A França anunciou, nesta quarta-feira (5), que iniciou o procedimento de suspensão da plataforma de comércio eletrônico Shein em todo o território nacional. A decisão foi divulgada poucas horas depois de a empresa asiática inaugurar sua primeira loja física permanente no mundo, localizada em Paris.
A medida ocorre após forte pressão pública e judicial, motivada pela venda de bonecas sexuais com aparência infantil na plataforma — prática que já é alvo de investigação pela Justiça francesa.
Em comunicado oficial, o governo informou que a Shein terá 48 horas para retirar os produtos ilegais. Caso contrário, as autoridades poderão ordenar uma “requisição digital”, que permite a suspensão completa do site no país.
“O governo iniciou o procedimento de suspensão da Shein, dando à plataforma tempo para provar que está em conformidade com nossas leis e regulamentos”, afirmaram as autoridades francesas.
A Shein respondeu dizendo que “toma nota da decisão” e reforçou que suas prioridades são a segurança dos consumidores e a integridade do marketplace. A empresa também anunciou que suspenderá temporariamente seu marketplace na França e se colocou à disposição para dialogar com o governo.
Este ano, a Shein já havia sido multada três vezes na França, totalizando 191 milhões de euros (R$ 1,17 bilhão), por violações relacionadas a cookies, promoções enganosas e informações falsas.
Inauguração com protestos e filas
A inauguração da loja Shein no tradicional BHV Marais, em Paris, foi marcada por forte esquema policial e protestos de ativistas infantis.
Mesmo assim, centenas de pessoas formaram filas antes da abertura do espaço de mais de 1.000 m², muitas atraídas pelos preços baixos da marca.
“Os tempos mudaram, as gerações mudaram”, disse o comprador Mohamed Joullanar, de 30 anos, que já consumia produtos da marca online.
Apesar da expectativa, alguns consumidores reclamaram dos preços mais altos na loja física em comparação com o site. “Comprei uma camiseta por 16,49 euros (R$ 102) para minha filha, mas é mais cara do que online”, relatou a cliente Hammani Souhaila.
Nos arredores, manifestantes exibiam cartazes com frases como “Protejam as crianças, não à Shein”.
Investigações e novas críticas
O Ministério Público de Paris abriu investigações não apenas contra a Shein, mas também contra AliExpress, Temu e Wish, por “disseminação de conteúdo pornográfico ou contrário à dignidade acessível a menores”.
Imagens publicadas pela imprensa francesa mostraram uma das bonecas em questão, de cerca de 80 cm, segurando um urso de pelúcia — o que provocou forte reação pública.
A Shein declarou que irá cooperar integralmente com a Justiça e que proibirá a venda de qualquer boneca sexual em sua plataforma.
Enquanto isso, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, solicitou à Justiça o bloqueio total do site, citando também a presença de armas brancas e socos-ingleses disponíveis para compra.
‘Hipocrisia geral’ e impacto no varejo
Frédéric Merlin, diretor da empresa SGM — que administra o BHV —, afirmou que chegou a cogitar cancelar a parceria com a Shein, mas decidiu mantê-la.
“A Shein tem 25 milhões de clientes na França. Há uma hipocrisia geral em torno dessa discussão”, afirmou Merlin.
O avanço da Shein preocupa o setor de moda tradicional, que teme ser sufocado pela expansão agressiva da marca chinesa. Mesmo com a polêmica, a empresa pretende abrir novas lojas físicas na França.
Com informações de G1















