O presidente Donald Trump anunciou publicamente na sexta-feira, 7, a ordem para que o Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA inicie uma investigação federal contra as maiores empresas de processamento de carne do país, conhecidas como o “Big Four”: JBS (de origem brasileira), Tyson Foods, Cargill e National Beef (controlada pela brasileira Marfrig). O foco é em suposta manipulação de preços, conluio e práticas anticompetitivas que estariam inflacionando o preço da carne bovina nos EUA, afetando consumidores e produtores locais.
Trump acusou explicitamente as empresas estrangeiras de “dirigir os preços para cima” e prometeu ações rigorosas, incluindo possível quebra de monopólios se comprovadas as irregularidades.
Contexto econômico: Os preços da carne bovina nos EUA estão em alta há meses, com o quilo do contrafilé chegando a US$ 15-20 em supermercados, atribuídos a uma concentração de mercado onde as quatro empresas controlam cerca de 85% do abate de gado. Trump ligou isso à inflação geral e à dependência de importações, prometendo “proteger os fazendeiros americanos e as famílias de classe média”.
Alvo principal: JBS: Como maior produtora de carne bovina nos EUA (com 22% do mercado), a JBS é destacada por ser controlada pela família Batista, do Brasil. Trump a chamou de “cartel estrangeiro” que “suga o sangue dos produtores americanos”. As ações da JBS caíram 5-7% imediatamente após o anúncio, e da Tyson Foods também.
Reações iniciais: Produtores rurais americanos apoiam, vendo alívio nos preços de insumos. Críticos apontam hipocrisia: Uma subsidiária da JBS, a Pilgrim’s Pride (de frango), doou US$ 5 milhões para a posse de Trump em 2025, o maior valor individual. Isso levanta suspeitas de “pagar para jogar”, especialmente após uma reunião privada entre Trump e Joesley Batista em setembro de 2025, que coincidiu com um abrandamento nas críticas de Trump a Lula.
No X (antigo Twitter), usuários brasileiros e americanos especulam que a investigação pode ser seletiva: “Trump vai atrás da JBS, mas ignorou os US$ 5M de doação?” Ou: “É contra concorrentes, não contra os Batistas, que ‘compraram’ Lula e agora tentam o mesmo nos EUA”.
A investigação está em fase inicial, com o DOJ coletando dados de preços e contratos. Analistas preveem que pode durar meses, com possíveis multas bilionárias ou reestruturações, similar ao caso antitruste de 2023 onde a JBS pagou US$ 83,5 milhões por supressão de preços de gado.
Os Irmãos Batista: Joesley e Wesley, e a JBS
A JBS S.A. é a maior processadora de carne do mundo, fundada em 1953 por José Batista Sobrinho (pai dos irmãos). Hoje, vale cerca de US$ 50 bilhões, com operações em 20 países e 22% do mercado americano. Os irmãos Joesley (CEO) e Wesley Batista assumiram nos anos 2000, transformando-a em gigante via aquisições agressivas, mas carregando um histórico de escândalos.
Crescimento explosivo: De uma pequena açougue em Goiás para líder global, com apoio de empréstimos do BNDES (banco estatal brasileiro), que detém 21% das ações. Críticos alegam que isso foi “financiado por corrupção”.
Corrupção no Brasil: “Envolvidos até o Pescoço”
Os Batistas são figuras centrais na Operação Lava Jato (2014-2021), o maior escândalo de corrupção da história brasileira. Aqui vai um resumo cronológico:
| Ano | Evento Principal | Detalhes |
|---|---|---|
| 2007-2017 | Esquema de subornos | Confessaram pagar propinas a mais de 1.800 políticos e partidos, totalizando R$ 10 bilhões (US$ 2 bi). Incluía presidentes, governadores e o PP (partido de Temer). Usaram offshores em paraísos fiscais para lavar dinheiro. |
| 2017 | Delação premiada | Gravaram conversa com Michel Temer (então presidente) discutindo propina de R$ 500 mil. Isso derrubou o governo Temer e acelerou prisões. Os irmãos foram presos por insider trading (usaram delação para lucrar no mercado de ações). |
| 2018-2020 | Multas e condenações | Pagaram R$ 10,3 bilhões em delação. SEC (EUA) multou em US$ 180 milhões por violações à FCPA (lei anticorrupção). Acusados de lavagem e organização criminosa por benefícios fiscais. |
| 2023-2024 | Tentativa de controle total | Família tentou comprar ações minoritárias para controle total, mas ONGs alertaram investidores sobre histórico corrupto. |
| 2025 | IPO na NYSE | JBS listou ações nos EUA em junho, após suspensão de multas de US$ 2 bi por delação. Irmãos voltaram ao conselho em abril. |
Eles foram soltos em 2018 por habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal), criticado como “impunidade para ricos”. No X, brasileiros chamam-nos de “dupla ladina” que “destruiu fazendeiros locais com monopólio e propinas”.
