A noite que deveria ser marcada por mobilização e diálogo terminou em violência contra a vereadora e ativista trans Benny Briolly, nesta terça-feira (19), no Plaza Shopping Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Conhecida por sua atuação na defesa dos direitos da população trans, Benny relatou ter sido agredida dentro do centro comercial em um episódio que provocou indignação e preocupação.
Segundo relatos publicados pela própria vereadora nas redes sociais, ela tentou acessar o banheiro feminino do shopping quando foi surpreendida por um homem que a impediu de maneira agressiva. De acordo com as informações divulgadas, a situação saiu do controle rapidamente. O homem teria invadido o espaço e partido para a agressão física, em uma ação marcada por violência e constrangimento.
Benny afirmou que foi empurrada, atingida com spray de pimenta e sofreu impactos que a fizeram bater a cabeça. Ainda segundo sua assessoria, pessoas que estavam no local tentaram intervir durante o ataque. Após a agressão, a vereadora precisou ser socorrida e foi levada de ambulância para o Hospital Estadual Azevedo Lima.
O caso ocorreu poucas horas depois de Benny anunciar a suspensão da Caravana Libera Meu Xixi, ato que vinha sendo organizado para denunciar a transfobia e reivindicar o direito de pessoas trans utilizarem banheiros de acordo com sua identidade de gênero. Conforme relatado pela vereadora, ela e sua equipe receberam mais de 400 ameaças, incluindo mensagens de morte e avisos sobre possíveis ataques armados.
Nas redes sociais, Benny explicou os motivos que levaram à suspensão do ato, mas reafirmou a continuidade da luta pelos direitos da população trans. “Fomos juradas de morte. Tudo por querermos dignidade”, escreveu.
Em outra publicação, ela detalhou o clima de tensão antes do episódio ocorrido no shopping. “Hoje era dia de estarmos juntas, ocupando o espaço público com coragem e dignidade na Caravana Libera Meu Xixi, no Plaza Shopping. Mas infelizmente recebemos diversas ameaças de morte, ameaças de agressão e até relatos de pessoas dizendo que levariam armas de fogo ao local”.
Mesmo após orientar apoiadores a deixarem o espaço, a vereadora decidiu entrar no shopping como um gesto simbólico de resistência. A decisão, porém, acabou sendo seguida por mais um episódio de violência que expõe os riscos enfrentados por pessoas trans no Brasil.















