Nesse mundo, há gosto pra tudo. Tem gente que paga pra sofrer, pra levar bronca, pra ser ignorada… e, agora, pra ser insultada num museu. Pois é — o Museu Kunstpalast, na Alemanha, resolveu unir arte, sadomasoquismo emocional e alta cultura num só pacote. A proposta? Um tour guiado por um sujeito que te trata como um completo idiota. E adivinha? Sucesso absoluto. Ingressos esgotados até dezembro.
A mente por trás dessa genialidade é Felix Krämer, diretor do museu, que aparentemente olhou para o conceito de “educação artística” e pensou: e se fosse uma tortura verbal? Inspirado por restaurantes onde garçons são grosseiros de propósito — como o Karen’s Diner, na Austrália, e o Cencio la Parolaccia, em Roma — Krämer decidiu importar o espírito da grosseria gourmet para dentro das galerias.
Entra em cena Joseph Langelinck, o “guia rabugento”, interpretado pelo artista Carl Brandi, de 33 anos. Um personagem com tanta amargura que daria inveja a qualquer crítico de arte frustrado. Na história criada por Brandi, Langelinck é um parente distante de Johann Wilhelm von der Pfalz, o Eleitor Palatino — aquele cuja coleção de arte enche as paredes do museu. Só que, diferente do antepassado nobre, Joseph não tem fortuna, nem prestígio, nem paciência. O que ele tem é ranço.
Durante os 70 minutos da visita — que custam US$ 8 (cerca de R$ 42) — o público é chamado de ignorante, advertido por sentar, repreendido por mexer no celular e ridicularizado por fazer perguntas. Mas calma: é “arte performática”. Segundo o próprio Carl Brandi, “eu nunca insulto ninguém individualmente, apenas o grupo”. Um gentleman, veja só. Ele diz que seu desprezo é voltado à “ignorância presumida” dos visitantes — o que, na prática, significa fazer todos se sentirem o mais burros possível.
E as pessoas amam. Vão, riem, agradecem e ainda dizem que foi “libertador”. Há quem saia do museu mais humilhado do que entrou — e volte pra mais. Freud, se vivo fosse, pediria ingresso.
Enquanto isso, outros museus europeus também andam explorando formas “criativas” de atrair público: a Casa da História, em Stuttgart, faz noites nudistas (porque apreciar arte pelado é tendência), e o Museu Voorlinden, na Holanda, promove visitas “de meias” — uma experiência sensorial para quem quer sentir o chão e a vergonha alheia ao mesmo tempo.
No fim, o que o Kunstpalast prova é que o ser humano realmente não tem limites: paga pra sofrer, paga pra ser ofendido e ainda sai achando que foi uma aula de cultura. Vá entender.
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