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Home Cultura

Por que os jesuítas foram rejeitados no Gram-Pará, desde a chegada deles a Belém

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
15/05/2026
in Cultura
Por que os jesuítas foram rejeitados no Gram-Pará, desde a chegada deles a Belém
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Nas vizinhanças dos conventos das Mercês, se acomodaram, em 5 de dezembro de 1652, dois jesuítas.

Um deles, era o padre João do Souto Maior, estava destinado destinado ao cargo de reitor do colégio, a ser erguido, em Belém. 

Colégio era como se chamava, então, um convento da Companhia de Jesus.

O outro, o padre Gaspar Fragoso. 

Antes disto, a ordem tinha feito duas tentativas de se fixar no Gram-Pará. 

E, ambas foram frustradas.

A primeira ocorreu, em 1626, quando o Senado da Câmara de Belém negou permissão para os jesuítas atuarem na região.

O senado funcionava como porta-voz dos colonos portugueses do Gram-Pará. 

E estes portugueses temiam que os jesuítas se intrometessem na administração da mão-de-obra indígena, mantida em poder deles.

A segunda tentativa foi frustrada por uma tragédia. 

Um membro da Companhia de Jesus, o padre Luiz Figueira, em 1642, tinha conseguido apoio para enfrentar a resistência dos colonos portugueses, da parte de dom João IV, rei de Portugal, havia dois anos.

Ele foi autorizado a viajar para o Maranhão junto como o novo governador do Gram-Pará/Maranhão, o Capitão Geral Pedro de Albuquerque Melo. 

Na mesma nau, viajaram, na companhia de Luiz Figueira, outros 14 membros de sua ordem religiosa.

A nau chegou a se aproximar de São Luís, mas, quando a viagem estava prestes a ser concluída, ela encalhou perto da Ilha do Sol.

E, naufragou. 

Morreram 130 dos seus 172 passageiros. Entre os mortos, estava o padre Luiz Figueira. 

Sobre uma precária jangada, feita com destroços do navio, doze religiosos, inclusive três jovens seminaristas, conseguiram chegar às encostas da Ilha do Marajó,.

Mas de nada serviu o enorme esforço deles para escapar do naufrágio.

Porque, quando chegaram à terra firme, todos foram mortos pelosAruans.

Os índios odiavam os portugueses por causa do sofrimento que eles causavam à tribo deles.

A terceira tentativa

Só, em 1652, finalmente, jesuítas puderam se instalar no Gram-Pará. 

Apenas dois.

Desta vez, os colonos não puderam impedi-los porque, um deles, o padre João do Souto Maior, trazia em seu poder uma Carta Régia, de dom João IV, dirigida à Câmara de Belém ordenando que a Companhia de Jesus se fixasse no Gram-Pará. 

Dizia o documento, com data de 6 de setembro de 1652: 

“Oficiais da Câmara da cidade de Belém, Capitania do Pará. Eu El-Rei, vos envio muito saudar. Ordenei os religiosos da Companhia da Província do Brasil que por serviço de Deus, e, meu, tornassem a esse Estado e fundassem a nele as igrejas necessárias com intento de doutrinar e caminhar ao gentio dele a abraçar nossa Santa Fé, principal obrigação minha, nas conquistas. E porque lhe era de grande ajuda vosso favor e assistência vos encomendo muito, e mando que lhas dei em forma que tenha eu muito que vos agradecer”. 

Ainda assim, ao desembarcarem em Belém, os dois jesuítas foram constrangidos pelos colonos.

O reitor João do Souto Maior foi forçado a assinar um termo de compromisso, pelo qual, ele e todos os seus subordinados, no Gram-Pará, se limitariam a desempenhar os papéis reservados para os religiosos na colônia, o de professores dos filho dos colonos, e, de catequistas dos índios. 

A catequese junto aos índios, os colonos tiveram de aceitar porque ela havia sido ordenada aos jesuítas pelo próprio rei, na sua Carta Regia. 

Mas, a Carta Régia não impedia claramente os religiosos de se imiscuirem na administração da mão-de-obra indígena. 

Por isto, os colonos acreditaram que eles poderiam obter a garantia de que eles se restringiriam à catequese dos índios, com aquele documento assinado pelo reitor. 

