Observadores internacionais têm dificuldades em precisar vítimas, e mortos pela repressão podem chegar a 3.000, segundo fontes do governo iraniano
Nos últimos dias, o Irã tem sido palco de uma das repressões mais sangrentas e brutais contra protestos civis em sua história recente. O jornal The New York Times, dentre outras fontes internacionais, relata testemunhos diretos de cidadãos iranianos que afirmam que as forças armadas do regime receberam ordens explícitas para “atirar para matar” manifestantes nas ruas das principais cidades do país.
Tudo começou em 28 de dezembro de 2025, quando manifestações espontâneas — inicialmente motivadas por uma crise econômica devastadora, com inflação recorde e desvalorização do rial — rapidamente evoluíram para um movimento de protesto contra décadas de autoritarismo e teocracia instaurada desde 1979.
Ao contrário do que se poderia esperar em um governo que busca coesão social, as autoridades iranianas reagiram com uma violência sistemática: snipers em telhados, unidades motorizadas abrindo fogo contra multidões, forças especiais disparando contra cabeças, corpos e membros de manifestantes desarmados.
Profissionais da saúde que conseguiram falar com repórteres descrevem situações caóticas em hospitais, com dezenas de feridos por minuto entrando nas salas de emergência — muitos com ferimentos por bala na cabeça, pescoço ou tórax, evidência de que não se trata de dispersão, mas de uma campanha deliberada de homicídio e intimidação.
Uma estratégia de terror institucional
O mais chocante, conforme o The New York Times, é que essa repressão não foi um ato isolado ou resultado de confrontos esporádicos: foi uma política deliberada de intimidação e morte. O regime cortou o acesso à internet e às comunicações móveis para silenciar relatos, cercou hospitais, perseguiu feridos e registrou prisões em massa.
Os relatos descrevem snipers posicionados estrategicamente, atirando em multidões, e forças de segurança movendo-se em motocicletas e veículos armados como em um cenário de guerra, não de controle de ordem pública.
As estimativas de mortos variam de acordo com as fontes:
Um alto funcionário do Ministério da Saúde iraniano disse ao NYT que cerca de 3.000 pessoas morreram nos confrontos — um número que, se confirmado, seria um dos mais altos em décadas de repressão no Irã.
Outras agências independentes sugerem que o número pode ser ainda maior, incluindo relatos que chegam a mais de 12.000 mortos quando se leva em conta fontes médicas e testemunhos internos, apesar do blackout de comunicações.
A ONU e grupos de direitos humanos têm estimativas que, mesmo em seus números mais conservadores, ultrapassam várias centenas a alguns milhares de mortos — um numero terrível para protestos civis.
O regime tenta desviar a culpa, classificando manifestantes como “terroristas” e culpando potências estrangeiras, enquanto pacientes feridos são muitas vezes intimidados ou impedidos de falar com a imprensa.
O significado moral e político da repressão
O que está ocorrendo no Irã não é apenas uma tentativa de restaurar a ordem pública: é uma matança sistemática de civis por um Estado que teme a própria população. Governos que se sustentam pelo medo — e que recorrem à bala para esmagar vozes pacíficas — revelam sua fraqueza moral e política. Quando as ruas ecoam com o grito de “Morte ao ditador”, e o Estado responde com balas, estamos diante não apenas de uma crise comum, mas de uma falência do contrato social entre governantes e governados.
A história moderna está repleta de exemplos em que regimes dependem da violência para sobreviver. Mas a brutalidade com que as forças de segurança iranianas agem contra o próprio povo — atirando para matar, obstruindo ajuda médica e apagando informações do mundo exterior — deveria servir como um alerta para toda comunidade internacional: o autoritarismo não se sustenta com dignidade, apenas com cadáveres.
A repressão no Irã, conforme relatado pelo The New York Times e corroborado por múltiplas fontes independentes, não é um episódio isolado, mas uma escalada aterradora de violência estatal. O uso deliberado de força letal contra cidadãos desarmados, o blackout de informações e a negação oficial da gravidade dos fatos são sinais claros de que este regime escolheu a via do sangue ao invés da via do diálogo.
Esses acontecimentos não são apenas uma tragédia para o povo iraniano — são uma mancha na consciência da humanidade.
IMAGENS, O REGIME AGONIZA















