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Home Cultura

Residência e palácio do governador, em Belém, era a casa em ruínas, na rua antiga e estreita

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
21/07/2026
in Cultura
Residência e palácio do governador, em Belém, era a casa em ruínas, na rua antiga e estreita
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As autoridades portuguesas, depois dos anos de 1750, passaram a tratar com consideração o arquiteto Antônio Giuseppe Landi por causa da amizade que ele criou com o antigo governador do Gram-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

A amizade havia surgido somente após Furtado submeter Landi a duras e perigosas situações no serviço, que ele chefiou, de demarcação dos limites das terras portuguesas no, ainda, inóspito interior da Amazonia,.  

Antes desta fase, o convívio inicial entre os dois tinha sido marcado por desconfiança do ex-governador em relação ao arquiteto.

A desconfiança de Mendonça Furtado dera lugar à amizade com Landi, em 1759.

Assim, neste ano, o, então, governador do Gram-Pará, Bernardo de Melo e Castro pôde invocar, numa correspondência enviada para a metrópole, o respeito associado ao nome de Landi, na Corte, como respaldo a uma decisão ousada que ele havia tomado. 

Com aquela decisão, Melo e Castro enfrentou a indiferença da metrópole portuguesa diante do antigo problema que atormentou vários governadores do Grão-Pará: as precárias condições da residência oficialmente reservada para eles. 

O imóvel estava em uso, havia mais de 80 anos.

Fora construído, em 1676, na parte mais atiga do povoado de Belém, atrás da Igreja da Sé, numa travessa chamada, de início, por causa dele, de Travessa da Residência, depois de Travessa da Vigia. Hoje é a Travessa Felix Roque.

Pois, como as leis portuguesas determinavam, um prédio com a sua destinação recebia o nome de Casa da Residência. 

Neste prédio se abrigavam os governadores, nas suas passagens por Belém, já que a sede do Estado, onde residiram permanentemente, até aquele momento, era São Luís. 

A melhor descrição da antiga Casa da Residência foi feita por Manoel Barata, em sua obra “Formação Histórica do Pará”: 

“Era de taipa de pilão, com dois pavimentos, 14 janelas de sacada, com balaústres de madeira, no pavimento superior da fachada principal, e, três janelas idênticas, em cada uma das fachadas laterais”. 

Após quarenta anos de utilização desta casa, em 1716, outro governador, Christovão da Costa Freire, já tinha obtido autorização do rei para mandar fazer uma edificação mais ambiciosa destinada a servir como Palácio da Residência.

Esta edificação seria semelhante, em importância, às construções que, com a mesma finalidade, vinham sendo levantadas nas outras colônias portuguesas, desde a segunda metade do século anterior.

Elas eram construídas em espaços públicos abertos, como os de uma praça, para que neles pudessem se exercitar os membros do Corpo de Infantaria de suas guardas. 

Christovam Freire, naquela fase, iniciou a construção da nova residência oficial, usando a técnica mais avançada de “pedra e cal”, na esquina do próprio Largo da Sé, com a da segunda rua a surgir no povoado, a do Espírito Santo, atual Dr. Malcher. 

As obras, porém, não foram além do primeiro pavimento porque o sucessor de Freire, Bernardo Pereira de Barredo, não quis abandonar o antigo prédio, segundo ele, melhor localizado que o outro, em construção. 

Trinta e nove anos depois desta tentativa frustrada de mudança de endereço da Casa da Residência, o bispo do Pará, dom Miguel de Bulhões substituiu, pela primeira vez,  Mendonça Furtado no governo do Gram-Pará.

Enquanto Mendoça Furtado  chefiava a Comissão de Demarcações fora de Belém, no Rio Negro.

Neste período, numa carta escrita no dia 17 de agosto de 1755, o bispo  informou ao rei, dom José I, que o antigo imóvel estava completamente deteriorado. 

Ele escreveu:

“Antes que se ausentasse para o Rio Negro, o governador e capitão general do Estado Francisco Xavier de Mendonça Furtado intentou acudir à iminente ruína deste Palácio.