Apesar do escândalo que atingiu o PT (partido de Lula) na Lava Jato — com delações implicando o ex-presidente em esquemas na Petrobras —, os Batistas se reaproximaram de Lula após sua eleição em 2022.
Histórico: Na era Lula (2003-2010), JBS recebeu bilhões em financiamentos do BNDES, suspeitos de superfaturamento. Lava Jato ligou propinas a campanhas petistas.
Reencontro em 2024: Em abril, Lula visitou fábrica da JBS e elogiou os irmãos: “Família predestinada ao sucesso”. Foi durante uma comitiva à China, principal comprador de carne brasileira, para fortalecer laços comerciais.
2025: Influência nos EUA: Joesley se reuniu com Trump em setembro, após tarifas de 50% sobre importações brasileiras (incluindo carne). Dias depois, Trump suavizou críticas a Lula na ONU, chamando-o de “velho amigo”. Críticos veem lobby: JBS quer expandir nos EUA, e a doação de US$ 5M à posse de Trump é “pagamento por favores”.
Atual: Com a investigação de Trump, especula-se que Lula e STF (acusados de proteger delatores ricos) possam ser afetados indiretamente, via delações antigas que citam o PT. No X, posts como “Batistas compraram Lula e tentam Trump” viralizam entre opositores.
A delação premiada da JBS: A sordidez exposta
A delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechada em maio de 2017 com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Essa delação, parte da Operação Lava Jato, não só revelou um esquema bilionário de corrupção, mas expôs a podridão sistêmica: propinas em espécie, notas frias, contas offshore em paraísos fiscais, simulações de transações para lavagem de dinheiro e até gravações que capturam o cinismo de quem negociava o poder como mercadoria.
Os Batista confessaram pagar R$ 10,3 bilhões em propinas a mais de 1.800 políticos e partidos entre 2007 e 2017, beneficiando PT, PMDB, PSDB e outros. Em troca, obtiveram financiamentos estatais, benefícios fiscais e influência em votações como o impeachment de Dilma. A sordidez? Dinheiro sujo financiando campanhas, helicópteros como propina, listas de “deputados à venda” e áudios onde o então presidente Michel Temer incentiva silêncios cúmplices. Eles lucraram R$ 238 milhões com insider trading ao usar a delação para vender ações antes da bomba explodir.
Os irmãos revelaram que o esquema raiz surgiu nos anos 2000, em Mato Grosso do Sul, para driblar impostos como o ICMS. A JBS simulava compras e vendas de gado que nunca existiam: emitia notas fiscais falsas para “justificar” saídas de caixa, que na verdade iam para propinas. Exemplo: em 2010, o secretário de Fazenda Márcio Monteiro “vendeu” 140 cabeças de gado por R$ 333 mil a um frigorífico em Campo Grande, mas o Ministério da Agricultura confirmou que o gado nunca chegou. Outro caso: o Frigorífico Buriti emitiu notas por 1.6 mil toneladas de carne inexistente.
Isso durou 13 anos, gerando R$ 500 milhões em descontos fiscais e R$ 150 milhões em propinas só nesse estado. Wesley Batista admitiu: “Era para reduzir impostos, mas virou propina para governadores como Reinaldo Azambuja (PSDB), que recebeu R$ 38 milhões, e Delcídio do Amaral (PT), com R$ 12 milhões em doações oficiais e caixa dois para 2014”. A sordidez aqui é palpável: fazendeiros e frigoríficos menores quebravam, enquanto a JBS crescia às custas de um sistema fraudulento financiado pelo BNDES (que detém 21% das ações da empresa).
