No jogo de cadeiras palacianas, quem segura o baralho e distribui as cartas é o governador Helder Barbalho. As mudanças anunciadas na área de segurança pública do Pará têm mais aparência de rearranjo interno do que de ruptura: o tenente-coronel PM Anselmo de Lima assume a Secretaria de Segurança Pública (Segup), mas, na prática, o comando político e operacional permanece nas mãos do grupo de Ualame Machado.
Helder Barbalho manteve sob controle absoluto as recentes alterações no primeiro escalão do governo. Um sinal claro disso foi a rejeição à saída de Renê Sousa da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), confirmando que decisões estratégicas seguem concentradas no núcleo duro do Executivo.
Na Segurança Pública, a mudança formal ocorre com a saída de Ualame Machado da Segup para assumir a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Em seu lugar, foi nomeado o tenente-coronel PM Anselmo de Lima, até então secretário adjunto de Gestão Operacional (Sago) da própria Segup.
Segundo fontes ouvidas pelo Ver-o-Fato, Anselmo é ligado diretamente a Ualame Machado, o que reforça a avaliação de que não houve mudança real no comando da pasta.
Na prática, a Segup continua sob a mesma orientação. Os dois principais adjuntos de Ualame passaram a ocupar posições centrais na estrutura, garantindo a continuidade da linha de atuação. Entre bastidores e comentários internos, a avaliação é direta: Ualame Machado saiu da sala principal, mas segue “dando as cartas” na Segurança Pública do Estado.
Anselmo de Lima construiu carreira na Polícia Militar com perfil operacional. Já comandou batalhões estratégicos, como o 20º Batalhão da PM, em Belém, e era considerado peça-chave na engrenagem da Segup enquanto respondia pela gestão operacional. Na caserna, é visto como um oficial qualificado, técnico e com experiência no comando de tropa.
Apesar do currículo respeitado, sua nomeação é interpretada mais como um movimento de continuidade do que de mudança. A leitura predominante entre policiais e observadores da área é que a Segurança Pública do Pará segue sob a mesma lógica, os mesmos nomes e a mesma influência — apenas com nova disposição no tabuleiro.