O qual, pela parte do quintal, se acha cheio de escoras e tão próximo de cair de todo”. 

O bispo afirmou que ele não podia abrir mão do prédio, mas que seu péssimo estado embaraçava o exercício do cargo de governador.

Dom Miguel de Bulhões acrescentou:

“Preciso assistir nele assim mesmo, porque as casas da minha residência, como bispo, eram improporcionadas para um expediente e para a acomodação dos oficiais militares, que costumam assistir-me.

Pois, o Corpo da Guarda e os quartéis estão juntos no mesmo palácio. E, se eu vivesse separado deles todos seria desordem e confusão”. 

Aquela situação, porém, previa o prelado, não iria se sustentar por muito tempo. 

Ele concluiu:

“Confesso a Vossa Majestade que, muitas vezes, me cheguei a persuadir que o rigor do inverno produziria nele o último estrago”. 

Para corroborar o que afirmava sobre a Casa da Residência, dom Miguel anexou à sua carta um parecer de mestres pedreiros e carpinteiros, a quem ele tinha encarregado de fazer uma vistoria do imóvel.

Embora o Gram-Pará já dispusesse de excelentes engenheiros-militares. 

Aparentemente, o bispo não tinha prestígio político suficiente para convocar estes profissionais, que se encontravam na Amazônia a serviço de Portugal. 

A metrópole porém se manteve impassível diante do que disse o bispo em sua carta. 

Augusto Meira Filho”, comenta em seu livro “Evolução histórica de Belém do Grão-Pará”:

“Tudo indica pouca atenção da corte aos reclamos dos nossos gestores”.

Paredes de taipa, encharcadas de chuva, começaram a cair

Assim, dois anos depois, no dia 23 de outubro de 1757, dom Miguel teve de comunicar ao rei que precisou sair do palácio, diante do iminente perigo de desabamento das suas arruinadas “paredes de terra”.

E que precisou se instalar em casas particulares.

Ao mesmo tempo, informou o bispo, ele tinha mandado sustentar aquele edifício com escoras, o que o havia impedido que acabasse de cair. 

Mendonça Furtado voltou a Belém, e, reassumiu seu cargo.

Mas, depois de algum tempo, retornou ao Rio Negro.

E, dom Miguel novamente o substituiu.

Como a corte não autorizava a construção de um outro imóvel, o bispo resolveu realizar uma grande reforma na velha Casa da Residência. 

Mal as obras tiveram início, no entanto, as paredes de taipa-de-pilão, encharcadas com as águas das freqüentes chuvas de Belém, como o bispo havia previsto, começaram a cair. 

O desabamento, finalmente, seria comunicado à corte por Manoel Bernardes de Melo e Castro.

A rigor, ele não teria necessitado apelar ao prestígio de Landi para se sentir apoiado em qualquer decisão sua. 

Afinal, ele era um titulado fidalgo, que tinha sido empossado no governo do Gram-Pará, em  2 de março de 1759. 

Com prestígio próprio junto à metrópole.

De modo algum, a situação dele podia ser comparado com a do bispo Dom Miguel de Bulhões.

O bispo substituíra Furtado como uma espécie de recompensa pela ajuda que dava, com insistente adulação, à perseguição dos jesuítas, a quem ele não se vexava em denunciar.

Já Melo e Castro era alguém à altura da importância social do seu antecessor no comando do governo do Gram-Pará. Pois Mendonça Furtado era  meio-irmão do poderoso Marquês Pombal, Secretário  de Estado do Reino de Portugal.

Melo e Castro acumulava títulos honoríficos.  

Os de Senhor dos Direitos Reais da Vila de Sermancelhe, Comendador da Comenda de São Pedro das Alhadas da Ordem de Cristo e Coronel Chefe do Regimento de Infantaria da Guarnição da Praça de Caxias.

Era, alguém, em resumo, como eram os outros ocupantes do mesmo cargo no Estado que lhe seguiram imediatamente. 

