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Home Cultura

Um Palácio de Versalhes em Belém?

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
23/07/2026
in Cultura
Um Palácio de Versalhes em Belém?
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Os governadores do Gram-Pará, em 1759, vinham enfrentando uma situação de insegurança que parecia se prolongar indefinidamente. 

Porque a Casa da Residência reservada para eles, na antiga e estreita Travessa da Vigia, no bairro da Cidade Velha, em Belém, era também o local que lhes servia de palácio.

Onde comandavam o Estado. 

Mas, construída em 1676, a casa estava em ruínas, sob ameaça de desabamento. 

A partir de 1716, sucessivamente, três autoridades exerceram o cargo de governador do Estado, a partir 1716, preocupados com aquela situação melindrosa.

Eles a levaram ao conhecimento da corte portuguesa.

E a situação se manteve, intranquilizando-os.

Até que no dia 13 de agosto de 1759, um novo governador, Bernardo de Melo e Castro, avisou a metrópole que as paredes da casa tinham desabado. 

E que ele havia tomado a decisão de iniciar as obras de um prédio que fosse adequado para o abrigo e para o trabalho da maior autoridade do Gram-Pará.

Mesmo sem ter tido prévia autorização da corte.

Na carta, ele invocou, como confirmação da necessidade urgente de sua iniciativa, um parecer de Antonio Giuseppe Landi.

Acrescentando que havia encomendado ao arquiteto a planta de construção de um palácio, cuja cópia anexou à carta.

Àquela altura, Landi já era tratado com respeito na corte porque havia conquistado a confiança do antigo governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, meio-irmão do Marquês de Pombal, poderoso Secretário de Estado do Reino de Portugal.

Dois trechos da carta de Melo e Castro chamam a atenção.

O primeiro é aquele no qual o Governador descreve o palácioencomendado. 

Ele deveria ser “decente e sem  superfluidade” , recomendou o governador. 

Ao impor tais características à obra a ser realizada, Melo e Castro certamente estava sendo movido, menos por limitação de recursos disponíveis, e, mais pela necessidade de demonstrar a seriedade de suas intenções. 

Na determinação dada a Landi de evitar “superfluidade” deveria estar embutido o seguinte raciocínio: já que a obra ia ser iniciada sem autorização do rei que, pelo menos, ela pudesse ser justificada como imprescindível. 

Esta conjectura sobre a intenção do Governador surge espontaneamente da observação de que, após a obtenção da autorização do rei, a preocupação em evitar “superfluidades” desapareceu. 

O outro trecho da carta que merece ser observado é o que trata do financiamento da construção do imóvel. 

Melo e Castro tenta tranquilizar, na carta, o rei dizendo que o Estado do Gram-Pará arcaria com os prejuízos, no caso de sua iniciativa não obter aprovação da corte.

Em seguida, ele revela a origem dos recursos que pretendia usa para enfrentar as despesas com a construção do palácio.

“O dinheiro que se acha depositado no produto dos bois, que se cortam no Açougue do Currais, que ficaram por administração e foram dos religiosos da Companhia de Jesus, cujo depósito não tinham aplicação alguma”. 

Quer dizer, naquele momento um dos bens desapropriados da congregação religiosa mais favorecida, no passado, com o controle da economia da região, estava servindo para garantir o começo da construção do imóvel onde se acomodariam os representantes do grupo político que a tinha expulso do Gram-Pará.

Depois de os jesuítas terem levantado o primeiro conjunto arquitetônico monumental de Belém, o de Santo Alexandre.

A iniciativa de Melo e Castro tornou, assim, fatos irreversíveis tanto a demolição da antiga Casa da Residência, como o início da edificação de um palácio.

Seus alicerces ele já tinha mandado construir.

Mas, nem com isto, Melo e Castro conseguiu pressionar a corte para que fosse dada, logo, uma solução para a falta de moradia adequada para o Governador do Estado. 

Pois, a autorização oficial para a construção do novo prédio só chegou ao Gram-Pará, dois anos depois, quando Melo e Castro já tinha deixado o governo. 

Seu sucessor, o capitão general Fernando da Costa de Athayde e Teive, obteve a autorização, sem ter tido o inevitável desgaste sofrido por Melo e Castro, devido à ousadia de sua iniciativa.

Por isto, se sentiu à vontade para prosseguir com as obras, livre das limitações que seu antecessor havia imposto a si próprio. 

Landi fez três projetos para o palácio

Athayde e Teive dispôs de meios para bancar uma obra mais ambiciosa graças ao fortalecimento da economia do Estado.

E, não sentiu necessidade de se preocupar em manter na planta do palácio a abdicação às “superfluidades”. 

