O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a tensão envolvendo o programa nuclear do Irã ao afirmar que o país poderá atacar a montanha de Pickaxe, uma região considerada estratégica por abrigar instalações ligadas ao enriquecimento de urânio iraniano.
Em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt, Trump afirmou que o governo americano acompanha de perto as atividades na região e fez uma ameaça direta ao regime iraniano.
“Digam aos iranianos para estarem preparados”, afirmou. “Provavelmente vamos atacar Pickaxe em um futuro relativamente próximo.”
A montanha citada pelo presidente fica ao lado da usina de enriquecimento de urânio de Natanz, uma das principais instalações nucleares do Irã. Segundo especialistas, a área abriga o coração do programa nuclear iraniano e é considerada uma das regiões mais protegidas pelo governo do país.
Localizada a cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã, a montanha esconde instalações subterrâneas construídas para resistir a bombardeios. A região foi atacada recentemente por Israel e pelos Estados Unidos, mas ainda não está claro qual foi a extensão dos danos provocados pelas ofensivas.
Especialistas apontam túneis profundos sob a montanha
De acordo com especialistas ouvidos pela Reuters, existem dois grandes complexos de túneis escavados sob a montanha de Pickaxe. Embora não haja confirmação sobre o conteúdo dessas estruturas subterrâneas, há suspeitas de que elas abriguem equipamentos considerados essenciais para o enriquecimento de urânio.
O urânio altamente enriquecido pode ser utilizado na produção de armas nucleares. Por outro lado, o governo iraniano afirma que seu programa nuclear possui fins exclusivamente pacíficos.
Caso os Estados Unidos decidam atacar as instalações subterrâneas, seria necessário o uso de bombas perfuradoras, também conhecidas como antibunkers.
Esse tipo de armamento foi desenvolvido para atravessar camadas de solo, concreto e rocha antes de explodir, permitindo atingir bunkers e outras estruturas fortificadas construídas abaixo da superfície.
Segundo o jornal israelense Haaretz, no ataque conduzido pelos Estados Unidos à região em março deste ano foram utilizadas bombas antibunker. No entanto, o governo norte-americano não confirmou oficialmente a operação nem informou qual armamento teria sido empregado.
GBU-57 é a principal arma dos EUA contra instalações subterrâneas
A principal bomba antibunker do arsenal americano é a GBU-57 A/B, conhecida como MOP, sigla para Massive Ordnance Penetrator, ou Penetrador Massivo de Artilharia, em tradução livre.
O armamento foi desenvolvido especificamente para destruir alvos enterrados em grande profundidade.
A bomba possui cerca de 14 toneladas e aproximadamente seis metros de comprimento. Seu projeto permite atravessar solo, concreto e rochas antes da detonação, tendo como objetivo destruir bunkers e outras instalações subterrâneas localizadas a dezenas de metros abaixo da superfície.

Segundo a Força Aérea dos Estados Unidos, atualmente apenas o bombardeiro furtivo B-2 Spirit possui capacidade para transportar e lançar esse tipo de armamento.
Estimativas apontam que a GBU-57 consegue penetrar cerca de 61 metros abaixo da superfície antes de explodir. Em uma mesma missão, várias bombas podem ser lançadas em sequência para aumentar a capacidade de atingir estruturas localizadas em profundidades ainda maiores.
Especialistas alertam para riscos e limitações
Apesar de utilizar uma ogiva convencional, especialistas alertam que um eventual ataque contra instalações nucleares pode provocar a liberação de material radioativo, dependendo do alvo atingido.
Mesmo sendo considerada a bomba antibunker mais poderosa do arsenal americano, especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que os túneis existentes sob a montanha de Pickaxe podem ter sido construídos em profundidade suficiente para resistir até mesmo ao impacto da GBU-57.
A avaliação reforça a complexidade de uma eventual operação militar na região e evidencia o desafio de atingir instalações subterrâneas projetadas especificamente para suportar ataques aéreos de grande intensidade.
















