IDC aponta salto de R$ 1.361 para R$ 2.557 em um ano, enquanto consumidor prioriza custo-benefício e durabilidade
Brasília – Levantamento da redação do Ver-o-Fato aponta que o consumidor brasileiro que procura um celular com bom custo-benefício em outubro encontra um mercado cada vez mais equilibrado entre Samsung, Motorola e Xiaomi, marcas que dividem boa parte das prateleiras no país. A seleção reúne seis aparelhos intermediários lançados entre 2025 e 2026, com preços que variam de R$ 1.483, caso do Galaxy A37, da Samsung, a R$ 2.584, caso do Xiaomi Redmi Note 15 Pro, todos disponíveis em varejistas como Amazon e Mercado Livre, com valores checados durante a apuração da matéria.
O contexto que cerca essa disputa é de um mercado em transformação. O Brasil encerrou junho de 2026 com 277,8 milhões de acessos móveis (chips ativos), com densidade de 100,24 celulares por 100 habitantes, ou seja, mais de um chip por pessoa em média, ante os 270,2 milhões registrados em novembro de 2025. O número de chips supera a população de cerca de 212 milhões porque muitos brasileiros usam mais de um chip, frequentemente em aparelhos dual SIM. Se a métrica for aparelhos físicos em uso, a base instalada ativa de smartphones fica bem menor, com a Omdia estimando cerca de 175 milhões de aparelhos ativos em 2024.
Pesam na decisão do brasileiro duas questões, uma de ordem econômica, ligada ao orçamento familiar e ao preço do aparelho, e outra ligada à obsolescência, que envolve o tempo de uso do modelo escolhido e a mudança tecnológica, como a diferença entre aparelhos de geração 4G, mais baratos, e os de conectividade 5G. O ciclo médio de troca está entre 2 e 3 anos, e a pesquisa Mobile Time/Opinion Box de 2025 revela que apenas 7% trocam de smartphone todo ano, enquanto a maior parte, 30%, troca a cada 3 anos, 27% a cada 2 anos, 19% a cada 4 anos e 16% ficam 5 anos ou mais com o mesmo aparelho, ante uma média de 2 anos e 3 meses apontada por estudo de 2021.
A pauta ganha relevância porque o segmento intermediário deixou de ser sinônimo de corte de recursos. A reportagem analisou telas Super AMOLED, câmeras versáteis e baterias de longa duração, itens que já não são exclusividade dos topos de linha e migraram para aparelhos de faixa média avançada. A disputa se intensifica em um cenário no qual a Samsung mantém a liderança isolada nas vendas no Brasil, seguida pela Xiaomi, na vice-liderança, enquanto a Motorola, embora ainda forte, perde participação diante da concorrência, conforme dados de veículos especializados consultados para a reportagem.

A lista abre com o Samsung Galaxy A37 (128 GB), a partir de R$ 1.483, o mais barato da seleção. Lançado em abril deste ano, o aparelho traz traseira em vidro Gorilla Glass Victus+ e certificação IP68 contra água e poeira. A redação destaca a tela Super AMOLED de 120 Hz com brilho de pico de 1.900 nits e a câmera principal de 50 MP, além da lente macro de 5 MP que surpreendeu pela categoria.
Destaque para a nitidez e a fluidez da tela intima o usuário a deixar o computador de lado para assistir a filmes e séries no smartphone. O processador Exynos 1480 marcou 1.012.211 pontos no AnTuTu (um aplicativo técnico de medição), e a Samsung garante seis anos de atualizações de sistema. Como contraponto, foi relatado por consumidores que apontaram que a tela apresentou arranhões após uma semana de uso nos testes, mesmo com a proteção Gorilla Glass 7i, e que o carregador incluso fica limitado a 15 W.

Na sequência, o Motorola Moto G86 (256 GB), a partir de R$ 1.558, aposta em construção resistente para durar anos, com traseira plástica em cores assinadas pela Pantone e certificação IP68/IP69 contra água e poeira. A tela Super HD pOLED de 6,67 polegadas entrega boa nitidez e cores vibrantes, com suporte a HDR10+ e taxa de 120 Hz, segundo os testes do portal internacional Tech Advisor.
O processador Dimensity 7300, com 8 GB de RAM, mantém a navegação responsiva, e o sensor principal Sony LYTIA 600 de 50 MP entrega cores naturais e equilibradas. Entre os contras apontados estão o zoom pouco eficiente a distância e a quantidade considerável de aplicativos pré-instalados, indicam os testes publicados.

O terceiro colocado é o Samsung Galaxy A57 (128 GB), a partir de R$ 1.709, destaque da seleção em acabamento premium. Lançado em abril de 2026, o aparelho combina vidro com certificação IP68, espessura de apenas 6,9 mm e peso de 179 g. Destaque para ergonomia e o visual, e a cor azul gelo.
A tela Super AMOLED+ de 6,7 polegadas roda a 120 Hz e atinge 1.900 nits, enquanto a câmera principal de 50 MP traz estabilização óptica. O processador Exynos 1680 marcou 1.377.665 pontos no AnTuTu, evolução sobre o antecessor A56, e a Samsung garante seis anos de atualizações, até 2032. Porém, o carregador incluso é de apenas 15 W, bem abaixo dos 45 W suportados pelo aparelho, o que aumenta substancialmente o tempo de carregamento total da bateria — um incômodo.

