A Corregedoria da Polícia Civil do Pará abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta funcional e ética do delegado Carlos Guilherme Santos Machado, que atua no município de Abaetetuba, no nordeste do estado. A investigação foi motivada pela divulgação de mensagens atribuídas ao delegado, consideradas misóginas por colegas de trabalho.
Os prints, que passaram a circular internamente e nas redes sociais, mostram uma conversa em que o delegado teria respondido a uma pergunta sobre a realização de um café da manhã em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Na mensagem, ele afirmou: “Café da manhã não garanto, mas se quiser uma pia cheia de louças a gente providencia”, acrescentando em seguida que seria “para vocês se sentirem em casa nesse dia especial”.
Após a repercussão das mensagens, o caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil, que instaurou procedimento para avaliar o comportamento do servidor.
A situação ganhou ainda mais destaque após vir à tona uma condenação recente do delegado pela Justiça da Paraíba. Em decisão publicada em 26 de fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) condenou Carlos Guilherme Santos Machado a 7 anos e 6 meses de prisão pelo crime de atentado violento ao pudor, tipificação que atualmente integra o crime de estupro.
De acordo com a sentença, o caso ocorreu em 5 de abril de 2009, na cidade de Cajazeiras, no sertão paraibano, quando o então promotor de Justiça teria atraído a vítima para sua residência sob um pretexto falso e, no local, cometido violência sexual. A mulher conseguiu fugir e pedir ajuda após o episódio. O juiz Ítalo Lopes Gondim, responsável pela decisão, considerou que o conjunto de provas reunido no processo comprovou a autoria e a materialidade do crime, destacando como agravante o fato de o acusado ocupar cargo público à época.
Mesmo condenado, o delegado responde ao processo em liberdade, já que a defesa recorre da decisão.
Antes de ingressar na Polícia Civil do Pará, Carlos Guilherme Santos Machado também já havia se envolvido em outro episódio que resultou na perda do cargo de promotor de Justiça na Paraíba, em 2015. O caso ocorreu em 2009, quando ele atirou no pé do cunhado durante uma discussão familiar, fato que gerou investigação criminal e procedimento disciplinar no Ministério Público paraibano.
Após deixar o Ministério Público da Paraíba, ele passou a atuar na Polícia Civil do Pará a partir de 2022, após decisão judicial que garantiu sua nomeação como delegado, mesmo tendo sido reprovado na etapa de investigação social do concurso.
Em nota, a Polícia Civil do Pará informou que abriu procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado e confirmou que ele será afastado das funções enquanto a Corregedoria realiza as apurações, assegurando o direito à ampla defesa e ao devido processo legal.
A defesa de Carlos Guilherme Santos Machado afirmou que o delegado exerce regularmente o cargo e que os processos citados ainda estão em tramitação, destacando que não há condenação definitiva, uma vez que os recursos apresentados ainda aguardam julgamento. Segundo os advogados, a equipe jurídica está confiante na inocência do cliente e trabalha para demonstrá-la nos autos.
Enquanto isso, o caso segue sob análise da Corregedoria da Polícia Civil do Pará, que deve avaliar tanto as mensagens atribuídas ao delegado quanto eventuais repercussões administrativas relacionadas à sua permanência no cargo.
Com informações do g1/PA















