👉🏻Último exemplar sobrevivente da frota da TEAL/Air New Zealand será desmontado e transportado por navio em operação que custará centenas de milhares de dólares
👉🏻 Projeto “Bring Our Birds Home” enfrenta obstáculos legais, logísticos e financeiros para transportar DC-8 do Brasil até a Nova Zelândia
👉🏻 Aeronave histórica que operou em rotas internacionais será restaurada e transformada em museu na Nova Zelândia através de arrecadação de fundos na modalidade crowdfunding internacional
Brasília – Uma organização neozelandesa lançou uma campanha de arrecadação de fundos para restaurar e transportar um avião à jato Douglas DC-8 que permanece abandonado no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, desde 2003. O projeto “Bring Our Birds Home” (BOBH), que significa “Tragam Nossos Pássaros para Casa”, pretende transformar a aeronave em uma peça de museu na Nova Zelândia, resgatando um importante capítulo da história da aviação comercial internacional.
A aeronave em questão, um Douglas DC-8-52 com matrícula PP-TPC, representa o último exemplar sobrevivente da frota da companhia aérea neozelandesa TEAL, posteriormente conhecida como Air New Zealand.
Segundo informações do projeto, o avião chegou ao Brasil nos anos 1980 e operou sob diferentes companhias aéreas nacionais até ser desativado há mais de duas décadas. A escolha de Manaus como ponto de abandono reflete a realidade logística da aviação brasileira, onde aeronaves obsoletas frequentemente permanecem estacionadas em aeroportos regionais da Amazônia.
Para financiar a iniciativa, a BOBH implementou um modelo criativo de arrecadação de fundos através da venda simbólica de posições de cabine.
Os doadores podem adquirir assentos virtuais de comandante, copiloto, engenheiro de voo, navegador e jump seat, com valores que variam entre cinco mil e vinte mil dólares americanos.
Este método de crowdfunding permite que entusiastas da aviação participem do resgate histórico enquanto seus nomes ficam associados a partes específicas da aeronave restaurada.
Os obstáculos para concretizar o projeto, contudo, são substanciais e multifacetados. No âmbito legal, a aeronave enfrenta processos judiciais em andamento no Brasil relacionados à questão de propriedade, o que complica significativamente os trâmites necessários para sua exportação. Além disso, o apoio da administração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes tem sido fundamental para manter a aeronave no local durante as negociações.
Do ponto de vista logístico, a situação apresenta desafios igualmente complexos. O Douglas DC-8, com suas dimensões características de um quadrijato de grande porte, não pode ser transportado inteiro por via aérea ou marítima em seu estado atual.
Consequentemente, a aeronave precisará ser desmontada em seções para ser transportada por navio até a Nova Zelândia, um processo que demanda expertise especializada e recursos financeiros consideráveis. Estimativas indicam que apenas o transporte marítimo custará centenas de milhares de dólares, valor que se soma aos custos de restauração e preparação da aeronave.
A degradação causada pelo clima amazônico representa outro fator crítico. Décadas de exposição à umidade, chuva e calor intenso da região afetaram significativamente a estrutura e os sistemas da aeronave, tornando a restauração ainda mais complexa e custosa.
Apesar desses desafios, a BOBH mantém seu compromisso com o projeto, vendo na preservação do DC-8 uma oportunidade de honrar a história da aviação comercial e manter viva a memória de uma era dourada dos voos internacionais.
O Douglas DC-8 ocupa um lugar especial na história da aviação mundial. Desenvolvido pela Douglas Aircraft Company como resposta ao sucesso do Boeing 707, o DC-8 realizou seu primeiro voo em 30 de maio de 1958 e entrou em serviço comercial em 1959.
No Brasil, a Panair do Brasil foi a primeira operadora, recebendo dois DC-8-33 no início da década de 1960 para suas rotas internacionais para a Europa.
Após o encerramento das atividades da Panair em 1965, a Varig assumiu dois exemplares da frota, operando-os nas principais rotas internacionais da companhia até 1978.
A iniciativa da BOBH representa mais que um simples resgate de uma aeronave obsoleta. Ela simboliza o esforço de preservação da memória histórica da aviação comercial, um setor que transformou a conectividade global e marcou gerações de viajantes.
O sucesso do projeto dependerá da capacidade da organização em resolver as questões legais pendentes no Brasil, angariar os recursos financeiros necessários e executar um plano logístico sofisticado.
Enquanto isso, o DC-8 PP-TPC permanece em Manaus, aguardando seu destino final como testemunho silencioso de uma era em que os grandes quadrijatos dominavam os céus das rotas internacionais.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.








