A sexta-feira (2) começou sob forte movimentação policial em Marabá. Desde as primeiras horas da manhã, uma operação conduzida no âmbito do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), com atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e apoio policial, cumpre mandados de busca e apreensão em diferentes pontos da cidade.
Entre os endereços alcançados pela operação estão, segundo informações obtidas até o momento, a residência do prefeito Toni Cunha (PL) e endereço ligado a Ítalo Ipojucan, secretário municipal de Viação e Obras Públicas (SEVOP) e sogro do prefeito.
A operação também chegou a órgãos da administração pública. Equipes cumprem diligências na Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (SEVOP) e no Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM).
A presença simultânea dos agentes em residências e repartições públicas indica que os investigadores buscam documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam subsidiar a investigação.
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) confirmou, por meio da assessoria de comunicação, a realização de uma operação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) nesta sexta-feira (2), em Marabá, no sudeste do Pará.
Segundo o MPPA, porém, não há informações adicionais que possam ser divulgadas neste momento, porque o procedimento tramita sob sigilo.
Com isso, o órgão não detalhou oficialmente quais são os fatos investigados, quem são os alvos ou quais irregularidades estão sendo apuradas. As informações inicialmente levantadas sobre possíveis irregularidades em contratos municipais, incluindo serviços de iluminação pública e locação de caminhões, ainda não foram detalhadas pelo Ministério Público em razão do sigilo da investigação.
Um detalhe chama particularmente a atenção nos bastidores da operação: o prefeito Toni Cunha é delegado da Polícia Federal de classe especial e já exerceu a chefia da própria Polícia Federal em Marabá.
A operação desta sexta-feira foi cercada por um rigoroso esquema de sigilo. Delegados e demais integrantes da unidade da Polícia Federal em Marabá não teriam sido previamente informados sobre as diligências e, conforme a apuração realizada até o momento, não participam da operação.
Ainda de acordo com fontes, os policiais federais que acompanham a operação do GAECO vieram de Belém, sem participação da equipe lotada na delegacia da Polícia Federal em Marabá.
A estratégia teria permitido que a mobilização permanecesse sob absoluta reserva até o início do cumprimento dos mandados, restringindo ao máximo o número de pessoas com conhecimento prévio das buscas.
A informação ganha relevância justamente pelo histórico profissional do prefeito. Antes de chegar ao comando do Executivo municipal, Toni Cunha construiu carreira como delegado da Polícia Federal e chegou a chefiar a instituição em Marabá.
Nesse contexto, o fato de a unidade local da PF não ter sido previamente envolvida nas diligências evidencia o elevado grau de compartimentação das informações adotado na preparação da operação.
Até o momento, entretanto, não houve manifestação oficial da Polícia Federal detalhando os protocolos utilizados para preservar o sigilo da ação nem confirmando as razões pelas quais a equipe local da PF não teria sido mobilizada.
CONTRATOS NA MIRA
As informações preliminares apontam que uma das linhas de investigação envolve contratações realizadas pela administração municipal, incluindo adesões a atas de registro de preços.
Entre os negócios públicos que vêm despertando questionamentos políticos no município estão contratos relacionados à prestação de serviços, locação de equipamentos e veículos e iluminação pública. A investigação deverá esclarecer se houve irregularidades e, em caso positivo, identificar eventuais responsáveis e a dimensão de possíveis prejuízos aos cofres públicos.
As suspeitas envolvendo contratações municipais já haviam provocado debates e questionamentos no cenário político de Marabá. Vereadores, empresários e representantes da sociedade local vinham cobrando esclarecimentos sobre procedimentos adotados pela administração.
A Câmara Municipal também registrou anteriormente discussões sobre possíveis irregularidades na administração do prefeito Toni Cunha. Isso, contudo, não significa que as suspeitas debatidas politicamente sejam o alvo da operação.
HISTÓRICO
A Polícia Civil prendeu em flagrante na última quarta-feira (30), 11 pessoas ligadas à campanha eleitoral de Lanúzia Cunha (candidata a deputada estadual pelo PL e esposa do prefeito de Marabá, Toni Cunha), de Dr. Felipe (candidato a deputado federal pelo PODEMOS) e do Daniel Santos (candidato ao governo pelo PODEMOS) por suspeita de compra de votos em Parauapebas.
Os principais detalhes apurados e divulgados por veículos locais e pela polícia incluem:
- O local da abordagem: A operação, realizada com o apoio da Polícia Militar, ocorreu em dois imóveis situados na Avenida G, no bairro Cidade Jardim, em Parauapebas. Um dos pontos funcionava como escritório clandestino/ponto de apoio para a distribuição.
- Materiais apreendidos: Foram apreendidos mais de R$ 17 mil em espécie (distribuídos em envelopes), grande quantidade de materiais impressos de propaganda eleitoral (“santinhos”) dos candidatos, planilhas com uma lista detalhada contendo nomes e valores, 12 celulares e uma maquineta de cartão de crédito.
- A confissão: De acordo com a Polícia Civil, durante a averiguação, um dos abordados confessou que estava realizando a distribuição de dinheiro para a compra de votos, e outra pessoa confirmou ter recebido um envelope com valores no local.
- Desdobramentos: Os 11 detidos foram conduzidos para a Seccional de Polícia Civil de Parauapebas para a realização dos procedimentos cabíveis. Um inquérito policial foi instaurado para investigar a extensão do suposto crime eleitoral.
A equipe de reportagem do portal Ver-o-Fato entrou em contato com o prefeito Toni Cunha e não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Com informações do jornalista Carlos Magno













