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Home Cultura

Portugueses preguiçosos usavam índios escravizados para não terem de trabalhar, no Gram-Pará

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
28/05/2026
in Cultura
Portugueses preguiçosos usavam índios escravizados para não terem de trabalhar, no Gram-Pará
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Mais que óbvio, era gritante o fato de as ordens religiosas enriquecerem,no Gram-Pará, com a exploração da mão-de-obra dos índios, nas aldeias destinadas a elas, pela administração colonial portuguesa.

Este enriquecimento estava estampado, em Belém, nas suas edificações.

A Igreja do Carmo e o convento pelos carmelitas.

As capelas e o convento pelos franciscanos.

E, sobretudo, a Igreja de Santo Alexandre e o convento pelos jesuítas.

Porque a obtenção de recursos para as construções destas edificações, realizadas no período entre os últimos anos de 1600 e as primeiras décadas de 1700, só parcialmente poderia ser explicada como decorrente do recebimento de doações.

Algumas destas doações, por exemplo, foram feitas aos carmelitas pelo Barão da Ilha Grande de Joannes, Luiz Gonçalo Souza de Macedo, como revela Manoel Barata, em “Formação Histórica do Pará”.  

Para eles, o barão transferiu as posses, no dia 6 de fevereiro de 1696, de duas léguas de suas terras, na margem esquerda do Rio Arari. 

E, de outras três léguas, na margem oposta, incluindo, na sua doação, a Ilha de Santa Ana, situada na foz daquele rio. 

Mas, estas doações foram pontuais e raras. 

Pois, o controle de aldeias indígenas foi, o que, de fato, acumulou os religiosos do Gram-Pará com a riqueza empregada usadas nas suas edificações.

Como o controle das aldeias que os franciscanos obtiveram, em 1699.

A ordem religiosa se beneficiou até o ano de 1715, com a autorização dada a ela pelo rei dom João V, para que controlasse todas as aldeias localizadas ao norte do rio Amazonas, e, nas terras do cabo do Norte. 

A ordem que mais enriqueceu com a administração das aldeias foi a Companhia de Jesus.

Os jesuítas adquiriram o controle de cinquenta e duas aldeias, entre o Maranhão, o Gram-Pará e o Amazonas, segundo João Lúcio deAzevedo, na sua obra “Os jesuítas no Gram-Pará”.

Este poder dado às três ordens religiosas, de disporem da mão-de-obra dos índigenas, provocou permanente indignação nos colonos portugueses.

Gerava ódio neles, e, seria a causa de muitos conflitos no povoado de Belém. 

Era apontado como a causa do estado de pobreza no qual viviam os colonos portugueses.

O que era só uma meia verdade. 

Porque a pobreza deles resultava igualmente do processo histórico pelo qual se formou a colônia de imigrantes de Portugal no Gram-Pará. 

Inicialmente ela foi composta somente por soldados, degradados e estrangeiros presos, na região. 

Entre os soldados, os mais antigos, tinham acompanhado Castelo Branco, desde São Luiz, na expedição de fundação de Belém, em 1616.

Outros, haviam chegado junto com os sucessivos governadores do Estado.

Outros, eram soldados portugueses derrotados pelos holandeses na costa de Pernambuco, em batalhas travadas a partir de 1648, que tinham se abrigado no Gram-Pará. 

Havia muitos degregados na colônia portuguesa. . 

Mas, observa Azevedo, que não se podia perder de vista uma verdade histórica: naquela época, em Portugal, se puniam com o degredo “delitos leves, fúteis pecadilhos, simples transgressões de lei”.

O historiador acrescenta: estes degredados não se comparavam com “a ralé de criminosos, com que depois se povoou a Austrália”.

Quanto aos estrangeiros, eram remanescentes de expedições desbaratadas pelos portugueses, na região. 

Os primeiros verdadeiros colonos portugueses

Só foram aparecendo no Gram-Pará os primeiros verdadeiros colonos portugueses, à medida em que surgiram as possibilidades de exploraçãoda mão-de-obra indígena.

