O Clube do Remo flertou com a vitória, abusou dos erros e, no fim, precisou vestir o macacão da resistência para arrancar um empate dramático diante do Grêmio. O 0 a 0, neste domingo (5), na Arena, em Porto Alegre, teve de tudo: chances desperdiçadas em série, pênalti perdido, expulsão e uma pressão sufocante dos donos da casa — suportada na base da raça.
O Leão começou melhor e teve, logo de cara, a chance de ouro para abrir o placar. Gabriel Taliari, praticamente embaixo da trave, conseguiu o improvável: desperdiçou uma oportunidade clara, simbolizando um problema que acompanharia o time ao longo de toda a partida — a incapacidade de transformar volume em gol.
Mesmo assim, o Remo se impôs. Marcou bem, equilibrou a posse e criou as melhores situações. Até que, aos 37 minutos do primeiro tempo, veio a chance perfeita: pênalti marcado após revisão do VAR. Era o momento de colocar justiça no placar. Mas não foi. Alef Manga parou no goleiro Weverton, e o que era domínio virou frustração.
Na volta do intervalo, o roteiro começou a mudar. O Grêmio passou a ocupar mais o campo ofensivo, ainda que sem grande criatividade. O Remo, por sua vez, seguia perigoso nos contra-ataques — mas insistia em errar na hora decisiva.
O ponto de ruptura veio aos 23 minutos: Pikachu, já advertido, puxou o adversário e foi expulso. Um erro evitável que custou caro. Com um a mais, o Grêmio cresceu, pressionou, empurrou o Remo para trás e transformou o restante do jogo em um verdadeiro teste de sobrevivência para os paraenses.
Bombardeado, o Leão resistiu. Marcelo Rangel apareceu quando exigido, a defesa se multiplicou e o time, mesmo acuado, não se entregou. O que faltou em eficiência ofensiva sobrou em entrega defensiva.
No fim, o empate sem gols teve gosto agridoce: poderia ser vitória, virou sofrimento, mas terminou como um ponto conquistado com suor. O resultado tira o Remo da lanterna, mas ainda o mantém na zona de rebaixamento — um retrato fiel de um time que compete, mas insiste em desperdiçar as próprias oportunidades.
Se quiser algo além da luta pela sobrevivência, o Leão vai precisar aprender, com urgência, a fazer o mais importante no futebol: transformar chances em gol.















