Quem disse que sala de espera não tem emoção de estádio? O gol da virada da Seleção Brasileira sobre o Japão, nesta segunda-feira, transformou a UPA do Jurunas, em Belém, numa espécie de Mangueirão com soro na veia. No exato momento em que a bola balançou a rede, a tensão deu lugar ao grito de gol.
Pacientes, acompanhantes, enfermeiros e até quem estava com cara de “me interna logo” deixaram o sofrimento de lado por alguns segundos. A comemoração foi geral: teve aplauso, sorriso, gente batendo palma com tala no braço e tudo. Pelos corredores, o eco não era de tosse, era de “é campeão”.
A festa espontânea pegou todo mundo de surpresa. Em tom de resenha, não faltou quem soltasse que “até os doentes ficaram bons” só com a emoção da virada. Teve comentário nos bastidores de que o placar foi mais eficiente que dipirona. Nos grupos de WhatsApp, o diagnóstico foi unânime: “Tá todo mundo bom já… vamos dar alta”, brincou uma internauta.
O episódio provou que, no Brasil, futebol é quase protocolo de atendimento. Por alguns minutos, a UPA trocou o silêncio de hospital pela zoeira de arquibancada. O termômetro baixou, a pressão estabilizou e a felicidade subiu mais rápido que plantão em dia de jogo.
No fim, ninguém levou cartão amarelo por excesso de comemoração. E se depender da torcida da UPA, o próximo jogo já tem receita: telão na sala de espera e gol do Brasil a cada seis horas.















