Moradores do Quilombo do Abacatal, em Ananindeua, interditaram na manhã desta segunda-feira (2), a Rodovia Liberdade, na Região Metropolitana de Belém. O grupo cobra o início das obras de asfaltamento da estrada que dá acesso à comunidade, além da execução de medidas de mitigação relacionadas à construção da via.
De acordo com a coordenação local, a principal reivindicação envolve o cronograma das obras, compensações previstas e intervenções estruturais consideradas necessárias pelos moradores. Entre os pontos citados estão problemas em uma mureta de elevado, trechos onde o asfalto teria cedido e serviços que ainda não foram iniciados.
A Rodovia Liberdade é uma via projetada para ligar bairros da capital paraense a municípios vizinhos, facilitando o tráfego na Região Metropolitana. O traçado passa próximo a áreas de comunidades tradicionais, incluindo o Quilombo do Abacatal, situado entre Belém e Ananindeua.
Segundo Ednalva Seabra Cardoso, coordenadora do Quilombo do Abacatal, as obras da rodovia seguem em execução, mas as ações voltadas à comunidade não estariam sendo realizadas no mesmo ritmo. Ela afirma que moradores decidiram bloquear a via para cobrar definições sobre prazos e execução dos serviços.
“A reivindicação é pelas obras de asfaltamento da estrada da comunidade, pelas mitigações que, segundo os moradores, não estão sendo compensadas corretamente, pela mureta do elevado que estaria cedendo, por trechos onde o asfalto apresentou problemas e por outras obras que ainda não foram iniciadas”, explicou.
Outra moradora, Melina Guajajara, relatou preocupação com a estrutura de um túnel localizado na área. Segundo ela, há risco devido à ausência de contenções adequadas. A comunidade também menciona impactos próximos ao Rio Aracanga e em áreas onde há nascente sob a ponte existente.
“Viemos protestar porque as obras da rodovia continuam seguindo conforme o planejamento deles, mas as mitigações para a comunidade não. Estamos aqui em cima do túnel, que está ameaçando desabar, pois não há estrutura de sustentação, e nós passamos por aqui diariamente, o que aumenta o risco. A obra foi realizada próxima ao Rio Aracanga, logo à frente. Debaixo da nossa ponte há um olho d’água, ou seja, não existe estrutura adequada, e isso pode desabar a qualquer momento. Viemos protestar para que as mitigações de risco sejam realizadas e garantam nossa segurança”, disse Melina.
Um representante da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) esteve no local, segundo os moradores, mas não apresentou cronograma formal com datas de início e conclusão das intervenções solicitadas.
“Leonardo esteve no local e informou que o asfaltamento começaria no dia seguinte, mas não foi apresentado um plano de trabalho com cronograma de início e conclusão das obras”, disse Ednalva.
A equipe de reportagem do portal Ver-o-Fato entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) para posicionamento oficial sobre as reivindicações e o andamento das obras, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.