Pois eram os índios que, no desempenho de muitas outras atribuições,conseguiam localizar e colher nas florestas as chamadas “drogas do sertão” – baunilha, cravo, cacau, salsa etc – com as quais os colonos podiam lucrar exportando-as para a metrópole.

A emigração para o Gram-Pará se deu junto com a que ocorreu para outras regiões da América.

E, a partir de certo instante, as autoridades da metrópole chegaram até atemer que ocorresse o despovoamento do reino.

Foram, então, tomadas algumas providências com o objetivo de conter o excesso de emigração.

Mas elas não se mostraram inteiramente eficazes. 

Deste modo, uma das províncias portuguesas, a do Minho, se viu ameaçada de despovoamento nos anos iniciais de 1700. 

Os portugueses que vieram para o Gram-Pará eram, em geral, pessoas simples.

Estavam entre aqueles que vinham para a América também por outro motivo: a perspectiva de desfrute de um luxo inatingível para eles em Portugal.

O de disporem de servos e escravos que lhes garantissem vida ociosa.

Esta busca de ociosidade foi mencionada como um das duas razões da pobreza dos colonos portugueses pelo superior dos jesuítas, em Belém, naquele período, o padre João Felipe Bettendorff, no seu livro “A Crônica da Missão dos Padres da Companhia de Jesus, no Estado do Maranhão”.

A outra razão seriam os maus administradores do Gram-Pará, escolhidos pela metrópole. 

Afirma Bettendorff:

“O Gram-Pará se bem é mui pobre, não é isso por lhe faltar meios com que possa ser um dos mais ricos impérios do mundo. Mas é por falta de bom governo e industriados moradores.

Os quais todos querem viver à lei da nobreza e serem servidos em o Pará. Quando a mór parte deles em suas terras serviriam a outros. E,quando menos, a si mesmo.

E, como, por esta soberba, os castigue Deus, tirando-lhes os  escravos que lhe serviam, ficam pobres.

Podendo ser abundantes em tudo, se deixada tanta ambição de honra que os mata, tratassem de servir como peões à nobreza. E, quandomenos, a si mesmos para bem de suas famílias”. 

A pouco disposição dos colonos para o trabalho é registrada também por Augusto Meira Filho, na sua obra “Evolução Histórica de Belém, no Grão-Pará”.

Ele escreveu: 

“O colono branco não se dispunha a executar os mínimos trabalhos para os seu sustento e enfrentar a natureza para conquistá-la e às suas riquezas”. 

Conclui Meira Filho:

Ao se comportarem como quem sentia repulsa pelo trabalho, os colonos portugueses do Gram-Pará eram iguais aos de outras regiões do Brasil. Dependiam inteiramente de escravos e servos para a execução de um sem-número de tarefas. 

Nestor Goulart Reis Filho, em “Contribuição à Evolução Urbana do Brasil”, mostra como era usados os escravos e as escravas, dentro das casas dos colonos.

Eles cuidavam, nos quintais das casas, das hortas, das frutas, das aves, dos ovos. Transportam águas retiradas de fontes públicas para o interior das residências. Preparavam os alimentos e os banhos de seus senhores. 

Teciam suas roupas, lavavam-nas engomavam-nas, e, bordavam seus enfeites. Coletavam o material fecal dos esgotos e os levavam até os lugares de seu despejo. 

Quando a família tinha algum tipo de negócio, eles transportavam suas mercadorias nas costas e tratavam de seus cavalos. 

E, ainda, ofereciam seus filhos, moleques e mocinhas, para levarem recados, servirem de pajens das crianças brancas e fazem companhia aos adultos.

Fora das suas residências, os colonos portugueses para garantirem sua ociosidade também encontravam uma ampla variedade de utilidades na mão-de-obra indígena.