Mas, o compromisso foi aceito, “com reserva mental”, pelo reitor, diz João Lúcio D’Azevedo, no seu primoroso livro “Os jesuítas no Gram-Pará”, editado no ano de 1901, em Lisboa.

Escreveu D´Azevedo:

“O jesuíta, formulando aquela promessa, afirmava no íntimo de sua consciência a intenção inabalável de a violar”. 

Não por acaso, na Língua Portuguesa, falada no Brasil, a palavra jesuíta adquiriu um sentido depreciativo.

O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda, oferece a seguinte explicação para aquela palavra: “Indivíduo dissimulado, astucioso, fingido, hipócrita”.

Contudo, aquela promessa, premeditadamente mentirosa, seria apenasum pecado insignificante, para uma ordem religiosa com os grandes planos dos jesuítas. 

No seu livro, Azevedo demonstra que a ordem, ao chegar a Belém, acalentava o sonho de construir nada menos que um império religiosos. 

Diz o historiador:

“Esse império já, então, começava a ser uma realidade no Paraguai. E, pelo curso do Amazonas, que, segundo os cartográfos da época levava por um lago interior ao Rio da Prata, fácil seria os dois ramos distintos da Companhia darem-se as mãos”. 

O espírito de milícia

Para a execução de seus planos grandiosos, os jesuítas contavam com o espírito de milícia da ordem, historicamente amadurecido, entre eles, na luta, ao lado do pontífice romano, em defesa do Catolicismo, frente ao Protestantismo, no período da Contra-Reforma. 

Na verdade, a ordem, desde o seu surgimento, em 1540, com sua aprovação pelo papa Paulo III, já tinha caráter de “uma falange do exército de Deus”, diz Maria de Lourdes Sobral, em “As missões religiosas e o barroco no Pará”. 

Seu fundador, Iñigo Lopez de Loyola era um nobre espanhol basco, nascido em 1491, que havia participado, como soldado, do cerco de Pamplona, em 1523, durante o qual foi gravemente ferido. 

À sua instituição, ele iria imprimir “um espírito realista de luta contra os adversários da Igreja Católica”, afirma Sobral.

Aquela milícia religiosa, “por duzentos anos havia de dominar em quase todo o mundo civilizado, e, encher com seus feitos as páginas da História”, diz Azevedo. 

Essa porção da Igreja militante, gerada no ascetismo espanhol, iria crescer, invocando o nome de Jesus.

E, se alastraria por toda a Europa, chegando até a reger os destinos dos povos, com a direção que imprimiam à assistência espiritual fornecida por eles aos monarcas. 

Portanto, se o trauma da perda dos companheiros mortos de Aruans não tinha abatido o ânimo dos jesuítas, não seriam os obstáculos criados pelos colonos que fariam eles desistirem de seus planos ambiciosos no Gram-Pará. 

Se era necessário suportar o embaraço de fingir a aceitação de imposição de limites à atuação da ordem, para que o Senado da Câmara de Belém concordasse com a presença dela na região? 

O reitor suportaria, caso isto aclamasse, ainda que temporariamente, os colonos.

Assinado o compromisso, puderam, finalmente, os jesuítas fincar suas raízes nos chãos do Gram-Pará. 

E isto representou o início de um novo momento da vida do povoado, não somente dos pontos de vista políticos, religiosos e administrativos, mas, também, do ângulo da história de suas construções. 

Como era sabia e matreira, a ordem sabia que devia iniciar suas atividades no Gram-Pará com grande modéstia. 

Para a moradia deles, os dois padres levantaram uma casa, com uma capelinha, no bairro de Campina, em terreno dos mercedários. Epróximas do convento deles.

As duas construções, pequenas e humildes, feitas de taipa de pilão e cobertas de palha, ficavam afastadas do centro do povoado, como ditavam as conveniências circunstanciais, daquele momento. 

Contudo, como havia colonos descontentes com a permissão dada aos religiosos para se instalarem em Belém, nem mesmo ali, eles ficaram a salvos das investidas deles. 

Estes colonos hostis esperavam a noite chegar para inquietá-los atirando pedras contra casinha deles.

Os religiosos passaram a viver sobressaltados. 

Temian que a moradia fosse incendiada.

Já nem dormiam, à noite. 

