A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar suposta difamação eleitoral produzida por meio de inteligência artificial. A investigação se debruça sobre uma denúncia feita pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), de que estaria circulando nas redes sociais um áudio atribuído a ele, com insultos aos professores da capital amazonense.
Segundo a PF, a análise da gravação mostrou que a voz foi manipulada com a utilização de inteligência artificial. A corporação identificou dois suspeitos de participação no crime Eles serão ouvidos pelos investigadores.
“Tentam colocar como se eu estivesse falando para os professores. Todo mundo sabe da minha ligação com os professores e agora tivemos um problema com relação ao repasse do abono, em função da queda das receitas do Fundeb. E exatamente aproveitando essa questão, aparece essa fala para me colocar em rota de colisão com os professores a quem eu tenho total respeito” disse o prefeito em comunicado.
O prefeito fez uma postagem em uma rede social no qual mostra o momento em que faz a denúncia à PF. Um perito analisou o áudio e, segundo ele, será possível chegar ao dispositivo de onde foi gerado o áudio.
“É possível fazer esse rastreio. Tudo isso que acontece na internet deixa esse mapeamento, deixa esses endereços e a gente consegue fazer esse rastreamento até a origem” explicou o perito Cleiton Lopes. A Polícia Federal identificou dois suspeitos e irá ouvi-los nos próximos dias.
A instituição informou que o uso da nova tecnologia em campanhas políticas para manobras de criação de fake news em relação a candidatos em pré-campanha já configura preliminarmente o crime de difamação eleitoral, com pena de detenção.
No início de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes defendeu cassar o mandato de quem usar a inteligência artificial de forma fraudulenta nas eleições.
Como mostrou o Estadão, a Justiça Eleitoral trabalha para regulamentar a aplicação no pleito municipal do ano que vem. O ministro Floriano Azevedo Marques Neto chegou a advertir que uma das principais preocupações da Corte em relação ao uso de inteligência artificial é justamente a criação de imagens e áudios falsos, prática conhecida como deepfake.