Obrigavam os índios não só a colher os produtos da floresta.  Como ainda os obrigavam a tripular canoas, cultivar roças de maniva, fabricar farinha, plantar milho, arroz, feijão, cana, tabaco.

E, também, a servir como vaqueiros e feitores de fazendas e engenhos.

Os trabalhos forçados destinados às índias 

As índias executavam os serviços domésticos, amamentavam, e,cuidavam dos filhos dos seus senhores.

Mas, não escapavam do trabalho forçado fora das residências. Elas, ainda, descaroçavam, batiam e fiavam algodão, teciam panos, faziam artesanatos. 

Diz Domingos Antônio Rayol, em “Catequese dos Índios”: 

“Todos tratavam de explorar os indígenas, sem consideração alguma, roubando-lhes a liberdade, a família, a atividade, o vigor e o sossego. Expostos aos rigores do sol e das chuvas esses infelizes eram forçados ao trabalho, dia e noite, sem descanso sem conforto. Com suor de seusrostos e a força dos seus braços, edificavam-se as igrejas, os conventos, os hospitais, os palácios, as fortalezas e os armazéns reais”.

Outro autor antigo, João Francisco Lisboa, escreveu no seu “Jornal do Timon:

Os índios abriam estradas, lavravam a terra, colhiam seus frutos, beneficiavam os produtos dos engenhos e tripulavam as canoas.

Deste modo, as mais importantes especializações funcionais para a vida econômica da região, tais como as de pescador, caçador, lavrador de terras, apanhador de drogas e remeiro, eram operadas pelos índios, afirma Leandro Tocantins, em “Amazônia, homem e tempo”.

Particularmente destacada por Tocantins foi a especialização do remeiro.

Ele lembra que o homem amazônico colonial foi chamado por Arthur Cézar Reis de “sertanista fluvial”, tão importantes eram os deslocamentos através dos rios na vida dele. 

Tocantins escreveu:

“Na Amazônia, o cavalo foi e é a canoa”. 

Mas pegar nos remos, dentro da mentalidade dos colonos portugueses, era se colocar dentro de um oficio inferior e constrangedor para quem tinha prestígio social. 

Prossegue Tocantins:

Por isto, o remeiro, como tripulante da canoa, se tornou indispensável naquela sociedade, duplamente flutuante. Devido à mobilidade das pessoas entre os seus diversos extratos sociais. E, por “viver embarcada, de um lado para o outro”. 

Ele concluiu:

O índio era culturalmente condicionado a enxergar de outro modo o oficio de remar.

E, ao exercê-lo, em benefício do colono, permitia-lhe manter seu suposto ar de dignidade. Mas, sem a canoa, não seria possível o giro mercantil, a ida às drogas, o transporte entre os pontos de interesse social. 

E sem o remeiro todos ficavam de mãos atadas.

Tão úteis e produtivos eram os índios que, quando não estavam trabalhando para os colonos, estavam servindo às ordens religiosas ou à administração da colônia. 

Eles foram empregados até nas guerras contra tropas de outros países e nas expedições de resgate em tribos de outros índios.

(Ilustração: Aprisiomento de índias, na tela de Jean Debret, de 1830) 

Lazy Portuguese Colonists Used Enslaved Indians
          So They Would Not Have to Work in Grão-Pará

It was more than obvious — it was glaringly evident — that the religious orders in Grão-Pará grew wealthy through the exploitation of Indigenous labor in the villages placed under their control by the Portuguese colonial administration.

This wealth was visibly reflected in their buildings in Belém.

The Church of Carmo and the convent built by the Carmelites.

The chapels and convent built by the Franciscans.

And, above all, the Church of Santo Alexandre and the convent built by the Jesuits.

For the resources used in the construction of these buildings, erected between the final years of the seventeenth century and the first decades of the eighteenth century, could only partially be explained as resulting from donations.

Some of these donations, for example, were made to the Carmelites by the Baron of Ilha Grande de Joannes, Luiz Gonçalo Souza de Macedo, as revealed by Manoel Barata in “Formação Histórica do Pará.”