Não surpreende, portanto, que, colocado diante daquela questão pendente, havia anos, a falta de um imóvel indispensável ao desempenho do cargo para o qual fora nomeado, ele tenha tomado uma atitude inimaginável na subserviente biografia de Bulhões. 

Num gesto de ousadia, ele, sem dispor de autorização do rei para fazer isto, ordenou a Landi que elaborasse a planta de um novo palácio e que fizesse logo os seus alicerces. 

Numa mesma correspondência,  de 13 de agosto de 1759, Melo e Castro, inicialmente,  confirmou a notícia do desabamento das paredes da antiga Casa da Residência.

Depois, anunciou sua decisão de iniciar as obras de um novo palácio.

Foi neste trecho que para respaldar sua iniciata, ele invocou não um parecer de mestres pedreiros e carpinteiros, como o enviado, anteriormente, por Bulhões, mas um parecer de Landi. 

Dois anos depois, ele iria receber ordem explícita para proteger e favorecer o arquiteto.

Disse Melo e Castro naquela carta: 

“Não tendo eu ainda toda a notícia do estado em que se achava o dito Palácio veio o arquiteto José Antônio Landi, nos primeiros dias do meu Governo, à minha casa dar-me parte de que o que sobrara do prédioestava vindo abaixo.

E, que era muito conveniente o demolir-se, aproveitando-se a telha e algumas madeiras que ele tinha, e, ainda eram úteis.

O que certamente se não poderia fazer se passassem alguns dias porque a ruína estava iminente”. 

A informação dada por Landi, prosseguiu Melo e Castro, na carta, foi confirmada pela vistoria do imóvel, encomendada, por ordem sua, pelo Provedor da Fazenda Real aos “engenheiros que aqui se acham”. 

O que restava do prédio, informava ele ainda, foi, então, demolido “para se aproveitarem aqueles materiais que estivessem nos termos de poderem servir”.

Só depois deste relato sobre o destino dado ao velho prédio é que, na carta, o governador fala da sua decisão de não esperar autorização real para iniciar a construção da nova residência oficial. 

Escreveu ele:

“Como presentemente estou vivendo em uma casas de aluguel que, para poder usar delas foi preciso unir duas propriedades, abrindo-lhes serventia por dentro, resolvi ordenar ao dito arquiteto Antônio José Landi fizesse o desenho de uma casa decente e sem superfluidade, para residência dos governadores o qual  ele o executou”. 

Depois, Melo e Castro acrescentou: 

“Vendo eu a urgentíssima necessidade que há deste edifício, fico na resolução de mandar abrir os alicerces”.  

A planta de Landi, disse ele ainda, seria anexada à carta para ser examinada na corte. 

Quando já tinha deixado claro que ordenara o início da construção, mesmo sem a prévia autorização, o governador quis amenizar o impacto daquela decisão sua.

Colocou o prosseguimento das obras na dependência de uma eventual ordem do rei neste sentido. 

E adiantou:  se tal ordem não fosse dada,  ele suspenderia as obras e pagaria as despesas feitas até aquele momento com recursos do próprio Estado do Grão-Pará/Maranhão.

(Ilustração: Antiga Travessa da Residência, na Cidade Velha, em Belém)

The Governor’s Residence and Palace in Belém:

A House in Ruins on an Old, Narrow Street

After the 1750s, the Portuguese authorities began to regard the architect Antônio Giuseppe Landi with considerable respect because of the friendship he developed with the former governor of Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

That friendship emerged only after Mendonça Furtado had subjected Landi to arduous and dangerous conditions while serving on the commission responsible for demarcating the boundaries of the Portuguese territories in the still inhospitable interior of the Amazon.

Before that period, the relationship between the two men had been marked by the former governor’s distrust of the architect.

Mendonça Furtado’s mistrust eventually gave way to friendship in 1759.

Thus, in that year, the then governor of Grão-Pará, Bernardo de Melo e Castro, was able to invoke, in a letter sent to Lisbon, the prestige that Landi’s name had acquired at the royal court to support a bold decision he had made.

With that decision, Melo e Castro confronted the Portuguese Crown’s longstanding indifference toward an old problem that had troubled several governors of Grão-Pará: the deplorable condition of the official residence reserved for them.

