Nova fase da PF e CGU cumpre mandados em 14 estados e detalha maior esquema de corrupção e estelionato previdenciário da história
Brasília –A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na manhã desta quinta-feira (13) uma nova e significativa fase da “Operação Sem Desconto”, que investiga um vasto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação resultou na prisão preventiva do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e na execução de 10 mandados de prisão preventiva, além de 63 de busca e apreensão, abarcando 14 estados e o Distrito Federal. As investigações aprofundam-se nos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, e atos de ocultação e dilapidação patrimonial, conforme informou a PF.
A nova fase da operação é um desdobramento de investigações anteriores que vêm revelando a magnitude e a sofisticação da rede criminosa. O histórico da Operação Sem Desconto remonta a abril de 2025, quando a PF e a CGU expuseram um esquema bilionário que desviou R$ 6,3 bilhões através de descontos não autorizados nos contracheques de beneficiários do INSS.
Naquela ocasião, a cúpula do INSS foi afastada sob suspeita de envolvimento, e ficou evidente que sindicatos e associações de aposentados realizavam os descontos indevidos. Essas entidades, segundo a CGU, ofereciam supostos serviços como planos de saúde, academia e assistência jurídica, mas sem possuir estrutura real para cumpri-los. Muitos aposentados sequer tinham conhecimento de terem sido associados, descobrindo as deduções apenas ao consultar seus extratos de benefício. Na bandalheira, foram incluído no sistema do INSS, descontos à pessoas já falecidas, e menores de idade.
A casa caiu
O aprofundamento das investigações levou a ações importantes em meses subsequentes, e a “casa caiu”. Em setembro, a PF prendeu os empresários Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti, apontados como os principais operadores financeiros do esquema.
As buscas em setembro também alcançaram o advogado Nelson Willians, suspeito de intermediar transações com uma das associações investigadas, resultando na apreensão de armas, réplicas de carros de Fórmula 1, relógios suíços de luxo e obras de arte. O chamado “advogado ostentação” ainda não foi preso.
O “Careca do INSS” é tido como a figura central da rede de corrupção, coordenando empresas intermediárias entre as associações e servidores públicos. Parte dos recursos desviados era, então, repassada a funcionários do INSS responsáveis por autorizar convênios e validar os descontos fraudulentos.
Nova investida em outubro
A operação teve uma nova fase em outubro, na qual os agentes apreenderam mais carros de luxo, dinheiro em espécie e uma arma, demonstrando a persistência na repressão aos envolvidos. Diante da repercussão e da complexidade do caso, que afeta diretamente a previdência social e a vida de milhares de beneficiários, foi instalada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso.
A CPMI tem como objetivo investigar o impacto abrangente do esquema, que envolve desde fraudes documentais e financeiras até corrupção ativa e passiva de agentes públicos. Apesar das graves acusações, Antônio Carlos Camilo Antunes, Nelson Willians e Maurício Camisotti negam todas as irregularidades apontadas pelas investigações.
Stefanutto em cana
A prisão, nesta nova fase, do arrogante ex-presidente Alessandro Stefanutto, que peitou membros da CPMI do INSS que o interrogaram, sublinha a extensão do envolvimento de altos escalões na fraude que já movimentou bilhões de reais.
A Operação Sem Desconto continua a desmantelar um complexo sistema de corrupção e estelionato previdenciário, cujas implicações se estendem por todo o território nacional e impactam diretamente a confiança nas instituições públicas e a segurança financeira dos aposentados e pensionistas do país.
A continuidade das investigações e os trabalhos da CPMI serão cruciais para a total elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
No próprio seio da CPMI, há uma reclamação generalizada: o governo faz propaganda dizendo que está pagando o que foi roubado dos aposentados, mas, os verdadeiros ladrões, e muitos deles, ainda circulam livremente por aí, sem que o produto do roubo tenha sido recuperado aos cofres públicos.
Conclusão: quem na verdade está pagando o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas é o maltratado contribuinte brasileiro, que está colocando o dinheiro no chapéu do governo, que age para se perpetuar no poder, e blindar figuras suspeitíssimas de participação na roubalheira histórica.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