On February 6, 1696, the baron transferred to them possession of two leagues of his lands on the left bank of the Arari River.

He also donated another three leagues on the opposite bank, including Santa Ana Island, located at the mouth of that river.

But these donations were occasional and rare.

In reality, it was the control of Indigenous villages that accumulated the wealth used by the religious orders of Grão-Pará in their constructions.

Such was the case with the villages controlled by the Franciscans beginning in 1699.

The order benefited until 1715 from authorization granted by King João V allowing it to control all the villages located north of the Amazon River and in the lands of Cabo do Norte.

The religious order that became wealthiest through the administration of villages was the Society of Jesus.

According to João Lúcio de Azevedo, in his work “Os Jesuítas no Grão-Pará,” the Jesuits acquired control over fifty-two villages spread across Maranhão, Grão-Pará, and Amazonas.

This power granted to the three religious orders — the right to dispose of Indigenous labor — provoked permanent indignation among the Portuguese colonists.

It generated hatred among them and would become the cause of many conflicts in the settlement of Belém.

It was pointed to as the reason for the state of poverty in which the Portuguese colonists lived.

This, however, was only half true.

For their poverty also resulted from the historical process through which the Portuguese immigrant colony in Grão-Pará had been formed.

Initially, it consisted solely of soldiers, convicts, and foreigners imprisoned in the region.

Among the soldiers, the oldest had accompanied Castelo Branco from São Luís in the expedition that founded Belém in 1616.

Others had arrived together with successive governors of the State.

Still others were Portuguese soldiers defeated by the Dutch on the coast of Pernambuco in battles fought from 1648 onward, who had taken refuge in Grão-Pará.

There were many convicts in the Portuguese colony.

But, as Azevedo observes, one should not lose sight of a historical truth: at that time in Portugal, exile was imposed for “minor offenses, trivial sins, simple infractions of the law.”

The historian adds that these exiles could not be compared to “the rabble of criminals with which Australia was later populated.”

As for the foreigners, they were remnants of expeditions dismantled by the Portuguese in the region.

The First True Portuguese Colonists

The first true Portuguese colonists only began appearing in Grão-Pará as opportunities arose for exploiting Indigenous labor.

For it was the Indians who, while performing many other duties, were able to locate and gather in the forests the so-called “drogas do sertão” — vanilla, cloves, cacao, sarsaparilla, and other products — from which the colonists could profit by exporting them to the metropolis.

Migration to Grão-Pará occurred alongside migration to other regions of the Americas.

At a certain point, the authorities of the metropolis even feared the depopulation of the kingdom.

Measures were then taken in an attempt to contain excessive emigration.

But these measures proved only partially effective.

Thus, one of the Portuguese provinces, Minho, found itself threatened with depopulation in the early years of the eighteenth century.

The Portuguese who came to Grão-Pará were, generally speaking, simple people.

They were among those who came to the Americas also for another reason: the prospect of enjoying a kind of luxury unattainable for them in Portugal.

The luxury of having servants and slaves who would guarantee them an idle life.

This search for idleness was mentioned as one of the two reasons for the poverty of the Portuguese colonists by the Jesuit superior in Belém at that time, Father João Felipe Bettendorff, in his book “A Crônica da Missão dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão.”

The other reason, according to him, was the poor administrators of Grão-Pará chosen by the metropolis.

Bettendorff stated:

“Although Grão-Pará is indeed very poor, this is not because it lacks the means to become one of the richest empires in the world. Rather, it is due to the absence of good government and industrious inhabitants.

All of them wish to live according to the laws of nobility and be served in Pará, whereas most of them, in their own lands, would be serving others — or at the very least, themselves.

And because of this pride, God punishes them by taking away the slaves who served them, leaving them poor.

They could be abundant in all things if, abandoning the excessive ambition for honor that destroys them, they agreed to serve as laborers for the nobility, or at least serve themselves for the well-being of their families.”

