Ex-presidente da Casa assume vaga de Bruno Dantas e indicação segue para a Câmara
Brasília – O Senado Federal aprovou na terça-feira (1º de setembro de 2026), por 63 votos a 4, a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente da Casa, para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A vaga foi aberta com a saída antecipada de Bruno Dantas, e a escolha, formalizada na segunda-feira (31) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), segue agora para análise da Câmara dos Deputados, prevista para esta quarta-feira (2). A aprovação encerra um imbróglio político que envolveu a disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e a recusa de Pacheco em disputar o governo de Minas Gerais.
A votação, em caráter secreto, exigia ao menos 41 votos favoráveis, número amplamente superado. Após a chancela dos deputados, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomear Pacheco. Alcolumbre, amigo pessoal do senador, pediu que os líderes partidários assinassem a indicação, em gesto para reforçar o caráter coletivo da decisão e blindá-la de críticas sobre concentração de poder.
O relator da indicação foi o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), que afirmou que o congressista representará a Casa “com muita dignidade”. O senador Otto Alencar (PSD-BA) justificou o voto favorável ao destacar o papel de Pacheco na defesa da democracia, citando sua atuação “diante das ameaças à lisura das urnas eletrônicas e do 8 de Janeiro”. Em agradecimento, Pacheco disse receber a “missão honrosa” e a “confiança da ampla maioria”.
A aprovação, contudo, precisa ser lida no contexto das disputas institucionais do ano. Alcolumbre e parte do Senado defendiam que Pacheco fosse indicado por Lula ao STF, na vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O presidente, porém, indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, e insistiu que Pacheco fosse candidato ao governo de Minas Gerais.
O desfecho foi duplamente adverso ao Planalto, pois Messias foi rejeitado pelo Senado em 29 de abril, em derrota inédita desde 1894, e Pacheco recusou a candidatura, anunciando em maio o encerramento da carreira política. Com isso, o STF deve encerrar 2026 com uma cadeira vaga, enquanto o senador, preterido no Supremo, encontrou no TCU o destino que o Planalto não lhe ofereceu.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), tentou minimizar o desfecho ao afirmar que Pacheco “está balizado para qualquer posto na nossa República”. A fala, no entanto, não esconde o desgaste entre governo e Senado, que se reflete também na composição da corte de contas, onde três dos nove ministros são indicados pela Casa, incluindo o atual presidente, Vital do Rêgo.
A sessão também foi marcada por discursos da oposição a favor do impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, diante de novas revelações sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Nem Pacheco nem Alcolumbre, ambos próximos de Moraes, comentaram o tema.
A escolha de Pacheco foi votada diretamente no plenário, sem sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos, pois o regimento dispensa os escolhidos do Senado desse rito. O procedimento contrasta com 2021, quando Pacheco, então presidente da Casa, decidiu realizar sabatinas por falta de consenso entre três candidatos. Desta vez, a escolha ocorreu sem oponentes, após o líder do MDB, Eduardo Braga (AM), afirmar que a vaga pertencia ao partido e que a bancada só abriria mão em prol de Pacheco.
Pacheco está no fim do mandato e decidiu não disputar a reeleição, sendo seu primeiro suplente o ex-deputado Renzo Braz (PP-MG). Uma pessoa próxima afirma que ele está empolgado com a ida ao TCU, pois gosta do ambiente de tribunais e está cansado da política, além de não precisar permanecer no cargo até os 75 anos, idade da aposentadoria compulsória, já que completa 50 anos em novembro.
A saída de Bruno Dantas foi anunciada na segunda-feira, com o ministro afirmando que se dedicará a “novos projetos” na iniciativa privada, sem indicar a empresa, embora interlocutores relatem negociação com a Avibrás, comprada pela J&F, dos irmãos Batista.
A trajetória de Pacheco até o TCU condensa as tensões entre os Poderes em 2026, pois o senador que o Planalto queria como cabo eleitoral em Minas Gerais e que o Senado queria no STF termina em um órgão de controle, enquanto a cadeira do Supremo permanece vaga e a relação entre Lula e a Casa segue estremecida, com a Câmara ainda tendo a palavra final sobre a indicação.














