiza os animais, que agem por instinto de defesa e não por “maldade”; afeta toda a equipe técnica, que precisa lidar com situações de emergência; pode resultar, em outros contextos, na morte do próprio animal — algo que felizmente não ocorreu neste caso.
A presença de leões, tigres, onças e outros predadores em cativeiro não elimina seu instinto. Eles continuam sendo animais selvagens. E qualquer tentativa de aproximação fora dos protocolos tem altíssimo potencial letal.
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