The colonists’ unwillingness to work was also recorded by Augusto Meira Filho in his work “Evolução Histórica de Belém no Grão-Pará.”

He wrote:

“The white colonist was unwilling to perform even the most basic labor necessary for his own sustenance or to confront nature in order to conquer it and its riches.”

Meira Filho concluded:

By behaving as though they felt repulsion toward labor, the Portuguese colonists of Grão-Pará resembled those of other regions of Brazil. They depended entirely on slaves and servants to carry out countless tasks.

Nestor Goulart Reis Filho, in “Contribuição à Evolução Urbana do Brasil,” describes how slaves, both male and female, were employed within the colonists’ households.

They tended vegetable gardens, fruit trees, poultry, and eggs in the backyards. They carried water from public fountains into the residences. They prepared food and baths for their masters.

They wove clothing, washed and starched garments, and embroidered decorative details.

They collected human waste from cesspits and transported it to dumping sites.

When the family owned some type of business, the slaves carried merchandise on their backs and cared for horses.

They also offered their children — boys and girls — to deliver messages, serve as pages for white children, and keep company with adults.

Outside their homes, Portuguese colonists also found a wide variety of uses for Indigenous labor in order to preserve their idleness.

They forced the Indians not only to gather forest products, but also to crew canoes, cultivate manioc fields, produce farinha, and plant corn, rice, beans, sugarcane, and tobacco.

They also compelled them to work as cowhands and overseers on ranches and sugar mills.

The Forced Labor Assigned to Indigenous Women

Indigenous women performed domestic services, breastfed, and cared for the children of their masters.

But they did not escape forced labor outside the home.

They also removed seeds from cotton, beat and spun it, wove cloth, and produced handicrafts.

Domingos Antônio Rayol wrote in “Catequese dos Índios”:

“Everyone sought to exploit the Indigenous people without any consideration whatsoever, robbing them of their freedom, family, activity, strength, and peace. Exposed to the rigors of sun and rain, these unfortunate people were forced to labor day and night, without rest or comfort. Through the sweat of their brows and the strength of their arms were built the churches, convents, hospitals, palaces, fortresses, and royal warehouses.”

Another early author, João Francisco Lisboa, wrote in his “Jornal do Timon”:

The Indians opened roads, cultivated the land, harvested its fruits, processed the products of sugar mills, and crewed the canoes.

Thus, the most important functional specializations for the economic life of the region — such as fishermen, hunters, farmers, gatherers of forest products, and rowers — were carried out by Indigenous people, states Leandro Tocantins in “Amazônia, Homem e Tempo.”

Tocantins particularly emphasized the specialization of the rower.

He recalled that the colonial Amazonian man was called a “river backwoodsman” by Arthur Cézar Reis, so important was river travel in his life.

Tocantins wrote:

“In the Amazon, the horse was — and still is — the canoe.”

But handling oars, within the mentality of Portuguese colonists, meant occupying an inferior and humiliating occupation for anyone who possessed social prestige.

Tocantins continues:

“For this reason, the rower, as a canoe crewman, became indispensable in that doubly floating society. Due both to the mobility of people among its various social strata and because society itself ‘lived embarked, moving from one place to another.’”

He concluded:

The Indian was culturally conditioned to perceive rowing differently.

And by exercising this activity for the benefit of the colonist, he allowed the latter to preserve his supposed air of dignity.

But without the canoe there could be no commercial circulation, no expeditions in search of forest products, no transportation between places of social interest.

And without the rower, everyone’s hands would be tied.

So useful and productive were the Indians that, when they were not working for the colonists, they were serving the religious orders or the colonial administration.

They were even employed in wars against troops from other countries and in slave-raiding expeditions against other Indigenous tribes.

(Illustration: Capture of Indigenous women, in a painting by Jean Debret, 1830)

Tags: culturaDestaqueGram-ParáPortugueses
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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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