Das 9 da noite de hoje às 4 da madrugada de amanhã, sábado, uma rotina e as desculpas da empresa Águas do Pará
Mais uma noite de torneiras secas. Mais um teste de paciência para quem vive em Belém e Ananindeua, as duas maiores cidades do Pará, onde a falta d’água já deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina.
A concessionária Águas do Pará anunciou que o abastecimento será suspenso a partir das 21h desta sexta-feira (13), com previsão de retomada somente às 4h da madrugada de sábado (14). O motivo oficial é uma manutenção programada para instalação de novos registros na rede de distribuição, além do reparo de um vazamento identificado no sistema.
Na prática, porém, o que a população enxerga é mais uma interrupção em um serviço que já convive com sucessivas falhas, oscilações e cortes temporários. Em bairros inteiros, moradores relatam que o fornecimento é irregular mesmo fora dos períodos anunciados de manutenção. Agora, mais uma vez, terão de encher baldes, caixas e improvisar reservatórios para atravessar a madrugada — e, em muitos casos, parte do sábado.
Segundo a empresa, a instalação dos novos registros é “essencial para trazer segurança operacional”, reduzir desperdícios e diminuir futuras interrupções. Também argumenta que o horário escolhido — à noite — visa minimizar impactos, por ser um período de menor consumo. Ainda assim, a medida atinge uma extensa área da Região Metropolitana.
Bairros afetados em Belém
Em Belém, a suspensão alcança parte da Marambaia — incluindo os conjuntos Glebas I, II e III, Costa e Silva, Basa, Rio Negro, Mendara I e II, Médici I e II, Nova Marambaia, Pedro Álvares Cabral, Magalhães Barata, Euclides Figueiredo, Vitória Régia, Ypuã, Marex e Bela Vista — além de Val-de-Cans, Aeroporto, Souza e Castanheira.
Áreas atingidas em Ananindeua
Em Ananindeua, o corte atinge o Centro (com os conjuntos Paulo Fonteles I e II, Viver Ananindeua, Bem Viver, Vitória Maguari, Portal do Aurá I e II, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e Clodomir de Nazaré), além dos residenciais Eco Independência, Pleno, Campo Grande, Itaoca e Catavento, Guajará I, Cidade Nova 1 a 9, Guanabara, Jaderlândia, Atalaia e parte do Coqueiro.
A concessionária orienta o uso consciente da água durante o período e afirma que herdou um sistema antigo, que passa por processo de recuperação e modernização. Para muitos moradores, no entanto, a explicação já soa repetitiva.
“Rede antiga”, o papo
O argumento da “rede antiga” se tornou constante, enquanto a população segue enfrentando transtornos que impactam o preparo de alimentos, a higiene básica, o funcionamento de pequenos comércios e a rotina de famílias inteiras.
O restabelecimento, segundo a empresa, será gradual após a conclusão dos trabalhos — o que significa que nem todas as áreas terão água nas torneiras imediatamente às 4h.
Enquanto isso, em plena região amazônica, cercada por rios e abundância hídrica, milhares de moradores continuam vivendo o paradoxo de abrir a torneira e não ver cair uma gota sequer.