Ele deixou isto claro nas determinações que estabeleceu para aquelas obras. 

Ele definiu que iria “construir o palácio, cujos alicerces estavam, em parte, principiados de ordem de meu predecessor”. 

Logo adiante, mostrou que planejava fazer algo muito maior do que fora cogitado por Melo e Castro. 

Acrescentou:

“Mas como nos planos de Antônio José Landi notasse precisão de alguns aditamentos, recomendei-lhe novo projeto de um edifício bem arquitetado e suficientemente vasto para que fique uma morada congruente à dignidade e decoro dos Governadores e Capitães Generais.

Porque eles, revestidos dos grandes predicados de distinção, poder e autoridade, que o seu eminente cargo lhes confere, são, na capitania, os subdelegados ou representantes do reinante”.

Landi seguiu as orientações de Athayde e Teive, pois, ele assumiu o papel de grande mecena daquela obra.

Nada menos que três projetos foram preparados pelo arquiteto.

Um, em 1759, outro, em 1761, e, finalmente, o que foi executado, sobre direção do mestre pedreiro Jerônimo da Silva, em 1768.

Os projetos, depois de reunidos em dois álbuns, foram oferecidos ao rei dom José I, e, a Athayde e Teive, por ter impulsionado a construção do palácio, no período de exercício do seu cargo, de 1763 a 1772.

Foi desta maneira que Landi veio a acumular, com as suas responsabilidades na construção do palácio, considerada como a sua principal obra, e, sua obra-prima por Germain Bazin, festejado autor de “L’Architecture religieuse baroque au Brésil”, as responsabilidade da construção da Igreja de Santana, iniciada no ano anterior.

Isto, depois de oito anos de permanência no Gram-Pará, um período em grande parte passado por ele na desconfortável realidade do interior do Estado.

Durante o qual chegou a ser tratado pelo governo portugues como técnico de qualificação apenas média.

E, pior, como suspeito de ambicionar enriquecer a qualquer custo. 

O palácio foi inteiramente construído em pedra e cal, na gestão de Athayde e Teive.

Portanto, no tempo, relativamente curto, de quatro anos.

No livro, de 1838, de Antônio Baena, “Compêndio das Eras da Província do Pará”, encontra-se uma das suas mais antigas descrições. 

Diz Baena ter havido “gosto e certa elegância” na arquitetura do edifício, que “não se acha em contiguidade com algum outro”. 

Baena critica, no entanto, a distribuição interna dos compartimentos, na qual, segundo afirma, perdeu-se a noção de comodidade porque “foi regulada pelo governador” Teive. 

O prédio, diz ele, “é de três pavimentos, tem espaçoso átrio (área central para a circulação de pessoas) e mediano jardim”. 

Ele prossegue:

“No primeiro pavimento estão a capela, diversas casas (compartimentos), cozinha, cocheira e cavalariça. 

No segundo, onze grandes salas, oito aposentos e um salão”. 

Ele finaliza:

“O terceiro é uma só casa que ocupa o seu centro.

E, a parte oposta é toda uma varanda, somente descoberta nas extremidades, de cujo centro se desce para o jardim por duas escadas de ladrilho”.

Informa José Ubiratan Rosário, na obra “Amazônia, processo civilizatório. Apogeu do Grão-Pará”, que, no ano da conclusão do palácio, 1771, a produção do cacau na região atingiu 55% do total do valor de suas exportações. 

Ele acrescenta:

“A arquitetura de Landi, pela postura e pela altivez, refletia essa era de fartura”.

O governador Athayde e Teive não teve dificuldade de encontrar recursos para deixar o palácio alfaiado (guarnecido) do preciso para o seu serviço e adorno (mobiliado e decorado)”, escreveu Baena.

Os palácios de Versalhes e de Belém

O palácio ficou inteiramente preparado para acolher os futuros governadores do Estado.

Mas não foi, no entanto, ocupado por Athayde Teive.

Num gesto de elegância e despreendimento, ele preferiu deixar a honra de ser o seu primeiro ocupante oficial o fidalgo que o sucedeu, João Pereira Caldas. 

Foi Caldas o governante que, depois de assumir o comando do Gram-Pará, se viu impedido de executar o plano de urbanização de Belém elaborado por Gaspar João Geraldo de Gronsfeld. 

O talentoso engenheiro alemão, companheiro de Landi, na Comissão de Demarcações de Limites portugues, havia proposto no seu plano aquele que ainda é considerado o melhor tratamento das áreas alagadas de Belém. 

Mas, ele foi recusado por Lisboa.

No entanto, coube a Caldar mandar sanear os terrenos alagados em frente do palácio. 

