Estudantes de instituições particulares de ensino superior de Belém estão sendo investigados pela Polícia Civil do Pará após a suposta criação e compartilhamento, em grupos virtuais, de uma lista que reuniria nomes e fotografias de mais de 60 mulheres. O material teria sido acompanhado de classificações e comentários de cunho sexual. Entre as pessoas citadas, segundo as informações registradas no caso, estariam mulheres conhecidas pelos estudantes e possíveis adolescentes.
Um dos envolvidos seria estudante do curso de Medicina. A investigação busca esclarecer quem criou o material, quem participou da elaboração, como as imagens foram obtidas e de que forma o conteúdo foi compartilhado.
A situação chegou ao conhecimento da Polícia Civil após um estudante registrar um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Virtual, na quarta-feira (26). Bruno Cesar Drian Lima Maia relatou que tomou conhecimento da existência da lista enquanto participava de um ambiente virtual com amigos.
Segundo o relato apresentado à polícia, o conteúdo reunia fotografias retiradas de perfis de mulheres em redes sociais. O estudante afirmou que entre as pessoas citadas estariam conhecidas de faculdade e de escolas de ensino médio.
Ainda conforme o boletim, Bruno teria advertido um dos integrantes do grupo sobre a gravidade da conduta e as possíveis consequências. Mesmo depois do alerta, segundo o relato, outra lista teria sido produzida utilizando fotografias de dezenas de perfis.
A situação ganhou uma dimensão pessoal para o estudante quando ele percebeu que imagens de duas primas estavam entre as fotografias utilizadas. Ele afirma ter novamente questionado um dos envolvidos e relatado ter se sentido prejudicado e exposto no ambiente acadêmico.
O caso foi registrado inicialmente como difamação no boletim de ocorrência, mas a investigação deverá avaliar todas as circunstâncias e possíveis responsabilidades relacionadas à produção e ao compartilhamento do material.
Estudante admite participação e afirma estar arrependido
Um dos estudantes citados na investigação, Zeno de Lucas Almeida Ribeiro, reconheceu publicamente que teve participação na elaboração do conteúdo. Em manifestações nas redes sociais, ele afirmou ter contribuído com ideias e imagens utilizadas para montar a lista.
O estudante declarou estar arrependido e assumiu responsabilidade por sua participação. Também afirmou que outras pessoas que, segundo ele, não tiveram envolvimento direto não deveriam ser responsabilizadas pelo conteúdo.
Em outra publicação, Zeno disse que teria apenas fornecido imagens solicitadas por integrantes do grupo e voltou a afirmar que se arrepende da conduta. Ele também alegou que a pessoa que teria iniciado a ideia e criado o material não estaria sendo identificada publicamente.
As declarações fazem parte da apuração e deverão ser confrontadas com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
Investigação ocorre sob sigilo
A Polícia Civil do Pará informou que o caso é investigado sob sigilo pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC).
Os investigadores deverão analisar os registros disponíveis, ouvir pessoas relacionadas ao caso e buscar identificar todos os envolvidos na criação, organização e disseminação do material.
Como há menção à possível participação de adolescentes entre as pessoas expostas, a investigação também deverá considerar as medidas de proteção previstas para menores de idade. A identidade das possíveis vítimas não foi divulgada para preservar a privacidade e evitar novas formas de exposição.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre eventuais prisões ou indiciamentos. As responsabilidades individuais deverão ser definidas pelas autoridades após a conclusão das investigações.
Com informações do Portal O Liberal.














