Um morador de Belém, residente no bairro da Pedreira, enviou uma reclamação ao Ver-o-Fato enfatizando a falta de respeito da gestão da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna para com os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que buscam atendimento naquele hospital da rede pública do Pará.
Segundo ele, os usuários são submetidos pela direção daquela fundação estadual a um calor torturante, enquanto esperam longas horas no salão de entrada para serem atendidos. O pior é que o calor provoca sede e só há um bebedouro velho, com água direta da torneira, disse ele.
O Ver-o-Fato esteve no local e confirmou a falta de respeito dispensada pelo poder público aos usuários do SUS, que na verdade são quem sustentam o sistema com o pagamento de impostos. O contraste é logo notado por quem chega no hospital.
De um lado, centenas de usuários do SUS, idosos, idosas, crianças e pessoas de todas as idades, aglomeradas na entrada do hospital, acomodadas em cadeiras desconfortáveis, que não dão para todos, submetidos a um intenso calor, pois os ventiladores velhos não conseguem ventilar o ambiente.
De outro lado, funcionários, enfermeiros, médicos e estudantes da área de saúde trabalhando em ambiente muito bem refrigerado, com uma boa estrutura de apoio. São servidores atenciosos e competentes, note-se, que têm direito a todo o conforto no ambiente de trabalho para oferecer um atendimento digno aos usuários.
O problema é que não poderia haver diferenciação entre servidores e usuários, pois os direitos são iguais e todos deveriam ser muito bem atendidos e respeitados pelo estado. Um sistema de refrigeração para quem espera na fila não iria arrebentar os cofres do SUS, como fizeram certas quadrilhas que atacaram os cofres públicos recentemente, inclusive no atual governo do estado.
Além do mais, quem paga a despesa é a população, que só é reconhecida e até bajulada em época de eleição e ao menos deveria usufruir de um pouco de conforto. Dinheiro todos sabem que tem, o que falta é gestão competente.
Um escárnio
Enquanto os usuários sofrem no calor e não se arriscam a beber água da torneira, com medo de saírem de lá mais doentes do que quando entraram, do lado de fora do salão há uma máquina de estilo norte-americana que fornece água mineral gelada, refrigerantes gelados, biscoitos e outros tipos de alimentos para quem tiver dinheiro para pagar. Basta botar o dinheiro na máquina e pegar o produto escolhido. Uma incongruência com relação ao ambiente no entorno da tal máquina.
“Isso é um escárnio. Eles não fornecem água tratada para obrigar as pessoas a consumirem a água mineral oferecida na máquina, o que não deixa de ser uma forma de privilegiar a empresa proprietária do negócio”, disse um usuário que estava com sede e sem dinheiro. Outro reclamou que a máquina só aceita notas de 2 e 5 reais e só dá troco em moedas.
Uma terceira pessoa comparou a situação do hospital ao do transporte público de Belém. “Aqui no Pará, tudo que é público não funciona ou não presta. Uma terra dessa com um calor infernal e a gente tem que sofrer nas filas dos hospitais e no transporte público. E ninguém tomo providência.”, completou.
A propaganda oficial diz que a Fundação Estadual Hospital das Clínicas é uma instituição voltada para a assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) nas referências de Psiquiatria, Cardiologia e Nefrologia, criada para assegurar à população soluções no atendimento ambulatorial e hospitalar de média e alta complexidade com excelência e humanismo, assim como contribuir para o ensino e a pesquisa.
O hospital fica localizado na Travessa Alferes Costa, no Bairro da Pedreira.
Um escárnio
