E ainda existia outro grande incômodo: a umidade do terreno que eles ocupavam.

A saúde dos padres ficou ameaçada. 

Contudo, como afirma Arthur Cézar Ferreira, em “A Amazônia e a cobiça internacional”, a ordem não fora estabelecida para capitular, mas para lutar disciplinadamente, ao enfrentar hostilidades, tanto as do meio físico, como as do meio social. 

Naquelas circunstâncias, o reitor Souto Maior tomou duas providências.

A primeira: encerrou a fase de modéstia. 

E tratou de buscar um outro lugar onde a Companhia de Jesus pudesse erguer suas edificações defintivas.

A segunda: pediu a seus superiores um reforço no números de membros da ordem na colônia. 

O êxito dele ao tomar tais providências não poderia ter sido maior. 

O êxito do reitor 

A necessidade de mudança de lugar foi atendida plenamente, com a obtenção de um terreno ao lado do forte, exatamente na área da qual os jesuítas tinham, inicialmente, buscado se afastar.

Portanto, num ponto privilegiado do povoado, elevado, e, arejado, quase à margem do rio, vizinho do chamado Portão, o lugar de intersecção entre os dois bairros do povoado, o da Cidade e o da Campina. 

O terreno era “o melhor de todos” no povoado, de acordo com o reitor do colégio, na década seguinte, o padre João Felipe Benttendorff, na sua “Crônicas dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão”.

Era tão bom que simplesmente ninguém tinha tido a iniciativa de propor a sua compra ao proprietário, um militar chamado Gaspar Cardoso.

Aparentemente, Cardoso tinha ganho o terreno como recompensa por um ato de heroísmo. 

Foi ele quem atingiu o chefe indígena  Cabelo de Velha, quando os tupinambás, em 1619, haviam tentado invadir o Forte do Presépio, indignados com a perversidade do capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco.  

A eliminação do chefe indígena pôs fim a invasão dos tupinambás, por respeito dos índios à morte dele. 

Mas, os jesuítas adquiriram aquele terreno não sem enfrentar grandes obstáculos, diz Bettendorff.

A venda do terreno a eles chegou a ser desaconselhada pelo governo do Gram-Pará. 

E até foi proibida pelo Senado da Câmara de Belém. 

Estes entraves foram vencidos pelos jesuítas, graças à habilidade do reitor Souto Maior, e, ao prestígios da ordem junto à corte portuguesa.

Quem liberou defintivamente a venda foi a prória regente do reino, dona Catarina Henriqueta de Bragança.

Ela, ainda disse:

“Mais confio na defesa da cidade, pelo forte do colégio, dos soldados da Companhia, e, em sua orações, do que na do meu próprio forte e artilharia”. 

A outra previdência tomada pelo reitor Souto Maior, também não poderia ter tido maior sucesso.

Pois seu pedido provocou a transferência de São Luiz para Belém da “maior figura do século XVII, em Portugal”, como considera o padre Antônio Vieira, o escritor Marques Rebelo, em “Antologia Escolar Portuguesa”. 

Ou “a maior personalidade, humana e cultural” de sua época, segundo o classifica Massau Moisés, em “A literatura Portuguesa”.  

(Ilustração: Um jesuíta no período do Brasil Colonial)

Why the Jesuits Were Rejected in

Grão-Pará Since Their Arrival in Belém

In the vicinity of the Convent of Mercy, two Jesuits settled on December 5, 1652.

One of them was Father João do Souto Maior, who had been appointed rector of the college to be built in Belém.

At that time, a “college” was what a convent of the Society of Jesus was called.

The other was Father Gaspar Fragoso.

Before this, the order had made two attempts to establish itself in Grão-Pará.

Both had failed.

The first occurred in 1626, when the Senate of the Municipal Council of Belém denied permission for the Jesuits to work in the region.

The Senate acted as the spokesman for the Portuguese settlers of Grão-Pará.

And those Portuguese feared that the Jesuits would interfere in the administration of the Indigenous labor force kept under their control.

The second attempt was thwarted by tragedy.

A member of the Society of Jesus, Father Luiz Figueira, had obtained support in 1642 to confront the resistance of the Portuguese settlers from Dom João IV, King of Portugal, who had ascended to the throne two years earlier.