Ele ordenou que fossem realizadas obras de terraplanagem, assim comoas de construção, naquela área, de um canal subterrâneo para vazão das águas do imenso Alagado do Piri.

O Palácio dos Governadores do Estado do Gram-Pará veio a surgir com atraso, em relação aos prédios monumentais construídos, com a sua mesma destinação, em outros estados brasileiros, a partir dos meados do século anterior.

Mas, o Palácio dos Governadores estava, todavia, destinado a se tornar, como diz um pesquisador da arquitetura colonial brasileira, o professor do Colégio de Arte da Universidade da Pennsilvânia, Robert Smith, “o de maior proeminência no Brasil setecentista”. 

Superou em tamanho, segundo o pesquisador, até mesmo os palácios de Salvador e do Rio de Janeiro. 

Arthur Cézar Ferreira Reis, no livro “Síntese da História do Pará”, diz que, naquela sua obra, Landi deixou o “risco seguro, impressionante” com o qual construiu em Belém verdadeiras obras de arte. 

O estilo arquitetônico do palácio era “elegante e purista”, para Bazin. 

Já para Leandro Tocantins, em “Santa Maria de Belém do Grão-Pará”, no palácio, se manifestaram as duas tendências presentes nos trabalhos de Landi: 

“O italianismo de temas neo-paladianos, combinados com modalidades portuguesas”. 

Como aconteceria com a Igreja de Santana, modificações introduzidas mais tarde no prédio do palácio descaracterizariam, em parte, o trabalho original de Landi. 

Tais alterações, num certo momento, fizeram desaparecer a capela e o jardim que Landi construíra no primeiro pavimento do prédio. 

A capela tinha uma importância histórica particular, porque foi dela que saiu a primeira procissão do Círio de Nazaré, no futuro, transformada na maior manifestação de fé religiosa do país.

No entanto, na Biblioteca Nacional de Lisboa tinham sido guardados os 27 esboços originais de Landi. 

O que permitiu que, nos anos de 1970, aquelas alterações fosse anuladas. 

Graças aos esforços do incansável engenheiro pesquisador Augusto Meira Filho. 

O palácio, então, readquiriu sua imponência originial, levando José Ubiratan do Rosário, a classificá-lo de “uma espécie de Versalhes amazônico do tempo do cacau”.

O pesquisador terá exagerado?

Afinal, quase nenhuma obra de arquitetura do gênero, no mundo, pode ser comparada com o Palácio de Versalhes.

Seus números impressionantes são insuperáveis: 2.300 cômodos, 2.153 janelas, 60 mil obras de arte, uma área de 800 hectares, com jardins, parques e lagos.

Mas, esta grandiosidade não impediu que o Palácio dos Governadores do Gram-Pará seja reconhecido pela respeitada pesquisadora portuguesa Isabel Mayer Godinho Mendonça, no site Patrimônio de Influência Portuguesa, mantido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelas universidade de Lisboa, Coimbra, e Évora, como o maior edifício, com suas funções, construído pelos portugueses, em território brasileiro.

Atualmente, no Palácio dos Governadores, está instalado o Museu do Estado do Pará.

(Ilustração: Altar da capela do palácio de Belém, desenhado por Landi) 

A Versailles Palace in Belém?

In 1759, the governors of Grão-Pará were facing a situation of insecurity that seemed destined to continue indefinitely.

The Casa da Residência reserved for them, located on the old and narrow Travessa da Vigia, in the Cidade Velha neighborhood of Belém, also served as their palace.

It was from there that they governed the State.

However, the house, built in 1676, had fallen into ruins and was under threat of collapse.

Beginning in 1716, three successive authorities who held the office of governor became concerned about this delicate situation.

They brought the matter to the attention of the Portuguese court.

Yet the problem persisted, causing them constant unease.

Then, on August 13, 1759, a new governor, Bernardo de Melo e Castro, informed the metropolis that the walls of the house had collapsed.

He also reported that he had decided to begin construction of a building suitable both for the residence and for the work of the highest authority in Grão-Pará.

He took this decision even though he had not yet received prior authorization from the court.

In his letter, he invoked, as proof of the urgent necessity of his initiative, an opinion issued by Antonio Giuseppe Landi.

He added that he had commissioned the architect to prepare the plans for the construction of a palace, a copy of which he attached to the letter.

By that time, Landi was already regarded with respect at court, having earned the confidence of the former governor Francisco Xavier de Mendonça Furtado, the half-brother of the Marquis of Pombal, the powerful Secretary of State of the Kingdom of Portugal.

Two passages of Melo e Castro’s letter are particularly noteworthy.

