Ex-ministro de Lula e Dilma afirma que evento “virou vitrine de ONGs internacionais” e aponta ausência total de BRICS e Mercosul na conferência
Em um vídeo divulgado ontem (15), o ex-ministro Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara dos Deputados e um dos nomes mais influentes da política brasileira nas últimas décadas, disparou uma série de ataques contra a Marcha dos Povos e contra o próprio desenho político da COP30, em andamento em Belém. Rebelo, que comandou quatro ministérios nos governos Lula e Dilma — Defesa, Ciência e Tecnologia, Esporte e Articulação Política —, classificou a marcha como “um ato esvaziado, comandado por ONGs internacionais” e afirmou que o evento climático se transformou em “um fiasco político sem precedentes”.
O vídeo, gravado em Belém, viralizou ao longo do fim de semana e traz crítica dura de Rebelo: a de que a Amazônia está sendo usada como “palco para agendas externas”, enquanto sua população continua mergulhada nos mais graves indicadores sociais do país.
Aldo Rebelo não poupou nomes. Ele criticou diretamente duas ministras do governo Lula presentes na marcha: Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
Segundo ele, ambas participam do ato “e depois voltam para o conforto de São Paulo, onde têm domicílio e mandatos”, enquanto a Amazônia permanece entregue “ao seu destino”, ostentando:
as maiores taxas de mortalidade infantil do Brasil,
os piores índices de saneamento básico,
deficiência grave de eletrificação domiciliar,
e desigualdades que só se aprofundam.
Rebelo afirma que, apesar da retórica ambiental, a prática cotidiana de Brasília deixa a região “à míngua”, e que a Marcha dos Povos seria “uma manifestação contra o desenvolvimento da Amazônia”.
“COP esvaziada” e o silêncio ensurdecedor dos BRICS
A crítica do ex-ministro ganha força quando ele aponta para a ausência quase total de lideranças globais na COP30. Rebelo enumera, uma a uma, as ausências que transformaram a conferência em Belém em um evento de “baixa intensidade diplomática”:
O presidente da China não veio — e enviou, segundo ele, “o sub do sub”.
O primeiro-ministro da Índia não apareceu.
Nem o presidente da África do Sul.
Nem Vladimir Putin.
Os presidentes do Uruguai, Paraguai e Argentina tampouco deram as caras.
E o presidente dos EUA, além de ignorar a COP, “não mandou nem o porteiro da Casa Branca”.
Rebelo afirma que a ausência combinada de BRICS e Mercosul revelou o tamanho do esvaziamento diplomático do evento, apesar de Belém ter oferecido “o que tem de melhor em hospitalidade, culinária, arquitetura e história”.
Nem mesmo o coquetel organizado pela Primeira-Dama, segundo o ex-ministro, teve público suficiente.
África reage: “600 milhões sem luz elétrica”
Aldo Rebelo menciona ainda uma crítica vinda do continente africano. Segundo ele, o presidente da Etiópia teria dito, em conferência recente, que os países africanos não podem prestigiar uma agenda ambiental que ignora uma realidade brutal: 600 milhões de africanos vivem sem acesso à energia elétrica.
“Como é que um africano que não come 100 gramas de carne por dia vai boicotar a pecuária?”, questiona Rebelo, fazendo um paralelo com a pauta antipecuária impulsionada por líderes ambientais europeus e por parte das ONGs presentes na COP30.
Crítica aos “índios de vitrine” e ao bloqueio da exploração petrolífera
Outro ponto explosivo do vídeo é a acusação contra o que Rebelo chama de “índios de propaganda” — lideranças indígenas que, segundo ele, não vivem em aldeias e circulam internacionalmente, enquanto a população indígena amazônica real sofre subnutrição e abandono.
Em seguida, ele avança para a crítica geopolítica mais contundente: a proibição de exploração de petróleo no Brasil, sobretudo na foz do Amazonas, enquanto países como Guiana, Inglaterra e Noruega exploram seus campos offshore livremente.
“A Guiana pode tirar petróleo. A Inglaterra pode. A Noruega pode. O Brasil é que está proibido. Essa gente é cínica. Não respeita o povo brasileiro”, afirma.
Culminância: “Essa gente é inimiga do país”
O vídeo termina com um chamado à reação política:
“Essa gente tem que ser enfrentada. Tem que ser combatida. Essa gente é inimiga do país. E essa é a qualificação que merece receber.”
Em um momento de polarização intensa, a fala de Aldo Rebelo tende a alimentar ainda mais o debate sobre soberania, Amazônia, agendas ambientais globais e o papel de ONGs internacionais na formulação de políticas públicas no Brasil.
O VÍDEO EXPLOSIVO DE REBELO