He was authorized to travel to Maranhão together with the new governor of Grão-Pará/Maranhão, Captain-General Pedro de Albuquerque Melo.

On the same vessel, fourteen other members of the religious order traveled alongside Luiz Figueira.

The ship approached São Luís, but when the voyage was close to ending, it ran aground near Ilha do Sol.

And it sank.

One hundred and thirty of its 172 passengers died. Among the dead was Father Luiz Figueira.

On a precarious raft made from the wreckage of the ship, twelve religious men, including three young seminarians, managed to reach the shores of Marajó Island.

But their enormous effort to escape the shipwreck was of no use.

For when they reached dry land, they were all killed by the Aruans.

The Indigenous people hated the Portuguese because of the suffering they had inflicted upon their tribe.

The third attempt

Only in 1652 were the Jesuits finally able to establish themselves in Grão-Pará.

Only two of them.

This time, the settlers could not prevent them because one of them, Father João do Souto Maior, carried with him a Royal Charter from Dom João IV addressed to the Municipal Council of Belém, ordering that the Society of Jesus be established in Grão-Pará.

The document, dated September 6, 1652, stated:

“Officials of the Municipal Council of the city of Belém, Captaincy of Pará. I, the King, send you my greetings. I have ordered the religious of the Society from the Province of Brazil that, in service to God and to me, they should return to that State and found there the necessary churches with the purpose of instructing and guiding its native people to embrace our Holy Faith, which is my principal obligation in the conquests. And because your favor and assistance would be of great help to them, I greatly recommend and command that you provide it in such manner that I shall have much to thank you for.”

Even so, upon landing in Belém, the two Jesuits were harassed by the settlers.

Rector João do Souto Maior was forced to sign a formal commitment by which he and all his subordinates in Grão-Pará would limit themselves to performing the roles reserved for religious men in the colony: teaching the settlers’ children and catechizing the Indigenous people.

The settlers had to accept the catechesis of the Indigenous population because it had been expressly ordered to the Jesuits by the king himself in the Royal Charter.

However, the Royal Charter did not clearly prevent the religious order from interfering in the administration of Indigenous labor.

Therefore, the settlers believed they could obtain a guarantee that the Jesuits would restrict themselves solely to catechizing the Indigenous people through that document signed by the rector.

But the commitment was accepted “with mental reservation” by the rector, says João Lúcio D’Azevedo in his remarkable book The Jesuits in Grão-Pará, published in Lisbon in 1901.

D’Azevedo wrote:

“The Jesuit, in formulating that promise, inwardly affirmed the unshakable intention of violating it.”

Not by chance did the word “Jesuit” acquire a pejorative meaning in the Portuguese language spoken in Brazil.

Aurélio Buarque de Holanda’s Novo Dicionário da Língua Portuguesaoffers the following definition for the word: “A deceitful, cunning, pretended, hypocritical individual.”

Yet that deliberately false promise would have been only an insignificant sin for a religious order with plans as vast as those of the Jesuits.

In his book, D’Azevedo demonstrates that when the order arrived in Belém, it nurtured the dream of building nothing less than a religious empire.

The historian states:

“That empire was already becoming a reality in Paraguay. And through the course of the Amazon, which according to the cartographers of the time led by an inland lake to the River Plate, it would be easy for the two distinct branches of the Society to join hands.”

To carry out their grandiose plans, the Jesuits relied upon the military spirit of the order, historically matured in their struggle alongside the Roman pontiff in defense of Catholicism against Protestantism during the Counter-Reformation.

The militia spirit

In truth, since its founding in 1540, with its approval by Pope Paul III, the order already possessed the character of “a phalanx in the army of God,” says Maria de Lourdes Sobral in The Religious Missions and the Baroque in Pará.

Its founder, Iñigo Lopez de Loyola, was a Basque Spanish nobleman born in 1491 who had participated as a soldier in the siege of Pamplona in 1523, during which he was seriously wounded.

To his institution, he would impart “a realistic spirit of struggle against the adversaries of the Catholic Church,” Sobral affirms.

That religious militia, “for two hundred years would dominate almost the entire civilized world and fill the pages of History with its deeds,” says D’Azevedo.

This portion of the militant Church, born of Spanish asceticism, would grow invoking the name of Jesus.