Subindo um degrau, o Motorola Edge 60 Pro (256 GB), a partir de R$ 2.429, combina corpo leve e compacto com certificação IP68, segundo a análise do GSMArena. O sistema de câmeras surpreendeu com uma ultrawide de 50 MP e uma teleobjetiva dedicada de 3x, ainda incomum nessa faixa de preço.
O processador Dimensity 8350, com armazenamento rápido UFS 4.0, sustenta bem o desempenho, e a bateria de silício-carbono de 6.000 mAh garante boa autonomia. Como ressalvas, registra-se a taxa de atualização limitada a 120 Hz e a câmera selfie que perdeu o autofoco nesta geração.

O Poco X8 Pro (512 GB), a partir de R$ 2.584, da Xiaomi, fecha o grupo dos mais caros e é apontado como a escolha para quem prioriza desempenho e bateria. Com estrutura metálica, traseira de vidro e processador Dimensity 8500-Ultra, o modelo marcou 1.973.326 pontos no AnTuTu, número semelhante ao do Galaxy S25 FE, intermediário premium da Samsung.
Nos testes práticos, o aparelho chegou a 120 fps em jogos como Honkai: Star Rail e se saiu bem em EA Sports FC Mobile e Fortnite. A bateria de 6.500 mAh durou 24 horas em uma rotina intensa, com o carregador de 100 W HyperCharge completando a carga em 48 minutos. A principal ressalva fica nas câmeras, consideradas o ponto mais fraco, com resultados inconsistentes em ambientes de pouca luz.

Encerrando a lista, o Xiaomi Redmi Note 15 Pro (512 GB), também a partir de R$ 2.584, foi lançado em janeiro deste ano com certificação SGS contra quedas e torções e proteção IP69K contra poeira e jatos de água.
A tela AMOLED de 6,83 polegadas roda a 120 Hz e chega a 3.200 nits de brilho, e a câmera principal de 200 MP entregou fotos nítidas durante o dia e à noite. A bateria de 6.580 mAh pode passar de dois dias em uso leve, comprovam os testes. O peso de 210 g pode incomodar em uso prolongado e a interface HyperOS incomoda pela quantidade de sugestões de instalação de aplicativos.

Consumidor sob pressão
Na pesquisa complementar ficou constatado que o cenário econômico pressiona o consumidor. Segundo a IDC, o preço médio do smartphone no Brasil saltou de R$ 1.361 no primeiro trimestre de 2024 para R$ 2.557 no primeiro trimestre de 2025, uma alta de 88% em um ano, atribuída principalmente à valorização do dólar e ao custo de componentes e memória, o que fez as vendas caírem cerca de 10% em 12 meses.
Ao mesmo tempo, a Omdia mostra que modelos abaixo de R$ 1.200 ainda respondem por cerca de 40% das vendas em 2025, o dobro do ano anterior, indicando uma premiumização em que os que compram caro gastam muito mais, enquanto a maior parte dos consumidores ainda busca custo-benefício na faixa de entrada e intermediária. No ranking de marcas e preços, fica claro o movimento que o levantamento do Ver-o-Fato reflete na seleção de aparelhos, que bate ao cruzar os dados das vendas no Top 3: Samsung, Xiaomi e Motorola.
Em termos de critérios, a seleção considerou celulares intermediários com lançamentos recentes das principais marcas no mercado brasileiro e especificações bem avaliadas, com a ordem seguindo o valor à vista nas lojas parceiras, do mais barato ao mais caro.
O consumidor, diante de tantas opções, deve avaliar sem se afobar ou se deixar levar pela ansiedade, e comparar: tela, processador, câmeras, bateria e suporte de software, lembrando que quanto mais anos de atualização garantidos, maior a vida útil do investimento.
O levantamento revela que a disputa pelo consumidor brasileiro no segmento intermediário se trava menos pela diferença de preço e mais pela combinação de tela, câmera, bateria e longevidade de software, com Samsung, Xiaomi e Motorola oferecendo opções equilibradas que aproximam a qualidade dos topos de linha a valores acessíveis, o que tende a beneficiar quem busca um aparelho durável sem abrir mão de recursos antes reservados aos modelos mais caros.
Em um mercado que encolheu 11% no primeiro semestre de 2026, segundo a Counterpoint Research, e no qual o preço médio disparou 88% em um ano, a aposta das fabricantes em intermediários robustos surge como resposta direta a um consumidor mais cauteloso, que troca de aparelho a cada dois ou três anos e exige durabilidade real pelo valor investido.
Val-André Mutran é repórter especial do PortalVer-o-Fatoe está sediado em Brasília.