The building had been in use for more than eighty years.

It had been erected in 1676 in the oldest section of the settlement of Belém, behind the Cathedral, on a lane originally named Travessa da Residência because of the building itself, later renamed Travessa da Vigia, and today known as Travessa Félix Roque.

According to Portuguese law, a building intended for this purpose was officially designated the Casa da Residência (Governor’s Residence).

The governors stayed there whenever they were in Belém, since the capital of the State, where they resided permanently until then, was São Luís.

The best description of the old Casa da Residência was provided by Manoel Barata in his work Formação Histórica do Pará:

“It was built of rammed earth, with two stories, fourteen balcony windows fitted with wooden balustrades on the upper floor of the main façade, and three identical windows on each of the side façades.”

After forty years of occupation of the building, another governor, Christovão da Costa Freire, obtained royal authorization in 1716 to construct a more ambitious official residence, intended to serve as the Palácio da Residência (Governor’s Palace).

The new building was designed to be comparable in importance to the official residences that had been erected in other Portuguese colonies since the second half of the previous century.

Such buildings were typically constructed in open public spaces, such as town squares, allowing the infantry units of the governors’ guards to conduct military drills there.

At that time, Costa Freire began constructing the new official residence using the most advanced building technique of the period—masonry of stone and lime—on the corner of Largo da Sé and Rua do Espírito Santo, the second street established in the settlement, today Dr. Malcher Street.

The project, however, never advanced beyond the ground floor because Costa Freire’s successor, Bernardo Pereira de Barredo, refused to abandon the old residence, arguing that it occupied a better location than the unfinished new building.

Thirty-nine years after that unsuccessful attempt to relocate the Governor’s Residence, the Bishop of Pará, Dom Miguel de Bulhões, assumed the government of Grão-Pará for the first time, replacing Mendonça Furtado while the latter was leading the Boundary Demarcation Commission in the Rio Negro region.

During this period, in a letter dated August 17, 1755, the bishop informed King José I that the old residence had fallen into an advanced state of decay.

He wrote:

“Before departing for the Rio Negro, the Governor and Captain General of the State, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sought to prevent the imminent collapse of this Palace.

On the side facing the backyard it is supported by numerous braces and stands so close to complete ruin.”

The bishop explained that he could not dispense with the building, although its deplorable condition severely hindered the proper exercise of the office of governor.

Dom Miguel de Bulhões added:

“I must continue to reside there nevertheless, because my own residence as bishop is unsuitable both for conducting official business and for accommodating the military officers who are accustomed to attend me.

The Guard Corps and the barracks are located within the same palace. If I were to live separately from them, everything would become disorder and confusion.”

The prelate nevertheless foresaw that such a situation could not continue much longer.

He concluded:

“I confess to Your Majesty that, on many occasions, I have been persuaded that the severity of the rainy season would bring about its final destruction.”

To substantiate his claims regarding the condition of the Casa da Residência, Dom Miguel enclosed with his letter an inspection report prepared by master masons and carpenters whom he had commissioned to examine the building.

This was despite the fact that Grão-Pará already possessed highly competent military engineers.

Apparently, however, the bishop lacked the political influence necessary to call upon those professionals, who were then serving the Portuguese Crown in the Amazon.

Even so, the metropolitan government remained unmoved by the bishop’s warnings.

Historian Augusto Meira Filho, in his book Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará, comments:

“Everything suggests that the Court paid little attention to the appeals made by our administrators.”

Rammed-Earth Walls Soaked by Rain Began to Collapse

Two years later, on October 23, 1757, Dom Miguel informed the King that he had been forced to abandon the palace because its crumbling rammed-earth walls were on the verge of collapse.

He had no choice but to move into private residences.

At the same time, the bishop reported that he had ordered the building to be supported with wooden braces, preventing its immediate collapse.

Mendonça Furtado returned to Belém and resumed his office.

After some time, however, he went back to the Rio Negro region.

Once again, Dom Miguel assumed the government in his place.