The first is the one in which the governor describes the palace he had commissioned.

It was to be “decent and without superfluity,” the governor recommended.

In imposing such characteristics on the project, Melo e Castro was probably motivated less by a lack of available resources than by the need to demonstrate the seriousness of his intentions.

His instruction to Landi to avoid “superfluity” seems to have contained the following reasoning: since the work was being initiated without the king’s authorization, it should at least be defensible as absolutely indispensable.

This interpretation of the governor’s intentions arises naturally from the observation that, once royal authorization had been obtained, the concern with avoiding “superfluities” disappeared.

The other passage of the letter that deserves attention concerns the financing of the building.

Melo e Castro sought to reassure the king by stating that the State of Grão-Pará would bear any losses should his initiative fail to receive the court’s approval.

He then revealed the source of the funds he intended to use to cover the expenses of constructing the palace:

“The money deposited from the proceeds of the cattle slaughtered at the Currais slaughterhouse, which remained under administration and had belonged to the religious order of the Society of Jesus, a deposit that had no application whatsoever.”

In other words, at that moment, one of the assets confiscated from the religious congregation that had once been the principal beneficiary of the region’s economic control was being used to guarantee the beginning of the construction of the building that would house the representatives of the political group that had expelled it from Grão-Pará.

This occurred after the Jesuits had erected Belém’s first monumental architectural complex, Santo Alexandre.

Melo e Castro’s initiative thus made both the demolition of the old Casa da Residência and the beginning of the construction of a palace irreversible facts.

He had already ordered the laying of its foundations.

Even so, Melo e Castro was unable to pressure the court into providing an immediate solution to the lack of suitable housing for the governor of the State.

Official authorization for the construction of the new building reached Grão-Pará only two years later, by which time Melo e Castro had already left office.

His successor, Captain-General Fernando da Costa de Athayde e Teive, received the authorization without having undergone the inevitable political wear suffered by Melo e Castro because of the boldness of his initiative.

For that reason, he felt free to continue the works, no longer constrained by the limitations that his predecessor had imposed upon himself.

Landi Produced Three Designs for the Palace

Athayde e Teive had the financial means to support a more ambitious project thanks to the strengthening of the State’s economy.

Nor did he feel any need to preserve, in the palace plans, the earlier commitment to avoiding “superfluities.”

He made this clear in the instructions he established for the construction.

He declared that he would “build the palace, whose foundations had already been partially laid by order of my predecessor.”

Shortly afterward, he made it evident that he intended to undertake something far grander than what Melo e Castro had originally envisioned.

He added:

“But, having observed that Antônio José Landi’s plans required certain additions, I instructed him to prepare a new design for a well-conceived building, sufficiently spacious to provide a residence befitting the dignity and decorum of the Governors and Captain-Generals.

For they, invested with the great distinctions, power, and authority conferred upon them by their eminent office, are, within the captaincy, the deputies or representatives of the reigning monarch.”

Landi followed Athayde e Teive’s instructions, as the governor assumed the role of the great patron of the project.

No fewer than three designs were prepared by the architect.

The first dates from 1759, the second from 1761, and the third—the one ultimately executed under the supervision of master mason Jerônimo da Silva—from 1768.

Afterward, the drawings were assembled into two albums and presented to King José I and to Athayde e Teive, in recognition of the latter’s decisive role in advancing the construction of the palace during his administration, from 1763 to 1772.

It was in this way that Landi came to combine responsibility for the construction of the palace—regarded as his greatest work and described by Germain Bazin, the celebrated author of L’Architecture religieuse baroque au Brésil, as his masterpiece—with responsibility for building the Church of Santana, whose construction had begun the previous year.

This came after eight years in Grão-Pará, a period during which he had spent much of his time in the often uncomfortable conditions of the State’s interior.

During those years, the Portuguese government regarded him as little more than a technician of only moderate qualifications.

Worse still, he was viewed with suspicion, as someone supposedly eager to enrich himself at any cost.

The palace was built entirely of masonry—stone and lime mortar—during the administration of Athayde e Teive.

The entire construction was completed within the relatively short span of four years.

One of the earliest descriptions of the building appears in Antônio Baena’s 1838 work, Compêndio das Eras da Província do Pará(Compendium of the Eras of the Province of Pará).

According to Baena, the building displayed “taste and a certain elegance” in its architecture and “stood detached from any adjoining structure.”

He nevertheless criticized the internal layout of its rooms, claiming that convenience had been sacrificed because “it was regulated by Governor Teive.”

The building, he wrote, “has three stories, a spacious atrium (the central circulation area), and a modest garden.”

