Ex-controlador do Banco Master não apresenta elementos novos suficientes para justificar acordo de colaboração premiada com autoridades e deve voltar para cela comum no Presídio da Papuda
Brasília – A Polícia Federal rejeitou, pela segunda vez, nesta quinta-feria (11), a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão, comunicada à defesa do ex-banqueiro, reafirma a posição da corporação de que as informações oferecidas não apresentam elementos novos e relevantes suficientes para justificar um acordo de delação premiada.
A primeira rejeição ocorreu em maio de 2026, quando investigadores da PF avaliaram que o conteúdo inicial da proposta trazia poucos avanços em relação às investigações já em andamento sobre o caso do Banco Master.
Apesar dessa recusa inicial, a corporação sinalizou ao Supremo Tribunal Federal (STF) interesse em retomar as negociações, abrindo espaço para que a defesa de Vorcaro apresentasse uma nova versão do acordo.
Em resposta, a defesa do ex-banqueiro entregou uma segunda proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) no início de junho de 2026.
O novo material incluía referências a um vínculo contratual entre o Banco Master e um escritório de advocacia, além de menções a repasses de aproximadamente R$ 60 milhões.
Contudo, após análise minuciosa, investigadores da PF mantiveram sua avaliação crítica: a proposta ainda não apresentava informações inéditas que pudessem ampliar significativamente as investigações.
Contexto da prisão e negociações
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em março de 2026, após decisão do STF que manteve sua prisão por maioria de votos. A prisão ocorreu no contexto de investigações sobre operações do Banco Master, instituição que cresceu rapidamente prometendo ganhos financeiros elevados.
A manutenção da prisão preventiva foi considerada por analistas políticos como um fator que poderia impulsionar negociações de colaboração premiada, seguindo precedentes como o de Mauro Cid, ex-ordenança do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.
As negociações de delação premiada envolvem não apenas questões técnicas sobre a relevância das informações, mas também tensões institucionais.
Citações a ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, em documentos relacionados às negociações geraram preocupações sobre possíveis dilemas institucionais decorrentes de uma eventual colaboração premiada de Vorcaro.
Avaliação da Polícia Federal
Segundo fontes ligadas à corporação, a avaliação é de que Vorcaro sinalizou disposição para colaborar, mas ainda não apresentou elementos concretos que ampliem substancialmente as investigações. Integrantes da PF entendem que o novo texto não é suficiente para justificar um acordo de colaboração premiada nos termos propostos.
A corporação comunicou sua posição ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que terá a palavra final sobre a aceitação ou rejeição do acordo. Essa dinâmica reflete o papel central do Poder Judiciário nas negociações de delação premiada, particularmente quando envolvem figuras de relevância política e econômica.
Estratégia da defesa e próximos passos
A defesa de Vorcaro, diante da segunda rejeição, enfrenta um dilema estratégico. A corporação policial sinalizou que há interesse em continuar negociando, mas as exigências permanecem rigorosas: informações novas, relevantes e que tragam avanços concretos às investigações.
A PGR, por sua vez, também mantém posição crítica quanto ao conteúdo apresentado, exigindo provas e elementos que justifiquem a celebração de um acordo.
O impasse reflete dinâmicas mais amplas no sistema de justiça brasileiro. Delações premiadas são instrumentos importantes para investigações complexas, mas sua aceitação depende de avaliações técnicas rigorosas sobre a qualidade e relevância das informações oferecidas.
No caso de Vorcaro, a rejeição dupla sugere que a corporação não está disposta a fazer concessões sem ganhos investigativos substanciais. Pesou também o não esclarecimento dos valores a serem devolvidos, extraordinários R$ 60 bilhões. Mas, cadê o dinheiro?
Simultaneamente, a continuidade das negociações indica que não há fechamento de portas. A defesa de Vorcaro pode apresentar novas propostas, desde que tragam informações que atendam aos critérios estabelecidos pela PF e pela PGR. O ministro André Mendonça, como relator do caso no STF, permanece como figura central nas decisões futuras sobre a colaboração premiada.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