Revelações principais: Um baú de propinas e traições
A delação pintou um quadro de corrupção endêmica, com os Batista como “doadores” que compravam lealdades. Aqui uma tabela com as acusações mais sórdidas, incluindo valores e alvos:
| Político/Partido | Acusação Principal | Valor/Detalhes Sórdidos | Impacto |
|---|---|---|---|
| Lula e Dilma (PT) | Contas offshore para campanhas via Guido Mantega. Joesley se reuniu com Lula em 2014 e confessou doações de R$ 300 milhões à campanha de Dilma. | US$ 150 milhões (2014), incluindo US$ 50M para Lula (2009) e US$ 30M para Dilma (2011), de financiamentos BNDES. Propina de 4% por operação. | Revela lavagem via paraísos fiscais; Lula ficou “em silêncio” sobre riscos. Negado pelo PT, mas sob investigação. |
| Michel Temer (PMDB) | Gravação no Jaburu (março/2017): Joesley relata propina a Cunha e Funaro; Temer responde “Tem que manter isso” e sugere silêncio para obstruir justiça. | R$ 500 mil mensais a Funaro; R$ 90M em propinas via Caixa (2011-2014). | Áudio prova conluio presidencial; Temer nega, mas levou a denúncia por corrupção passiva. |
| Aécio Neves (PSDB) | Compra de prédio como propina; áudio gravado pedindo anistia ao caixa 2 e criticando PF. Irmã pediu R$ 2M em “notas frias”. | R$ 18M (prédio em BH) + R$ 2M (advogados). Maior financiador da campanha 2014. | Aécio preso temporariamente; nega, mas áudio expõe cinismo: “Precisa de uma lei de abuso de autoridade”. |
| Eduardo Cunha e Lucio Funaro (PMDB) | Propinas por financiamentos Caixa e desonerações. Funaro recebia R$ 400k/mês + helicóptero. | R$ 90M (Caixa) + R$ 7M (Agricultura) + R$ 30M (eleição Câmara) + R$ 20M (desoneração aves). | Cunha, preso, nega; Funaro delatou mais. Sordidez: Pagamentos em espécie e notas frias. |
| Fernando Pimentel (PT) | Propina para campanha em MG, via compra de 3% do Mineirão. Dilma confirmou em reunião. | R$ 30M (2014), com R$ 3,9M declarados. | Dilma nega autorização; Pimentel afirma legalidade. Expõe compra de estádios como fachada. |
| José Serra (PSDB) | Notas frias para campanha 2010, via “camarote” fictício no autódromo. | R$ 20M totais, R$ 6M frios. | Serra calou; revela uso de eventos esportivos para lavagem. |
| Antônio Palocci (PT) | Pagamentos para campanha Dilma, em espécie e notas frias. | R$ 30M (2010), R$ 19,4M pagos. | Palocci, delator posterior, confirma rede PT-JBS. |
| João Bacelar (PR-BA) | Lista de 30 deputados “à venda” para impeachment; pagou 5 por R$ 3M cada. | R$ 15M combinados, R$ 3,5M pagos. | Tentativa de comprar votos no Congresso; PR nega. |
Esses casos mostram a rede: propinas financiadas por BNDES (US$ 2 bilhões em empréstimos suspeitos) e lavadas via offshores, afetando eleições e políticas públicas.
A gravação com Temer: O áudio que derrubou um presidente
O ápice da sordidez é o áudio de 7 de março de 2017, gravado por Joesley no Palácio do Jaburu. Dura 37 minutos e captura Temer orientando obstrução: Joesley relata “segurando” juízes e procuradores com propinas (R$ 500k/mês a Funaro para “informações”), e menciona zerar pendências com Cunha. Temer responde: “Tem que manter isso, viu?” e sugere silêncio para não delatar.
Trechos chave: Obstrução: Joesley: “Eu tô segurando os dois [juízes]. Consegui um dentro da força-tarefa que tá me dando informação. Tô tentando trocar o procurador.” Temer: “Tem que manter isso.”
Suborno implícito: Joesley: “Se ele jogar para cima de você, eu posso bancar e dizer: ‘Não, qualquer coisa eu falo com ele’.” Temer: “Estamos combinando: precisando de mim, me fala.”
Isso levou à denúncia da PGR contra Temer por corrupção passiva e obstrução. O STF divulgou o áudio, que viralizou como prova de impunidade no topo.
Vídeos e áudios: A prova visual da podridão
Há dezenas de vídeos e áudios divulgados pelo STF e mídia, muitos no YouTube e X. Aqui os mais impactantes, com descrições baseadas em análises recentes:
Áudio Integral Temer-Joesley (YouTube, 37min): Gravação crua do Jaburu, com vozes tensas e pausas constrangedoras. Joesley narra propinas como rotina; Temer ri e aconselha discrição. Assista: Íntegra no YouTube. Transcrições mostram Temer dizendo: “Negócio de golpe, golpe. Mas tudo bem.”














