Douglas Schwartzmann, agora ex-diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e até então diretora feminina, cultural e de eventos do clube, pediram licença de seus cargos nesta segunda-feira. Os dois passarão a ser investigados internamente após o vazamento de um áudio que revela um esquema de comercialização clandestina de camarote do estádio do Morumbis em dias de shows.
O pedido de afastamento foi formalizado poucas horas depois de o GE revelar o conteúdo da gravação, na qual Douglas Schwartzmann admite que ele e outras pessoas ganharam dinheiro com a venda irregular de ingressos. O áudio detalha a utilização de um camarote do estádio para fins comerciais, sem autorização formal do clube, durante apresentações musicais realizadas no local.
Na conversa gravada, Schwartzmann afirma que Mara Casares recebeu do superintendente Marcio Carlomagno o camarote utilizado no esquema e que, a partir disso, ingressos do show da cantora Shakira, realizado em fevereiro deste ano, foram comercializados. Marcio Carlomagno é descrito como braço direito do presidente Julio Casares e principal nome da situação visando a eleição de 2026 no São Paulo.
O camarote citado na gravação e que originou também um processo judicial ao qual o GE teve acesso é o de número 3A, localizado no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço aparece identificado como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório de Julio Casares e é utilizado para reuniões internas e até entrevistas.
Segundo o áudio, o direito de uso do camarote foi repassado pelos dirigentes a Rita de Cassia Adriana Prado, apontada como intermediária do esquema e a terceira pessoa que participa da conversa gravada. Era ela quem explorava comercialmente o espaço e realizava a venda dos ingressos. Os valores cobrados chegaram a até R$ 2,1 mil por ingresso para o show da cantora colombiana. Apenas com a exploração do camarote 3A, o faturamento estimado teria sido de R$ 132 mil.
Em outro trecho da ligação, Douglas Schwartzmann afirma que Marcio Carlomagno tinha conhecimento de tudo o que acontecia e demonstra preocupação com as possíveis consequências para o superintendente. No áudio, ele diz:
– Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio.
Na sequência, Douglas menciona diretamente a possível responsabilização de Marcio Carlomagno e tenta se desvincular formalmente do esquema:
– E o Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela (Mara). Eu não tenho nada com isso, não tenho meu nome em nada. Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá. Agora, a Mara tem e o Marcio também. Quer prejudicar a Mara e o Marcio? Só queria entender o que você quer fazer com isso.
Em outro momento da gravação, Schwartzmann admite que obteve ganhos financeiros com o repasse de camarotes. Apesar disso, no áudio divulgado, apenas o uso do espaço durante o show da Shakira é discutido entre os três participantes da conversa.
No trecho final revelado, Douglas reforça que o esquema teria sido realizado com base em confiança entre os envolvidos e reconhece que todos lucraram:
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.
O São Paulo agora apura internamente os fatos relacionados ao vazamento do áudio e à utilização irregular do camarote do Morumbis, enquanto Douglas Schwartzmann e Mara Casares permanecem afastados de suas funções no clube.















