No Baixo Acará, no Ramal da Fazendinha, Km 32, longe dos holofotes e das promessas oficiais – inclusive da COP 30, na vizinha Belém, onde os donos do mundo que não salvam sequer seus países tentam “salvar” a Amazônia – existe uma história que revela a face mais cruel da pobreza no Pará: o abandono institucional. É ali que vive Michelli Barbosa da Silva, 27 anos, mãe de três crianças, que todos os dias trava uma batalha desigual contra a miséria, o descaso e uma burocracia que parece ter sido criada para negar direitos.
Sua casa — se é que podemos chamar assim — é feita de madeira frágil e chão de terra. Quando chove, a água invade; quando faz sol, o calor sufoca. Mas nenhuma dessas dificuldades se compara à dor maior: a luta por tratamento para sua filha mais nova, Elanny Vitória, 4 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Há quatro anos, Michelli implora por atendimento especializado, encaminhamentos, acompanhamento terapêutico. Quatro anos ouvindo promessas vazias e retornando para casa com as mãos vazias.
“Eu só quero ver minha filha andar”, diz Michelli, entre lágrimas, resumindo em poucas palavras tudo o que o Estado insiste em não enxergar: o direito básico à saúde, previsto na Constituição, ignorado sem pudor.
Cadê a política pública?
Michelli trabalha como serviços gerais em um sítio da região. O que ganha é insuficiente para alimentar os três filhos — Mikaely (12), Eric (7) e Elanny —, muito menos para pagar por um tratamento particular. Sua mãe, dona Teodora, desempregada, tenta ajudar como pode. Mas como se luta contra a omissão de quem deveria proteger?
Enquanto isso, a pequena Elanny espera. Cresce sem terapias, sem acompanhamento adequado, sem a chance real de se desenvolver. Espera porque o Estado não tem pressa quando se trata dos pobres. E a pobreza, no Pará, parece ser sinônimo de invisibilidade.
A comunidade se sensibiliza, ajuda como pode, mas solidariedade não substitui política pública. O que falta não é caridade — é responsabilidade. Falta ação das secretarias municipais, dos órgãos de saúde, da assistência social. Falta humanidade.
Não quer milagre, quer direitos
O Ver-o-Fato denuncia mais uma vez: esta família está sendo deixada para morrer à margem da estrada, na periferia do mapa e das prioridades governamentais.Michelli não pede milagre. Ela pede aquilo que está na Constituição: direito à saúde, dignidade, respeito. Cada dia de espera é um dia a menos de futuro para Elanny.
Autoridades, o recado é simples e urgente: não deixem essa criança crescer esquecida e sem chances. Abandono também é violência — e essa violência já dura tempo demais. Alô, autoridades, mexam-se.
Contato de dona Michelli Barbosa,-91 98570-3127.















