Senador anuncia candidatura em Divinópolis e fecha chapa com Luís Eduardo Falcão na vice, após semanas de idas e vindas
Brasília – O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) recebeu autorização da direção nacional do partido e disputará o governo de Minas Gerais nas eleições de 2026, em uma reviravolta que põe fim a semanas de indefinição que marcaram a sucessão estadual. A confirmação foi anunciada pelo próprio candidato em coletiva de imprensa na noite desta sexta-feira (7/8), em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, depois de uma reunião em São Paulo com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. O ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), foi o nome escolhido para a vaga de vice-governador, enquanto as candidaturas ao Senado ainda seguem em negociação.
A decisão representa o desfecho de uma das novelas mais movimentadas da eleição mineira — Estado fundamental na disputa nacional. Líder em todas as pesquisas de intenção de voto para o Palácio Tiradentes, Cleitinho alternou sinais de que disputaria o cargo com sucessivos adiamentos, frustrando aliados e provocando cobranças públicas da cúpula nacional do Republicanos. O impasse culminou, em 25 de julho, com a convenção estadual da legenda sem a homologação de sua candidatura, quando o partido optou por manter a vaga em aberto enquanto aguardava uma definição do senador, que não participou do evento por motivo de luto.
A trajetória de idas e vindas ganhou contornos dramáticos após a morte do irmão do senador, Matheus Azevedo, aos 34 anos, em 18 de julho. Em ocasiões públicas, Cleitinho chorou, pediu perdão e chegou a declarar que não teria condições emocionais de enfrentar uma campanha. Na última segunda-feira (3/8), ele anunciou que não disputaria o governo, decisão que reorganizou o tabuleiro da sucessão estadual e abriu espaço para negociações entre Republicanos, PL e o grupo liderado pelo ex-secretário Marcelo Aro (PP). A desistência, porém, durou poucos dias e voltou a ser revista após novas conversas entre o senador e a cúpula nacional da legenda.
A reviravolta, no entanto, não foi linear. Na convenção nacional do Republicanos, em Brasília, na terça-feira (4/8), Cleitinho voltou a pedir publicamente a candidatura, afirmando ter ouvido um chamado do “Espírito Santo” para reverter a decisão do dia anterior, mas foi rejeitado naquele momento pelo presidente do partido, Marcos Pereira, que sinalizou a preferência por Luís Eduardo Falcão como cabeça de chapa. A manobra do senador para salvar a candidatura, apostava justamente na disposição de Falcão em aceitar novamente a posição de vice, o que se confirmou nos dias seguintes.
Nesta sexta-feira, Cleitinho passou a tarde reunido, em São Paulo, com Marcos Pereira, acompanhado do deputado federal Euclydes Pettersen. Antes de embarcarem para Minas Gerais, Pettersen e o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), divulgaram um vídeo convocando a imprensa para a coletiva marcada para a noite, selando o desfecho da negociação. A confirmação recoloca o senador, favorito nas pesquisas, no centro da disputa e embaralha novamente a corrida eleitoral, que havia sido reconfigurada por sua desistência.
O vai e vem de Cleitinho teve efeitos diretos sobre o cenário eleitoral mineiro. Pesquisas divulgadas durante o impasse mostraram que, sem o senador na disputa, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) aparecia numericamente à frente na disputa pelo governo, com empate técnico diante do ex-ministro Patrus Ananias (PT), segundo levantamento Genial/Quaest. Com a candidatura confirmada, o Republicanos recupera o nome que liderava todos os cenários de primeiro e segundo turno testados por institutos como Real Time Big Data, o que tende a reordenar as estratégias das demais coligações e a mobilização do bolsonarismo em torno da chapa.
PL se posiciona
A confirmação da candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais é péssima para o PT, mas foi recebida com reserva pelo PL, que decidiu não mais apoiar o senador e lançou candidatura própria no estado. A decisão foi anunciada na quarta-feira (5/8), quando a legenda oficializou o empresário Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como candidato ao Palácio da Liberdade, com o ex-deputado federal Charlles Evangelista na vaga de vice.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) confirmou a retirada do apoio a Cleitinho, enquanto o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) justificou a medida diante da indefinição do mineiro sobre a permanência na disputa, classificando como “insegurança jurídica muito grande” a aposta na retomada dos esforços do senador e afirmando que a sigla não poderia correr o risco de ficar sem palanque em Minas. O partido, que aguardou por cerca de 120 dias uma resposta definitiva de Cleitinho, optou por garantir protagonismo próprio no segundo maior colégio eleitoral da região Sudeste.
Com o desfecho, o PL rompe com o arco de alianças da direita mineira que se desenhava em torno do senador e passa a disputar o eleitorado conservador com candidatura própria, apoiada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), nome preferido do parlamentar para o cargo. A divisão tende a fragmentar o campo bolsonarista no estado, que agora se apresenta dividido entre a chapa do Republicanos, encabeçada por Cleitinho com Luís Eduardo Falcão na vice, e a do PL, liderada por Roscoe, com Domingos Sávio como candidato ao Senado. Ainda assim, a cúpula da legenda sinalizou não descartar uma reaproximação futura, como sugeriu Rogério Marinho ao afirmar que, “se for o caso, a gente se encontra no segundo turno”, indicando que o apoio a Cleitinho pode ser retomado caso a disputa avance para a segunda volta (2º Turno).
Em síntese, a confirmação da candidatura de Cleitinho Azevedo encerra, ao menos por ora, um ciclo de instabilidade que testou a paciência de aliados e da direção nacional do Republicanos. O desfecho, porém, expõe fragilidades que podem repercutir ao longo da campanha, desde a capacidade do senador de sustentar o ritmo eleitoral após o luto recente até a coesão interna de uma chapa costurada sob pressão e marcada por recuos públicos.
Líder nas pesquisas, Cleitinho parte com vantagem numérica, mas terá de converter a autorização partidária em uma campanha consistente, em um cenário em que cada reviravolta passada serve de alerta para eleitores e adversários sobre a solidez de seu projeto ao Palácio Tiradentes.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.