Since the Crown still refused to authorize the construction of a new official residence, the bishop decided to undertake a major renovation of the old Casa da Residência.

Barely had the work begun when, exactly as the bishop had foreseen, the rammed-earth walls, saturated by the waters of Belém’s frequent rains, began to collapse.

The final destruction of the building would eventually be reported to the Crown by Manoel Bernardes de Melo e Castro.

Strictly speaking, Melo e Castro had no need to invoke Landi’s prestige to support any decision he might take.

After all, he was a nobleman of distinguished rank who had taken office as Governor of Grão-Pará on March 2, 1759.

He already enjoyed considerable prestige at the Portuguese court.

His position was in no way comparable to that of Bishop Dom Miguel de Bulhões.

The bishop had replaced Mendonça Furtado largely as a reward for the persistent support he gave to the campaign against the Jesuits, whom he repeatedly denounced without hesitation.

Melo e Castro, by contrast, possessed a social standing equal to that of his predecessor as governor of Grão-Pará.

Mendonça Furtado himself was the half-brother of the powerful Marquis of Pombal, Secretary of State of the Kingdom of Portugal.

Melo e Castro also accumulated numerous honorary distinctions.

He was Lord of the Royal Rights of the Town of Sermancelhe, Commander of the Commandery of São Pedro das Alhadas in the Order of Christ, and Colonel Commander of the Infantry Regiment of the Garrison of the Fortress of Caxias.

In short, he belonged to the same distinguished social elite as the governors who immediately succeeded him.

It is therefore unsurprising that, when confronted with the longstanding problem of the lack of an official residence indispensable to the office he had been appointed to hold, he adopted a course of action that would have been unimaginable in the deferential career of Dom Miguel de Bulhões.

In a bold move, and without first obtaining royal authorization, he ordered Antônio Giuseppe Landi to prepare the plans for a new governor’s palace and to begin laying its foundations immediately.

In the same letter, dated August 13, 1759, Melo e Castro first confirmed the collapse of the walls of the old Casa da Residência.

He then announced his decision to begin constructing a new palace.

At this point in the letter, rather than relying on the opinion of master masons and carpenters, as Bulhões had previously done, he chose to support his initiative with Landi’s professional assessment.

Two years later, he would receive explicit instructions from the Crown to protect and favor the architect.

Melo e Castro wrote:

“Before I had been fully informed of the condition of the said Palace, the architect José Antônio Landi came to my residence, during the first days of my administration, to report that what remained of the building was collapsing.

He stated that it would be most advisable to demolish it, salvaging the roof tiles and some of the timber, which were still of use.

This certainly could not be delayed for even a few days, as the collapse was imminent.”

Melo e Castro continued by explaining that Landi’s assessment had been confirmed by an official inspection ordered by him through the Royal Treasury Administrator and carried out by the military engineers then stationed in the captaincy.

What remained of the building, he reported, was therefore demolished “so that those materials still fit for use might be salvaged.”

Only after describing the fate of the old residence did the governor explain his decision not to wait for royal authorization before beginning the construction of the new official residence.

He wrote:

“As I am presently living in rented houses, and in order to occupy them it was necessary to unite two separate properties by opening an internal passage between them, I resolved to order the architect Antônio José Landi to prepare the design for a residence that would be dignified yet free from unnecessary extravagance, to serve as the residence of the governors; this he has already done.”

Melo e Castro then added:

“Considering the extreme urgency of this building, I have resolved to order the foundations to be laid.”

He further stated that Landi’s architectural plan would be enclosed with the letter so that it could be examined by the royal court.

Having already made it clear that he had ordered construction to begin without prior royal approval, the governor sought to soften the impact of his decision.

He declared that the continuation of the works would depend upon a future order from the King.

He also added that, should such authorization not be granted, construction would be suspended, and all expenses incurred up to that point would be paid from the financial resources of the State of Grão-Pará and Maranhão.

(Illustration: The former Travessa da Residência, in the Cidade Velha district of Belém.)

Tags: Belém do ParáculturaDestaquegovernadorHistória
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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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