And it would spread throughout Europe, even coming to guide the destinies of peoples through the direction the Jesuits gave to the spiritual assistance they provided to monarchs.

Therefore, if the trauma of losing their companions killed by the Aruans had not broken the spirit of the Jesuits, neither would the obstacles created by the settlers cause them to abandon their ambitious plans in Grão-Pará.

If it was necessary to endure the embarrassment of pretending to accept limitations upon the order’s activities so that the Senate of the Municipal Council of Belém would agree to its presence in the region, then the rector would endure it, if only temporarily calming the settlers.

Once the commitment had been signed, the Jesuits were finally able to establish roots in the lands of Grão-Pará.

And this represented the beginning of a new phase in the life of the settlement, not only from political, religious, and administrative perspectives, but also from the standpoint of the history of its constructions.

Wise and shrewd as it was, the order knew that it should begin its activities in Grão-Pará with great modesty.

For their residence, the two priests built a house with a small chapel in the Campina neighborhood, on land belonging to the Mercedarians and close to their convent.

The two structures, small and humble, made of rammed earth and roofed with straw, stood away from the center of the settlement, as the circumstances of that moment dictated.

However, because there were settlers dissatisfied with the permission granted to the religious men to settle in Belém, even there they were not safe from attacks.

Those hostile settlers waited for nightfall to disturb them by throwing stones at their little house.

The religious men began to live in constant apprehension.

They feared the residence would be set on fire.

They no longer slept at night.

And there was yet another great inconvenience: the humidity of the land they occupied.

The priests’ health became threatened.

Nevertheless, as Arthur Cézar Ferreira states in The Amazon and International Greed, the order had not been established to capitulate, but rather to fight with discipline when confronting hostilities, whether from the physical environment or the social environment.

Under those circumstances, Rector Souto Maior took two measures.

The first: he ended the phase of modesty.

And he sought another place where the Society of Jesus could erect its permanent buildings.

The second: he requested from his superiors a reinforcement in the number of members of the order in the colony.

The rector’s success

His success in taking those measures could hardly have been greater.

The need to relocate was fully met with the acquisition of a plot of land beside the fort, exactly in the area from which the Jesuits had initially sought to distance themselves.

Thus, they obtained a privileged location within the settlement, elevated and well ventilated, almost on the riverbank, neighboring the so-called Gate, the intersection point between the settlement’s two districts, Cidade and Campina.

The land was “the best of all” in the settlement, according to the rector of the college in the following decade, Father João Felipe Bettendorff, in his Chronicles of the Priests of the Society of Jesus in the State of Maranhão.

It was so good that apparently no one had taken the initiative of proposing its purchase to the owner, a military man named Gaspar Cardoso.

Apparently, Cardoso had received the land as a reward for an act of heroism.

It was he who struck the Indigenous leader Cabelo de Velha when the Tupinambás attempted to invade Forte do Presépio in 1619, outraged by the cruelty of Captain-Major Francisco Caldeira Castelo Branco.

The death of the Indigenous chief brought the Tupinambá invasion to an end, out of respect the Indigenous people held for him.

But the Jesuits did not acquire that land without facing great obstacles, Bettendorff says.

Its sale to them was even discouraged by the government of Grão-Pará.

And it was actually prohibited by the Senate of the Municipal Council of Belém.

These obstacles were overcome by the Jesuits thanks to the skill of Rector Souto Maior and the prestige the order enjoyed at the Portuguese court.

The person who definitively authorized the sale was the regent of the kingdom herself, Dona Catarina Henriqueta de Bragança.

She even declared:

“I place greater trust in the defense of the city by the fort of the college, by the soldiers of the Society and their prayers, than in that of my own fort and artillery.”

The other measure taken by Rector Souto Maior could likewise not have been more successful.

For his request led to the transfer from São Luís to Belém of “the greatest figure of the seventeenth century in Portugal,” as the writer Marques Rebelo describes Father Antônio Vieira in Portuguese School Anthology.

Or “the greatest human and cultural personality” of his era, as Massaud Moisés classifies him in Portuguese Literature.

(Illustration: A Jesuit during the Colonial Brazil period.)

Tags: Belém do ParáculturaDestaqueGram-Parájesuítas
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Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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