A Polícia Federal prendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua casa, em Brasília, neste sábado (22). Em nota, a PF informou que cumpriu mandado de prisão preventiva solicitado pela própria PF e autorizado pelo Supremo Tribunal Federal.
Viaturas descaracterizadas chegaram à residência do ex-mandatário, localizada em um condomínio do Jardim Botânico. Em seguida, Bolsonaro foi levado à superintendência da PF, onde desembarcou por volta das 06h35.
De acordo com fontes da PF, uma vigília convocada pelo primogênito de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em frente ao condomínio do ex-presidente desencadeou o pedido de prisão preventiva.
Bolsonaro está sendo submetido a exame de corpo de delito no INC (Instituto Nacional de Criminalística) da PF.
O principal motivo alegado pela PF para o pedido de prisão foi a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica detectada pelo setor de monitoramento da tornozeleira do ex-mandatário, embora a decisão do ministro Moraes mencione “outros agravantes”.
Reações em Brasília
É importante ressaltar que esta prisão preventiva não corresponde à execução da pena de 27 anos e três meses de prisão pela qual Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado contra o ex-chefe do Planalto. Essa condenação decorreu de um julgamento da Primeira Turma do STF, que se encerrou em 11 de setembro, onde, por 4 votos a 1, os ministros consideraram que o ex-presidente chefiou uma organização criminosa armada, tentou abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, praticou golpe de Estado e causou danos ao patrimônio da União e tombado.
Além da condenação à prisão, o colegiado do STF ampliou o período de inelegibilidade de Bolsonaro. Ele já se encontrava inelegível desde junho de 2023, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, impedindo-o de disputar eleições até 2030.
Com a nova condenação no STF, o prazo de inelegibilidade foi estendido, com a restrição passando a valer após o término da pena de 27 anos e três meses, projetando seu retorno à disputa eleitoral apenas em 2060, efetivamente afastando-o da política eleitoral por mais de três décadas.
A notícia da prisão gerou uma série de reações veementes entre parlamentares. Nas redes sociais, figuras políticas se pronunciaram de forma crítica. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, publicou uma sequência de posts na rede social X, reiterando a inocência do ex-presidente e protestando contra o que chamou de “Golpe que NUNCA existiu!”. Sóstenes também mencionou uma multa de 22 milhões ao PL e a coincidência da data da prisão, associando-a a um “PSICOPATA!!”.
O deputado federal Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, divulgou um vídeo no Instagram classificando a prisão preventiva como injusta e uma “vingança”, afirmando que: “Aquele que lutou contra o sistema, hoje está sendo refém dele”. A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) também se manifestou, declarando que a prisão de Bolsonaro é “um dos maiores absurdos já cometidos pela ‘justiça brasileira'”. Por sua vez, o ex-vice-presidente da República e senador pelo Rio Grande do Sul, General Hamilton Mourão, afirmou que o ex-presidente “não constitui uma ameaça à ordem pública” e que sua transferência para a PF “mostra claramente que o arbítrio e a perseguição não tem fim”.
A detenção preventiva de Jair Bolsonaro marca um novo e significativo capítulo em sua trajetória pós-presidência, em meio a condenações e a uma inelegibilidade estendida, provocando intenso debate e reações polarizadas no cenário político brasileiro.















