Gabriel Allan Rodrigues, de Santa Catarina, tem cerca de 1,60 m e voz aguda e afirma que precisa apresentar documentos para provar a idade. Abordagem aconteceu em Jaraguá do Sul e viralizou nas redes sociais.
O caminhoneiro Gabriel Allan Rodrigues, de 20 anos, foi parado pela polícia enquanto dirigia um caminhão em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, após os agentes suspeitarem que uma criança estivesse conduzindo o veículo. O motivo da confusão: a aparência e a voz do jovem, que frequentemente fazem com que ele seja confundido com alguém bem mais novo.
Morador de Jaraguá do Sul e natural de Mafra (SC), Gabriel tem aproximadamente 1,60 metro de altura e uma voz considerada aguda. Segundo ele, pessoas já chegaram a acreditar que ele tinha 10 anos.
“Já me falaram que eu tenho 15, 16. Em casos extremos, falaram que eu tenho até 10 anos”, contou.
A abordagem ocorreu na quinta-feira (20), quando Gabriel dirigia o caminhão por uma via pública da cidade. De acordo com o motorista, os policiais teriam percebido sua aparência e decidido fazer o retorno para acompanhar o veículo.
“Quando eu estava voltando com o caminhão para carregar, a polícia estava vindo de encontro comigo. Ela olhou para mim e eu acredito que eles ficaram desconfiados. Então, eles fizeram a volta e vieram atrás”, relatou.
Os agentes abordaram o caminhão e fizeram perguntas ao motorista. Gabriel apresentou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), comprovando que tinha idade suficiente e estava habilitado para dirigir.
O caso chamou a atenção nas redes sociais e rapidamente viralizou.
Confundido com criança até no trabalho
Segundo Gabriel, a situação não é nova. Antes mesmo de começar a trabalhar como caminhoneiro, ele já enfrentava episódios em que outras pessoas duvidavam de sua idade.
Além de dirigir, o jovem trabalha com entregas, coletas e montagem de paletes. Em algumas situações, sua aparência acaba criando dificuldades para entrar em empresas ou realizar atividades profissionais.
“Às vezes vou entregar a nota em um lugar e o pessoal fala: ‘Olha, infelizmente você não vai poder entrar. O motorista vai ter que entrar sozinho, porque menor de idade não entra aqui. Você vai ter que esperar o motorista’. Daí eu fico pensando: ‘Mas como assim? Eu sou o motorista?'”, contou.
A confusão também já aconteceu em bancos. Gabriel relatou que, ao tentar abrir uma conta, funcionários chegaram a perguntar se ele estava acompanhado dos pais.
“Começaram a conversar comigo com uma voz muito mansa: ‘Você tá sozinho? Você precisa vir com teu pai ou com a tua mãe aqui no banco, não pode vir sozinho'”, disse.
Nos locais de entrega, a situação também se repete. Segundo ele, funcionários chegam a acreditar que Gabriel está acompanhando outro motorista para ajudá-lo.
“Em docas de entrega, dizem para mim: ‘Vai ensinar o motorista e ajudar ele a encostar’. Aí eu tenho que explicar que estou sozinho e que eu sou o motorista.”
Caminhoneiro passou a andar sempre com documentos
Para evitar novos transtornos, Gabriel adotou uma estratégia simples: manter os documentos sempre à mão.
O jovem afirma que costuma carregar a identidade e a CNH no bolso justamente porque precisa comprovar sua idade com frequência.
“Uma coisa que aprendi é andar sempre junto do documento. Identidade, habilitação, estão sempre no bolso, sempre junto comigo”, afirmou.
Apesar dos episódios, Gabriel encara as situações com bom humor. Ele admite que sua aparência pode realmente fazer com que outras pessoas tenham dúvidas sobre sua idade.
“A minha aparência, eu tenho que concordar que dá para enganar bastante. Quando eu falo a minha idade verdadeira, eu acabo me passando por mentiroso”, brincou.
O caminhoneiro também diz não saber explicar por que sua voz permaneceu aguda após a adolescência. Para ele, porém, ser confundido com uma criança já virou parte da rotina.
“Às vezes eu falo e acabo me passando por mentiroso, ninguém acredita em mim. Mas com o documento no bolso, não tem como enganar mais”, concluiu.
Com informações de G1














