O Ministério Público Federal no Pará abriu um procedimento emergencial para acompanhar de perto as condições estruturais da ponte sobre o Rio Itacaiúnas, no Km 121 da BR-230, em Marabá — uma das principais ligações rodoviárias do sudeste paraense. O órgão acendeu o alerta após o Dnit informar necessidade de alterar o fluxo de tráfego e diante da circulação de imagens e relatos que apontam para um possível afundamento da estrutura.
Construída no início da década de 2000, segundo o jornal Correio de Carajás, o primeiro da região a identificar problemas na ponte, não é por um mero conserto da junta de dilatação, como já aconteceu no passado. “Desta vez, as rachaduras que se espalham no centro da obra de arte preocupam não apenas a Imprensa, mas também engenheiros, que reconhecem que houve afundamento maior do que o previsto e agora tentam descobrir o que fazer para resolver o problema”, diz o jornal.
O primeiro ato foi retirar da ponte o fluxo de caminhões e deixar apenas veículos de passeio, evitando maior pressão sobre a obra. “Conforme apurado pela equipe, a intervenção tem caráter preventivo e ocorre após a constatação de que a flexão – movimento natural de curvatura da estrutura, avançou para um nível que exige atenção técnica especial.
Em documento assinado pela procuradora da República Isadora Chaves Carvalho, o MPF afirma que a apuração foi iniciada após comunicado oficial do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que desde o dia 19 vem adotando restrições no tráfego para permitir a realização de avaliações técnicas na ponte.
Além do informe do Dnit, o MPF registra que veículos de imprensa locais divulgaram fotografias e vídeos sugerindo deslocamentos incomuns em partes da ponte, levantando suspeitas sobre a estabilidade da estrutura.
Diligências e exigências
Diante da possibilidade de falhas estruturais, o MPF determinou o envio imediato de ofício ao Dnit com três exigências centrais: Identificação da origem e natureza da falha ou indício de risco que levou o órgão federal a iniciar as avaliações técnicas; Descrição das providências em andamento e previsão para a conclusão das medidas emergenciais; Entrega de relatório preliminar com os primeiros resultados das inspeções.
Além disso, o fiscal da lei determinou que, ao término das análises, o Dnit envie um relatório conclusivo informando expressamente se há risco iminente de ruptura da ponte e se existe um plano de contingência para enfrentar eventuais emergências.
Defesa Civil também acionada
Foi requisitado ainda que a Defesa Civil de Marabá informe quais medidas de prevenção estão sendo adotadas e se existe planejamento para situações de risco, especialmente porque a ponte integra rotas fundamentais de acesso hospitalar, abastecimento e deslocamento intermunicipal.
O órgão também quer saber se há coordenação direta com o Dnit para ações emergenciais, caso o nível de restrição aumente ou seja necessária interdição total.
A ponte sobre o Rio Itacaiúnas é um ponto de infraestrutura sensível no sudeste do Pará. Ela absorve intenso tráfego de cargas — incluindo minério, gado e insumos agrícolas — e atua como ligação estratégica entre Marabá, Itupiranga, Novo Repartimento e toda a região da Transamazônica. Qualquer dano estrutural ali tem potencial de produzir impactos imediatos.
Risco de colapso localizado, caso haja perda de sustentação em vigas ou pilares;
Comprometimento do tabuleiro, especialmente com relatos de “afundamento”, que pode indicar recalque, corrosão de elementos metálicos ou sobrecarga repetida;
Interrupção da principal rota de emergência, afetando deslocamentos para hospitais regionais e ações de defesa civil;
Prejuízos econômicos expressivos, já que a BR-230 é via fundamental para o transporte de mercadorias no arco leste amazônico.
Em contextos como esse, a simples mudança no fluxo — como restrição de veículos pesados, tráfego alternado ou redução de velocidade — costuma ser sinal de que as equipes técnicas identificaram algum comportamento estrutural fora dos padrões.
Por isso, o acompanhamento determinado pelo MPF intensifica a pressão por transparência e rapidez nas análises, e, sobretudo, por garantias de que não há risco de ruptura iminente.