He continued:

“On the first floor are the chapel, several rooms, the kitchen, the coach house, and the stables.

On the second floor are eleven large halls, eight private chambers, and a grand salon.”

He concluded:

“The third floor consists of a single room occupying its center.

The opposite side is entirely formed by a veranda, open only at its ends, from the middle of which two tiled stairways descend into the garden.”

In Amazônia, Processo Civilizatório: Apogeu do Grão-Pará (Amazonia: The Civilizing Process – The Apex of Grão-Pará), José Ubiratan Rosário notes that, in 1771—the year the palace was completed—cocoa production accounted for 55 percent of the total value of the region’s exports.

He adds:

“Landi’s architecture, through its bearing and grandeur, reflected that era of prosperity.”

Governor Athayde e Teive encountered no difficulty in obtaining the resources needed to have the palace “fully equipped for its functions and ornamentation”—that is, completely furnished and decorated—Baena wrote.

The Palaces of Versailles and Belém

The palace was fully prepared to receive the future governors of the State.

Yet Athayde e Teive never occupied it.

In a gesture of generosity and refinement, he chose to leave the honor of becoming its first official resident to the nobleman who succeeded him, João Pereira Caldas.

It was Caldas who, after assuming the government of Grão-Pará, found himself unable to carry out the urban development plan for Belém designed by Gaspar João Geraldo de Gronsfeld.

The talented German engineer, who had worked alongside Antonio Giuseppe Landi on the Portuguese Boundary Demarcation Commission, had proposed in his plan what is still regarded as the finest solution ever conceived for the treatment of Belém’s flood-prone areas.

His proposal, however, was rejected by Lisbon.

Even so, Caldas was responsible for ordering the drainage of the marshlands in front of the palace.

He instructed that earthworks be carried out, together with the construction of an underground canal to drain the waters of the vast Piri Marsh.

The Governors’ Palace of the State of Grão-Pará was built later than the monumental government buildings erected for the same purpose in other Brazilian states from the middle of the previous century onward.

Nevertheless, the Governors’ Palace was destined to become, in the words of Robert Smith, professor at the College of Fine Arts of the University of Pennsylvania and a distinguished scholar of Brazilian colonial architecture, “the most prominent [government palace] in eighteenth-century Brazil.”

According to Smith, it surpassed even the government palaces of Salvador and Rio de Janeiro in size.

In his book Síntese da História do Pará (A Synopsis of the History of Pará), Arthur Cézar Ferreira Reis wrote that, in this work, Landi displayed the “confident and impressive design” through which he created true works of art in Belém.

For Germain Bazin, the palace’s architectural style was “elegant and purist.”

For Leandro Tocantins, in Santa Maria de Belém do Grão-Pará, the palace revealed the two principal tendencies that characterized Landi’s architecture:

“Italianism inspired by Neo-Palladian themes, combined with Portuguese architectural forms.”

As would later happen to the Church of Santana, alterations introduced to the palace in subsequent years partially obscured Landi’s original design.

At one point, these modifications led to the disappearance of both the chapel and the garden that Landi had incorporated into the ground floor of the building.

The chapel possessed particular historical significance because it was from there that the first procession of the Círio de Nazaré departed—an event that would eventually evolve into the largest religious manifestation of faith in Brazil.

Fortunately, Landi’s twenty-seven original drawings had been preserved in the National Library of Lisbon.

This made it possible, during the 1970s, to reverse those alterations.

The restoration was achieved thanks to the tireless efforts of the engineer and researcher Augusto Meira Filho.

As a result, the palace recovered its original grandeur, leading José Ubiratan Rosário to describe it as “a kind of Amazonian Versailles of the cocoa era.”

Was the researcher exaggerating?

After all, few architectural monuments anywhere in the world can be compared with the Palace of Versailles.

Its extraordinary dimensions remain unrivaled: 2,300 rooms, 2,153 windows, 60,000 works of art, and an estate covering approximately 800 hectares, including gardens, parks, and lakes.

Yet this overwhelming magnificence does not diminish the importance of the Governors’ Palace of Grão-Pará.

The respected Portuguese architectural historian Isabel Mayer Godinho Mendonça, writing for the Portuguese Influence Heritage website, maintained by the Calouste Gulbenkian Foundation in partnership with the Universities of Lisbon, Coimbra, and Évora, recognizes it as the largest building of its kind constructed by the Portuguese in Brazilian territory.

The Pará State Museum is currently housed in the Governors’ Palace.

(Illustration: The altar of the chapel of the Belém Palace, designed by Antonio Giuseppe Landi.)

Tags: Belém do ParáculturaDestaqueHistóriaPalácio
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Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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